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Mindinha de Villa-Lobos

sábado, novembro 17th, 2018

Em 1974, convalescendo de uma terceira cirurgia corretiva na mão esquerda, entusiasmado com a possibilidade de voltar a estudar as peças do mestre, fui ao Rio de Janeiro conhecer o Museu Villa-Lobos; quem sabe não voltava a São Paulo com um convite para um estágio na Universidade de Cascadura?

O convite não veio, mas em compensação levei um papo inesquecível com Dona Mindinha, mulher do grande Villa, a quem ele dedicou, entre outras dezenas de peças, os Cinco Prelúdios Para Violão e as Nove Bachianas Brasileiras. 

Mindinha contou que numa noite em Nova York, Villa lhe convidou para assitir a um grande compositor, esse sim!, que iria se apresentar ao piano. O lugar, segundo ela era bem mixuruca, e o músico, numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók!

Coincidentemente, Villa-Lobos e Bartók tinham ouvido absoluto; compunham sem usar nenhum intrumento, ou seja, tudo na cuca.

Perguntei a ela se conhecia Antonio Carlos Jobim.

– Sim, claro tem melodias lindas, e ama a obra de Villa-Lobos. Uma ocasião esteve em casa, lá pelos anos 50, bebia bem esse moço, na hora da despedida perguntou brincando :

– Maestro, vende pra mim a ária da Bachiana Nº5?

O Villa riu e gostou. 

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim que amava a música de Villa-Lobos, estava começando sua carreira de compositor consagrado no mundo inteiro.

 Antônio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Depois de um cafezinho, Mindinha foi atender alguem e eu fiquei sozinho na sala com vários pertences do nosso Villa: batutas, piteiras, lápis, borrachas, óculos, partituras e veio a tentação de roubar um lápis – com prolongador.  Mindinha voltou a tempo de frustrar o assalto ao patrimônio nacional e eu confessei minha intenção.

– Edgard, que coisa feia!

– Dona Mindinha, é que esse lápis está encantado! Com ele até eu escrevo uma sinfonia!

Pois sim…

Ganhei várias partituras e dona Arminda de Villa-Lobos, entre elas a Melodia Sentimental, e vinte e dois anos depois mostrei à Zizi Possi que gravou no CD Mais Simples.

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Viva Villa-Lobos!

sábado, novembro 17th, 2018

Hoje  é dezessete de novembro, dia em que o Indio de Casaca se despediu da tribo e deixou  um Amazonas de musica para a humanidade.

O menino Tuhú sabia que a pipa ia voar alto.

Diogo, meu pai, chegou a noitinha com o extinto jornal A Gazeta e a triste manchete – Morreu Heitor Villa-Lobos! Eu tinha 13 anos em 1959  e conhecia o Prelúdio, da Bachiana nº4 , que minha mãe  Antonietta tocava a transcrição para piano.

Por volta de 1964 havia um programa na rádio Eldorado de São Paulo cujo prefixo era uma música maravilhosa. Sabia que os intérpretes eram o Modern Jazz Quartet, pelo solo de vibrafone de Milt Jackson e o piano de John Lewis, mas e o compositor? Resolvi a questão na Eletroarte, antiga loja de discos na rua Augusta – onde eu costumava esconder  os discos de bossa nova, jazz, etc… atrás daqueles que eu imaginava pelos meus favoritos – com a ajuda do Toninho que sabia do meu truque e tambem me apresentava os ultimos lançamentos: era a ária da Bachiana nº 5, de Heitor Villa-Lobos, do LP The Sheriff . Gastei o disco. Villa-Lobos eentrou para sempre na minha seleção brasileira ao lado de Tom Jobim, João Gilberto, Pelé, Garrincha, Pixinguinha, Vinicius, Noël, Ary, Oscarito, Grande Otelo…

Aos vinte e um anos ouvi pela primeira vez os estudos e prelúdios para violão do nosso índio de casaca. O Brasil que eu sentia e não sabia explicar. Comprei as partituras e estudei que nem louco. Depois veio o Concerto para Violão e Orquestra, simplesmente o máximo. No Guia Prático, estudo folclórico musical achei a maquete  do gênio.

Tom Jobim reverenciou sua musica. Canta, canta mais, Saudades do Brasil, Brasilia, Sinfonia da Alvorada, são provas disso. Na corda da viola, em Stone Flower,  e A maré encheu, em Autopsicografia, letra de Fernando Pessoa, prováveis são lembranças dos seus estudos do Guia Prático. Se é por falta de adeus – nnazo tenho receio de dizer que fecha com uma citação do Trenzinho do Caipira.

