Archive for julho, 2023

CadaUmComSeuCadaUm

terça-feira, julho 4th, 2023
Parceria com Pichu Borrelli homenageando compositores brasileiros.

.

Intérpretes

QUERENDO COMPRAR O CD, ENTRE NESTE ENDEREÇO:
WANTING TO BUY THE CD, ENTER THIS ADDRESS:

https://www.popsdiscos.com.br/detalhe.asp?shw_ukey=47510

ENDEREÇOS DAS PLATAFORMAS DE STREAMING ONDE O CD ESTÁ DISPONIBILIZADO:
ADDRESSES OF THE STREAMING PLATFORMS WHERE THE CD IS AVAILABLE:

SPOTIFY: http://open.spotify.com/album/3TXVHloluwPnCCPyTFu3jB

ITUNEShttp://itunes.apple.com/us/album/id1481843244

DEEZER: http://www.deezer.com/album/113127612

NAPSTER: https://us.napster.com/artist/varios-artistas-2/album/cada-um-com-seu-cada-um

TIDALhttps://listen.tidal.com/album/119279124

[NYOUTUBEMUSIChttps://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_mWjznU0pH-GlFawrm8cLJHWPMZmopfNsA

Letras


Tuhú

terça-feira, julho 4th, 2023

Pichu Borrelli e Edgard Poças

dedicada Heitor Villa-Lobos.

Tuhú por Edgard Poças

Lá vem o trem
um menino imaginando no trem
um lugar igual a nunca se viu
descobrindo o Brasil
 
Lá vai o trem
desenhando 
um país vai o trem
todo verde, amarelo, azul 
leste oeste norte sul
 
Lá vem o trem
tem um índio de casaca no trem
estudar em Cascadura ele vem
vem sonhando uma nação
coração
 
Lá vai o trem
um menino imaginando no trem
um lugar igual nunca se viu
descobrindo o Brasil
 
Lá vem o trem
apitando como nunca se ouviu
é Tuhú rasgando o seu coração 
descobrindo o Brasil
 
Tuhúuu…

Tuhuzinho

Villa-Lobos, mocidade
Janota

Ai vem o trem !

Trenzinho do Caipira, com Leopold Stokowski de maquinista: – http://www.youtube.com/watch?v=hIM4FiS5Zck

Orquestra Sinfônica Brasileira tocando o Trenzinho do Caipira (Tocata da Bachiana Brasileira Nº 2) – Roberto Minczuk, Maestro. CLIQUEhttps://www.youtube.com/watch?v=wIG4h7lvj4Y

“Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que eu transponho instintivamente para tudo que escrevo”

“A minha obra musical é consequência da predestinação. Se ela é em grande quantidade, é fruto de uma terra extensa, generosa e quente”

Saudades das selvas brasileiras Nº2 – Nelson Freire (piano) – http://youtube.com/watch?v=pXMylnfWLsk

O que me interessa é a natureza do Brasil

Quando me lembro que Villa-Lobos é brasileiro, sinto vontade de dar vivas: Viva o Brasil! Viva Villa-Lobos! – Gilberto Freire

A lenda do caboclo – Com Yo Yo Ma (cello) e Duo Assad (violões) https://www.youtube.com/watch?v=vr0fuRThIDg

O Canto do Cisne Negro. Bela gravação de Cristina Ortiz (piano) e Antonio Menezes (Violoncelo): https://www.youtube.com/watch?v=9HfhsJyU0Tw

Bachianas Brasileiras No. 5 – Ária (Cantilena), com a soprano argelina Amel Brahim – http://www.youtube.com/watchv=NxzP1XPCGJE&list=RDNxzP1XPCGJE&index=1

Preludio da Bachiana Nº4. Nelson Freire (piano) – http://www.youtube.com/watch?v=A1Emge2-4AM

Bachiana Nº 4 – Orquestra Simón Bolivar, regida por Roberto Tibiriça. http://www.youtube.com/watch?v=5mf3SQ3dVz8

Comentário para o documentário O tempo e a Música – Edgard Poças: http://cadaumcomseucadau.hospedagemdesites.ws/wp content/uploads/2019/09.mp

Choros Nº 10, com a BBC Symphony Orchestra. Final emocionante! https://www.youtube.com/watch?v=pXR7C1p1Sbk

“A música, eu a considero, em princípio, como um indispensável alimento da alma humana”

Alma Brasileira, Valsa da dor e Lenda do Caboclo, com Nelson Freire. http://www.youtube.com/watch?v=3yaltoJdSYo

“O Brasil é uma floresta encantada onde a Europa jogou o tapete persa velho, mofado, cheio de poeira, cheio de ácaro”. 