Seguem quatro faixas do CD “Villa-Lobos e Carlos Gomes para Crianças” que produzi para a revista CARAS. São quatro Cirandinhas arranjadas pelo mestre para piano solo sequenciadas nos softwares Logic e Performer e executadas por um computador MacIntosh.

Carneirinho, carneirão

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O Cravo Brigou com a Rosa

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Todo Mundo Passa

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A Canoa Virou

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A imortalidade registrada pela música

“Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado ao fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então se percebia que era música, sempre fora música.

Assim é que eu vejo Heitor Villa-Lobos na minha saudade que está apenas começando, ao saber de sua morte, mas que não altera a visão antiga e constante.
Quem o viu um dia comandando o coro de quarenta mil vozes adolescentes, no estádio do Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo, tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora que seria possível conceber.

A multidão em torno vivia uma emoção brasileira e cósmica, estávamos tão unidos uns aos outros, tão participantes e ao mesmo tempo tão individualizados e ricos de nós mesmos, na plenitude de nossa capacidade sensorial, era tão belo e esmagador, que para muitos não havia outro jeito senão chorar, chorar de pura alegria.
Através da cortina de lágrimas, desenhava-se a nevoenta figura do maestro, que captara a essência musical de nosso povo, índios, negros, trabalhadores do eito, caboclos, seresteiros de arrabalde; que lhe juntara ecos e rumores de rios, encostas, grutas, lavouras, jogos infantis, assovios e risadas de capetas folclóricos”.

Carlos Drummond de Andrade

“Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos.

Manuel Bandeira, na revista Ariel, 1924.

 •

Sobre a inspiração:

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Viva Villa-Lobos!

P.S.:

 

Em 1974, convalescendo de uma terceira cirurgia corretiva na mão esquerda,

entusiasmado com a possibilidade de voltar a estudar as peças do mestre, fui ao Rio de Janeiro conhecer o Museu Villa-Lobos; quem sabe não voltava a São Paulo com um convite para um estágio na Universidade de Cascadura?

O convite não veio, mas em compensação levei um papo inesquecível com Dona Mindinha, mulher do grande Villa, a quem ele dedicou, entre outras dezenas de peças, os Cinco Prelúdios Para Violão e as Nove Bachianas Brasileiras. 

Mindinha contou que numa noite em Nova York, Villa lhe convidou para assitir a um grande compositor, esse sim!, que iria se apresentar ao piano. O lugar, segundo ela era bem mixuruca, e o músico, numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók!

Coincidentemente, Villa-Lobos e Bartók tinham ouvido absoluto; compunham sem usar nenhum intrumento, ou seja, tudo na cuca.

Perguntei a ela se conhecia Antonio Carlos Jobim.

– Sim, claro tem melodias lindas, e ama a obra de Villa-Lobos. Uma ocasião esteve em casa, lá pelos anos 50, bebia bem esse moço, na hora da despedida perguntou brincando :

– Maestro, vende pra mim a ária da Bachiana Nº5?

O Villa riu e gostou. 

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim que amava a música de Villa-Lobos, estava começando sua carreira de compositor consagrado no mundo inteiro.

 Antônio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Depois de um cafezinho, Mindinha foi atender alguem e eu fiquei sozinho na sala com vários pertences do nosso Villa: batutas, piteiras, lápis, borrachas, óculos, partituras e veio a tentação de roubar um lápis – com prolongador.  Mindinha voltou a tempo de frustrar o assalto ao patrimônio nacional e eu confessei minha intenção.

– Edgard, que coisa feia!

– Dona Mindinha, é que esse lápis está encantado! Com ele até eu escrevo uma sinfonia!

Pois sim…

Ganhei várias partituras e dona Arminda de Villa-Lobos, entre elas a Melodia Sentimental, e vinte e dois anos depois mostrei à Zizi Possi que gravou no CD Mais Simples.

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Assista trechos do meu depoimento para o documentário Villa-Lobos
“O Tempo e a Música”.

Viva Antonio Carlos Jobim!

quinta-feira, janeiro 25th, 2018

Viva Tom Jobim!

25 de janeiro. Aniversário de São Paulo, e do maior compositor de música popular de todos os tempos! Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim!

 

Semibreves

• Wave

Era o tempo dos radinhos Spika, dos primeiros disk-jockeys e meu programa o que se chama hoje de maior jazz. Com uma vassoura velha de microfone eu mandava para o ar os grandes sucessos o Hit Parade da discoteca do meu pai. Mantovani, Percy Faith, Chuck Berry, Teddy Reno, Carlos Gardel, Sammy Davis Jr, Dean Martin, Angela Maria, Dorival Caymmi, Rosemary Clooney… O primeiro lugar vinha sendo dia-dia disputado pelo Frankie Layne, com Jezebel e Black Gold, pelo Roy Hamilton, com Ebb Tide e Unchained Melody, e pelos Diamonds com Little Darling, o estouro do ano.

“Oh little darling

Tchup tchu-ara

Tchup tchu-ara

Oh little darling

Oh oh oh oh”

A versão em português foi gravada pela Lana Bittencourt e tambem estourou, mas, do lado B, vinha uma canção pelo ar,

Se Todos Fossem Iguais a Você, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, que ficou semanas no topo da parada.

E não mais que de repente veio Chega de Saudade e o disk-jockey deixou a rádio no ar, e partiu pra ser compositor.

 •

• Off-Key

Fotografou o som

com sua Rolleyflex

revelou-se a sua enorme inspiração.

 

• One Finger

Luiz Roberto Mello e Souza Oliveira, paulista do Leblon, músico e tomaníaco, numa visita ao Colégio Mello e Souza, no Rio de Janeiro, encontrou nos seus arquivos, o script de uma peça, representada pelos alunos.

O autor, não lembro quem era. No papel de Dr. Carrapatoso, o garoto Antonio Carlos Jobim. Aquele um.

 

• Meditação

Antonio

Carlos

Brasileiro

de

Almeida

Jobim

Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim

Tom Mixer.

 Outras notas, mas, a base é uma só.

#1. O grande Ronaldo Bôscoli, letrista de “Lobo Bôbo”, “Barquinho”, “Saudade Fez um Samba”, “Você”, e tantas outras da Bossa Nova, por pouco não foi o letrista de um certo tema que Tom Jobim mostrou, em primeira mão, pra ele. Chegou a fazer um esboço, mas foi seu cunhado Vinícius de Moraes, quem acabou escrevendo a letra de “Garota de Ipanema”

#2. Vinícius não acertou de cara na letra da Garota e quem quiser conhecer uma tentativa (Menina que Passa) leia “Antonio Carlos Jobim, uma Biografia”, de Sérgio Cabral, Ed. Lumiar. Tem também no Cancioneiro Jobim.

#3. Ronaldo Bôscoli reinvindicava que foi ele quem apresentou o Tom a Vinicius, do Lúcio Rangel e a história do Orfeu.

#4. Tom, Bôscoli e João Gilberto fizeram 2 músicas. Uma, ninguém lembra mais, e a outra,

Só a saudade assim, faz um dia a gente saber que o amor existe, sim.

Só um dia assim, faz a gente sentir que o amor chegou ao fim…,

ficou, segundo o maestro, um plágio de “Meditação”, também dele em parceria com Newton Mendonça.

#5. Ronaldo Bôscoli foi quem escreveu os versos para a introdução recitativa do “Desafinado”: Quando eu vou cantar você não deixa…

#6. Segundo ele, nas músicas de Tom, os nomes de mulher de mulher citados explícitamente não tem nada a ver. Ana Luiza, Lígia etc… todos esses nomes são códigos. Inclusive Ângela, que ele fez para o Roberto Carlos – o qual, aliás, estupidamente, a esnobou – é linda. Miéli e eu praticamente obrigamos o Rei a cantá-la num show – e ele finalmente a cantou, entre um e outro pot-pourri de seus sucessos.

#7. Bôscoli afirma que também colaborou em Luíza com sete cores, sete mil amores.

A resposta do Tom, e a confirmação dessas dicas, vocês encontram no livro Eles e Eu – Memórias de Ronaldo Bôscoli, por Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves, Editora Nova Fronteira.

#8. A música Corcovado, pra mim, a cara da bossa nova, ia começar dum jeito nada condizente com seus estatutos anti cubo das trevas (assim, Tom chamava as antigas boites onde ele tocava correndo atrás do aluguel) e que parecia um samba canção:

Um cigarro um violão…

Quem deu o toque, e Tom aceitou, foi o mago de Juazeiro, João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, e ficou assim:

Um cantinho e um violão…

#9. Tom nasceu em 25 de janeiro – aniversário de São Paulo, Chega de Saudade, com João Gilberto estourou em São Paulo, e, no início dos anos sessenta apresentava um programa de televisão na TV Paulista, canal 5! Acredite quem quiser! O programa chamava-se O Bom Tom e eu tive a felicidade de assistir vários deles. Lembro dos programas com João Gilberto, Luís Bonfá, Ronaldo Bôscoli. Jamais vou esquecer de Vinícius, Aloysio de Oliveira e Sylvia Telles, abraçados, dançando e cantando Eu preciso de você, como se fosse um canção, com o maestro soberano ao piano.