Com Audrey Hepburn, Mel Ferrer e Tony Perkins.

Em meados da década de 1950, Villa-Lobos foi convidado a compor a trilha do filme Green Mansions, do diretor americano Mel Ferrer, estrelado por sua esposa, Audrey Hepburn e o galã Tony Perkins. O filme, um absurdo sem pé nem cabeça passou desapercebido. A trilha original de Villa-Lobos foi “adaptada” pelo compositor (polonês!) Bronislaw Kaper A canção interpretada por Tony Perkins ao violão é uma canção mais adequada para filme de faroeste. Clique no endereço abaixo para assistir o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=FkTar7VJ4xg

Villa-Lobos não gostou nenhum pouco das mudanças na sua partitura, e reaproveitou as ideias musicais compondo a cantata “A Floresta do Amazonas.” Uma das canções da cantata, a Melodia Sentimental, foi um sucesso, ultrapassou os limites das salas de concerto, e entrou no repertório da música popular. Villa-Lobos promovia essa síntese entre os universos erudito e popular. Suas peças para violão são um bom exemplo. Desde a gravação de Elizeth Cardoso, nos anos 1960, a Melodia Sentimental vem ganhando lugar no repertório de muitos cantores.

A canção interpretada por Tony Perkins ao violão é uma canção mais adequada para filme de faroeste – https://www.youtube.com/watch?v=FkTar7VJ4xg

Melodia sentimental (1ª gravação) – Bidú Saião – https://www.youtube.com/watch?v=9vyh4QCVOiQ

Acorda, vem ver a lua/ Que dorme na noite escura/ Que fulge tão bela e branca Derramando doçura/ Clara chama silente/ Ardendo meu sonhar/ As asas da noite que surgem/ E correm no espaço profundo/ Oh, doce amada, desperta/ Vem dar teu calor ao luar/ Quisera saber-te minha / Na hora serena e calma/ A sombra confia ao vento/ O limite da espera/ Quando dentro da noite/ Reclama o teu amor/ Acorda, vem olhar a lua/ Que brilha na noite escura/ Querida, és linda e meiga/ Sentir teu amor e sonhar.

Melodia Sentimental – Ney Matogrosso – http://www.youtube.com/watch?v=LAEI3W2qKAw&list=RDLAEI3W2qKAw&start_radio=1

OBS: Em MELODIA SENTIMENTAL no ALMANAQUE QUALQUER NOTA, você ouve diversas versões com diversos intérpretes.

Modinha – Villa-Lobos e Manuel Bandeira (Manduca Piá) – Tom Jobim e Danilo Caymmi https://www.youtube.com/watch?v=MnOfq5vIpOU

Modinha – Villa-Lobos e Manuel Bandeira – Carlos José e Época de Ouro https://www.youtube.com/watch?v=e65RW0aZiOM

Modinha – Villa-Lobos e Manuel Bandeira – Roberta Sá e Yamandú Costa https://www.youtube.com/watch?v=gY4euMsqbvg

OBS: Se quiser ir mais fundo na obra do mestre, procure na NET por:
Bachianas Nº2 (inteira), Choros, nº6, 11, Uirapurú, Prole do bebê e Quartetos.

Villa-Lobos realiza o milagre das coisas verdadeiramente grandes, nos impondo-nos o mais profundo e comovido silêncio. Sua música é como essa terrível natureza do Brasil, sem bonitezas, simplesmente grande.” – Di Cavalcanti

Declaração imperdível

Ele era garoto. Ia sempre à minha casa na Rua Itapiru, número 97. Tocava violão muito bem, como sempre tocou. Às vezes, acompanhava meu pai. Mais tarde é que toquei uns chorinhos para ele. Sempre gostou de música. Tocava violoncello no Cinema Odeon e fazia umas pausas complicadas. Mas todo mundo achava Villa-Lobos meio esquisito, sabe? Não davam muito valor a ele. Villa-Lobos foi um sujeito que chegou antes a uma realidade que todos nós sabemos. Eu conheci Villa-Lobos muito antes de 1922. Como eu já disse, ele ia na minha casa porque admirava os chorões. Às vezes até fazia acompanhamento no violão. Era bom no violão – Pixinguinha

Tocando violão

Suíte Popular Brasileira, para violão (Completa) com Pablo di Giusto, http://www.youtube.com/watch?v=Z2_LDC-WQQ0.

Scottish Choro (da Suíte Popular Brasileira) – Com Yamandu Costa & Guto Wirtty! + Q D + http://www.youtube.com/watch?v=pWI4IarGdN4

IMPRESSIONANTE: entre no Youtube, procure por Prelúdio(s), ou Estudos de Villa-Lobos para violão. A quantidade de obras interpretadas por violonistas do mundo inteiro é surpreendente! Imagine se o mestre ouvisse o que segue: • • • * • Estudo Nº1 – Xingye Li – https://www.youtube.com/watch?v=XyNb_2y51SEEstudo Nº2 – Xingye Li – https://www.youtube.com/watch?v=fEHjD4CyAU8

Estudo Nº2 – Lying Zhu – https://www.youtube.com/watch?v=lKvJaqUQNkU

5 Prelúdios para violão – Marcin Dilla – https://www.youtube.com/watch?v=2x0cxSoTYBU

• Leonora Spangerberger, com treze anos de idade, tocando os “12 Estudos para Violão”! em sequencia: https://www.youtube.com/watchv=2QXylgwZxZc&list=PLjDvM94tG5OVgOYEU1Qs8hkRSSO_gxx8u&index=2

• Menina de nove anos tocando o Estudo nº2 para violão! – www.youtube.com/watch?v=D2elvLo3yU8

• Irene Gomez, dá dicas para quem quiser tocar o Prelúdio Nº1https://www.youtube.com/watch?v=dBKMB5u2s2U

• Isso é BRASIL!: 2º Movimento do Concerto para Violão e Orquestra. www.youtube.com/watch?v=DDn6_tVvNdg

Sugestão de CD: Villa-Lobos • Oeuvre pour Guitare, por Fabio Zanon

ATENÇÃO VIOLONISTAS! Vale muito a pena ouvir os Cinco Prelúdios para Violão, transcritos para piano, por José Vieira Brandão – aluno de Villa-Lobos
interpretados por Sonia Rubinsky:
https://www.youtube.com/watch?v=DRzHetnhsBY

Villa, pelo grande Nássara

“O Brasil precisa de educação, de uma educação que não seja de pássaros empalhados em museus, mas de vôos amplos no céu da arte.”

“É preciso não esquecer a enorme responsabilidade dos educadores que vão ministrar às crianças os primeiros conhecimentos de arte, incumbindo-se, verdadeiramente, da sua educação musical. Como também nunca será demasiado insistir na finalidade pragmática do canto orfeônico.”

“A música, eu a considero, em princípio, como um indispensável alimento da alma humana. Por conseguinte, um elemento e fator imprescindível à educação do caráter da juventude.” – Villa-Lobos. •

“Que lindos olhos” harmonizada por Villa-Lobos. Coleção Funarte.
O Castelo. Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Coleção Funarte.
O cravo brigou com a rosa. Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Coleção Funarte.
Sapo jururu. Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Coleção Funarte.

” O canto coletivo, com o seu poder de socialização, predispõe o indivíduo a perder no momento necessário a noção egoísta da individualidade excessiva, integrando-o na comunidade, valorizando no seu espírito a ideia da necessidade de renúncia e da disciplina ante os imperativos da coletividade social, favorecendo, em suma, essa noção de solidariedade humana, que requer da criatura uma participação anônima na construção das grandes nacionalidades.”

Cai cai balão – Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Arranjo de Edgard Poças para o CD: Villa -Lobos e Carlos Gomes para crianças: www.youtube.com/watch?v=RJT45D2hewc

Carneirinho, Carneirão – Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Arranjo de Edgard Poças para o CD Villa- Lobos e Carlos Gomes para crianças: https://www.youtube.com/watch?v=lOkyP4P8aKw

O cravo brigou com a rosa. – Canção folclórica, harmonizada por Villa-Lobos. Arranjo de Edgard Poças para o CD Villa-Lobos e Carlos Gomes para crianças: http://www.youtube.com/watch?v=H2IZk52hxRk

Guia Prático, volume 1 – Roberto Szidon (piano). A caixinha de ferramentas do mestre! Não deixe de ouvir! https://www.youtube.com/watch?v=z0zPkyGdR0

Guia Prático, volume 2 – Roberto Szidon (piano). Ou será sua casa de brinquedos? https://www.youtube.com/watch?v=F_pUgsytkR

“O folclore sou eu” – Heitor Villa-Lobos.