Como o sol precisa de um poente

Eu preciso de você

Só de você

Como toda orquestra de um regente

Eu preciso de você

Só de você…

É duro aceitar que não temos sequer um fotograma de O Bom Tom. Incrível é que o programa era o segundo lugar em audiência em São Paulo, perdendo apenas para o Cirquinho do Arrelia, no canal 7!

#10. Carinhoso.

LP (ou CD) do Século

Texto postado no site Clube do Tom em janeiro de 2000

Estamos nos aproximando da virada do século e pelo jeito que as coisas caminham o espaço pro genial está totalmente preenchido, visto que proliferam eleições e coleções dos melhores de tudo, em tudo que é assunto, e com um ano de antecedência.

É de se supor que ninguém mais acredita caber mais alguém nessa nau dos imortais que partiu (pra mim faz tempo), sabe-se lá para onde…

Nesta hipotenusa mental, como diria o grande Cyro Monteiro, já que estamos fechados para balanço, apresento o meu voto, que ninguém perguntou, diga-se, para o melhor CD ou LP deste século de musica popular:

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Beleza, charme, técnica, afinação, repertório, execução, balanço, mixagem, sonoridade, harmonia, timbrística, delicadeza, discrição, amor pelo trabalho, profissionalismo, coração. Bossa.

O maior cantor de todos os tempos e o maior compositor da música popular.

Um telefonema, do próprio Frank, pro Bar Veloso, deu o chute inicial.

As gravações, com os belíssimos arranjos de Claus Ogerman, iniciaram dia 30 de janeiro de 1967 as 20 horas.

A formação da orquestra era de 10 violinos, 4 violas, 4 cellos, 3 flautas, trombone, contrabaixo, piano e 2 bateristas, um para as músicas americanas, e o Dom Um Romão para as brasileiras, que atendeu, a um pungente pedido do Tom : – Se você não vier, vou entrar por um cano que não tem tamanho!

É lógico que tinha violão, o violãozinho que o Astênio Claustro Fobim dizia não tocar bem, mas que era o mais bem colocado, mais suingado, preenchendo os espaços com elegância, sem malabarismos, o mais bonito de toda Bossa Nova.

(João Gilberto é outro assunto).

E os contracantos geniais, as “inner voices” que o nosso Maestro fazia magistralmente.

Ouçam o CD, que foi remixado, com mais algumas intervenções geniais, que não aparecem no LP. Por exemplo, a “baixaria “ que o Tom faz em I Concentrate on You enquanto o Frank está cantando, o final de Garota de Ipanema (aliás a melhor gravação desta), e outras mais.

A primeira música gravada foi Baubles, Bangles and Beads. Sinatra não gostou: – Preciso botar menos gelo nos meus drinques!

Mandaram o Tom cantar mais alto. Sinatra aconselhou :

– Abra o paletó, mostre o colete à prova de balas e cante.

Mataram às 20h e 45m, no setimo take.

A primeira música do Tom que o Frank gravou foi Dindi, que terminou lá pelas 23 horas com o comentário do “The Voice” :

– Porra, que beleza de canção!

Sinatra brincou com Ogerman e Tom sobre a delicadeza e suavidade dos arranjos : – Não canto assim desde que tive faringite !

Foram três noites de gravação, jantares e drinques, e o resultado foi eleito pela crítica americana como o àlbum do ano.

Para mim esses dois batutas produziram o tal biscoito fino, o melhor do século!

Quem quiser que mostre outro.

Como diria o sublime Baden Powell: – Encosta pra ver se dá!

O homem cordial e bondoso.

• E voltei pra minha nota

#10. Um dia, papeando com o maestro soberano contei a ele que minha mãe se formou em piano no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, onde foi aluna de Mário de Andrade, em História da Música; ele abriu um sorriso e disse:- Que bom, Edgard, os paulistas são formidáveis e os Andrades (Oswald e Mário) são dois craques!

Aproveitei a chance, e brincando, falei, que ele estava devendo uma musica para São Paulo, afinal ele nasceu no dia 25 de janeiro. Ele disse que estava fazendo; aqui está ela:

#11. Apostaria todas minhas colcheias que o Prelúdio Nº3, para violão, de Heitor Villa-Lobos, foi motivo de inspiração para a maravilha que é Saudades do Brasil.

#12. O trisavô paterno do compositor, José Martins da Cruz Jobim, era natural de Jovim, Gondomar, Portugal. O sobrenome Jobim alude a essa localidade. Atão, ora pois: será que aí não tem a troca “B” pelo “V” e bice bersa, ó pá?

 

Viva o nosso Tom!

 Rei, que nem Pelé!

 Tom brasileiro!

 

Quatro amigos e uma saudade imensa.

sexta-feira, junho 26th, 2015

Deixa tocando enquanto voce lê:

Em 1965, Zequinha Marques da Costa, meu primo querido, me apresentou seus grandes amigos, Vinicius de Moraes, Baden Powell e Ciro Monteiro; alguns meses antes de dar início aos ensaios do espetáculo Vinicius Poesia e Canção, realizado no Teatro Municipal de São Paulo, dirigido e produzido por ele, com a presença do poeta e parceiros; que primo, que amigos, que privilégio!


                                                                                             


Tempo Feliz.

P.S.: entre uns uisquinhos, Vinicius, falando de sua admiração pelo cantor e pela pessoa de Ciro Monteiro, contou que Baden havia composto oito músicas para esse LP – eram previstas dez – quando teve de voltar a Paris, onde morava, para uma série de concertos, e Ciro gentilmente completou as dez com duas músicas suas – Alô João  e Toma meu coração, oferecendo autoria a Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Assim era Ciro Monteiro, o Formigão, como era carinhosamente chamado, de quem Vinicius falou:

– Uma criatura de qualidades tão raras que eu acho improvável qualquer de seus amigos não se haver dito, num dia de humildade, que gostaria de ser Cyro Monteiro. Pois Cyro, pra lá do cantor e do homem excepcional, é um grande abraço em toda a humanidade.

Ciro Monteiro, por Miécio Caffé

P.S.: Num dos intervalos de Vinicius Poesia e Canção, não lembro porque, papeando com Ciro, mencionei algo ligado a algum político que aprontou alguma, e o Formigão saiu com essa:

– Pois é Edgard, o candidato é aquele cara que fala bonito, tudo aquilo que a gente quer ouvir; quem não cumpre é o eleito!

Sábias palavras.

Beija Flor. Música de Garoto. Letra de Edgard Poças

sexta-feira, junho 19th, 2015

Em 1987, após terminar  de compor algumas musicas para o primeiro LP da dupla Jairzinho e Simony – primeiro e único, a despeito do enorme sucesso de Coração de Papelão – fui ao escritório do  grupo editorial Arlequim para assinar o contrato de versão da musica Pirata, incluida no disco, cujos direitos autorais eram administrados por eles. No cafezinho contei  ao Waldemar Marchetti, o Corisco, diretor do grupo, que, alguns anos atrás, havia colocado musicas de Ary Barroso, Braguinha, Wilson Baptista e Hervé Cordovil no repertório da Turma do Balão Mágico, e ele sugeriu que eu olhasse o catálogo das obras do seu grupo editorial, quem sabe, poderia encontrar material para futuros projetos. Me interessei por uns pequenos albuns de composições do grande Garôto (Annibal Augusto Sardinha, 1915 – 1833) – que continham somente melodias, sem os acordes cifrados; ganhei a coleção e a promessa de que poderia letrar as melodias que eu quisesse.

Achei essa jóia de valsinha, Sapateando. Por um tempo trabalhei nesse tema, mas,  no final optei pelo beijaflor. Espero que o Garôto não se zangue.


Garoto foi genio. Faz parte da galeria dos maiorais da nossa musica. Pai do violão modernos, multiinstrumentista excepcional e compositor revolucionário.

Siga as as indicações abaixo e constate o quanto o garoto paulistano contribuiu com a MPB. A Bossa Nova que o  diga.

Antonio Carlos Jobim compos o belo choro Garoto em sua homenagem.

Excelente trabalho: “O Violão de Garôto” – A escrita e o estilo violonístico de Annibal Augusto Sardinha. Celso Tenório Delneri

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde-26102010-165400/pt-br.php

Como comprar partituras:

http://www.samba-choro.com.br/noticias/arquivo/2440

Ouça Garoto por um grande intérprete – Paulo Bellinati:

http://musicadaboa-boa.blogspot.com/2009/10/violao-brasileiro-garoto.html

Outro excelente trabalho sobre o Garoto, não deixe de ler:

http://sovacodecobra.uol.com.br/2009/02/carmen-miranda-e-garoto/

Um CD pra baixar:

http://www.mediafire.com/download.php?tijrqndot3y

Talvez, em algum sebo, ou pela  NET, ainda poder-se encontrar  algum exemplar  da ótima monografia “Garoto – Sinal dos Tempos”, de Irati Antonio e Regina Pereira. Editora Mec / Funarte. 1982

Contracapa do primeiro LP de Paulo Bellinati com a obra de Annibal Augusto Sardinha, o imortal Garoto.

Clique para ampliar

Garôto, pelo meu inesquecível amigo Miécio Caffé

Cinco Bastantes.

quarta-feira, maio 20th, 2015

 

Pixinguinha, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, com a capa do maravilhoso LP The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim de 1965, e Baden Powell. Tá de bom tamanho?

O Samba Carioca de Wilson Baptista • O album e o espetáculo do ano.

quinta-feira, agosto 18th, 2011

Se voce ainda não comprou esse disco duplo, lançado pela Biscoito Fino, com a musica do maior sambista do Brasil, considere-se ultrapassado pelo passado porque meu querido amigo Rodrigo Alzuguir botou a obra no presente. Vinte faixas com grandes intérpretes e a trilha sonora do espetáculo sobre a obra de Wilson Baptista. Produção impecável. Êta pessoalzinho competente sô!

Aliás o Rodrigo logo logo vai presentear a música brasileira com a biografia, ou melhor, a tese do major.

Ouvi os CDs e chorei várias vezes, parece que o Brasil não conhece e em alguns casos não merece o Brasil. Morei na rua Domingos Leme que cruza com Bueno Brandão, Escobar Ortiz, Braz Cardoso, Domingos Fernandes, Philadelpho Azevedo, Balthazar da Veiga, Bastos Pereira, Afonso Brás e outros homenageados que desconheço profundamente – será que eu tambem não mereço o Brasil? – me sentiria muito melhor na rua Wilson Baptista. Se bem que se eu fosse o chefe mandava logo uma Via Wilson Baptista. A Estrada da Vida.

Eu daria tudo para voltar aos meus quinze anos numa noite em 1961 – nos bastidores do programa Brasil 61 de Bibi Ferreira – quando estive com ele e pedir sua benção.

Vinicius de Moraes, um ano depois, no célebre Encontro, com Antonio Carlos Jobim, João Gilberto e os Cariocas no Au Bon Gourmet, lançou seu Samba da Benção e esqueceu do maioral.

Rodrigo redimiu ambos com O Samba Carioca de Wilson Baptista. O album e o espetáculo do ano.

A benção Wilson Baptista!

Querendo saber mais sobre o album do ano, entre no endereço abaixo. E depois faça um favor a si e prove esse biscoito fino.

http://osambacariocadewilsonbaptista.blogspot.com/

http://osambacariocadewilsonbaptista.blogspot.com/2011/09/ceu-edgard-diogo-e-luzia.html

 P.S#1: Danilo Miranda, tá aí uma boa dica – traz o espetáculo do seu conterrâneo Wilson – pra arrasar nos SESCs da paulicéia! Não tô charlando não!

P.S#2: Céu cantando Nega Luzia, do meu sambista favorito é demais pro coração do papi!

P.S#3: Rodrigo, acho justíssimo que o Carlos Monte tenha apresentado sua lista das grandes ausentes nos CDs e no espetáculo e aproveitando esse espaço para lançar a minha, quem sabe uma sugestão para o repertório do aguardado volume 2.

LISTA DO DEGAS:

Mariposa

Sistema nervoso

Esta noite eu tive um sonho

A mão do Alcides

Virou. . . virou. . .

Cowboy do amor  (que eu coloquei no primeiro LP da Turma do Balão Mágico – imagina o Wilson compondo para crianças!)

Comício em Mangueira

Nossa Senhora das Graças

Gênio mau

Lá vem o Ipanema

Volta pra casa, Emília

Flor da Lapa

Deus no céu e ela na terra

Rodrigo e eu por ocasião da gravação de Nega Luzia com participação da minha filha Céu no estúdio do meu filho Diogo.

Ao fundo à esquerda, Vassourinha, o grande intérprete dando uma força.

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