My bus and I, do musical Magdalena. -Olha o Índio de casaca na Broadway, minha gente! www.youtube.com/watch?v=MS8DmMfXaDo “Nossa gente tem grande, poderoso, senso criador. Não é razoável, pois que nossos artistas não façam por conseguir, no cenário musical do mundo, o lugar que lhes compete ocupar.”

Ary Barroso e Villa-Lobos. Meu Brasil brasileiro!
Por Mendez
Heitorzinho da cuíca

” Que espécie de civilização é essa, a atual? Se a televisão está quebrada, o avindo em pane, o homem está desamparado. Vivemos a época da máquina!” – Villa-Lobos – Imagino se ele visse o computador e o celular!

Villa sobre a ONU: ” Se ouvissem mais música, haveria menos guerras”.

Villa-Lobos posando para fotografias a serem publicadas em livro, no qual só apareceriam sua mãos, demonstrando o manosolfa – sistema de notas musicais em gestos, aplicado em treinamento com professores para educação musical escolar e canto orfeônico.

“Gosto da liberdade em todos os sentidos, gosto de estudar e pesquisar, de trabalhar e compor sistematicamente”.

“Os meus amigos e admiradores, por serem bons e sem maldades, costumam perdoar os meus erros e defeitos”.

“Assim como não gosto de pensar no futuro, não me sinto bem olhando o passado. Eu sou como o viajante que, ao atravessar um rio num cipó, não pode olhar para trás nem para a frente, a fim de não perder o equilíbrio”.

“ Incompreendido, humilhado, desrespeitado pela sua terra, Villa-Lobos, pela sua força criadora ímpar, deveria ter sido venerado, amado, respeitado pelos seus compatriotas. Infelizmente isso não aconteceu. Teve que lutar contra a indiferença, passando dificuldades e privações para garantir sua subsistência”. –  Camargo Guarnieri.

“Poucas são as pessoas que, no Brasil, têm ideia exata do que seja o renome do Maestro H. Villa-Lobos no estrangeiro. Nunca um brasileiro conheceu a glória de modo tão puro como esse nosso compatriota genial: nem mesmo Santos Dumont nos seus grandes dias em Paris. Nem mesmo Santos Dumont nos dias em que foi o homem mais festejado, mais caricaturado, mais fotografado na capital da França” –  Gilberto Freyre.

“ (…) Que Villa-Lobos tenha enfim no Brasil uma consagração digna dele, é o que desejo. Nós ainda não presenciamos com clareza o que ele representa para o Brasil. Por mais que as transcrições de artigos sobre ele, publicados no estrangeiro, provem a importância dele, essas transcrições não bastam para mostrar a formidável propaganda que Villa-Lobos fez lá fora. Ele não fixa cartazes nas paredes do mundo, mostrando que o café é gostoso, enquanto a Colômbia planta mais café valorizado pela nossa estupidez. Mas em compensação ele tornou o Brasil uma coisa humana de permanência viva na consciência de milhares de estrangeiros” – Mário de Andrade.

Cidadão do mundo igual a Tom Jobim, tanto poderíamos vê-lo subindo o morro da Mangueira em companhia do educador AnísioTeixeira e surpreendê-lo abraçado a Cartola, como flagrá-lo num jantar que lhe foi oferecido por celebridades em New York num bate-papo animado com Duke Ellington.

Explosivo, carinhoso, bem-humorado, jogador fanfarrão de sinuca que tirou grana do próprio bolso para financiar o bloco carnavalesco “Sodade do Cordão”, que, segundo Renato de Almeida, tentava reviver os antigos grupos de velhos, onde palhaços, morcegos e rainhas misturavam-se – a instrumentália percursiva de adufos, reco-recos. – Hermínio Bello de Carvalho.

Puxeta!

“A arte existe para exprimir e satisfazer a humanidade. O verdadeiro ideal do artista é servir a massa do povo, dar-lhe alguma coisa que, graças aos seus sons naturais, só ele pode dar”

Massé!
Preparando as roupas e adereço, balanço financeiro e assistindo o desfile do bloco “Sodade do Cordão”.

Sodade do cordão – Ermelinda A. Paz (Prêmio Carioca de Monografia 1994): http://ermelinda-a-paz.mus.br/Livros/sodade.pdf

“A música é a única expressão da Arte que reúne os requisitos de força dominadora compreensível a todas as raças, e por isso mesmo capaz de uma conciliação racional entre os povos.”

Perguntaram-lhe certa feita se era futurista. Respondeu: – Não . Nem futurista nem passadista.
E acrescentou:- Eu sou eu!

Com os componentes da banda dos fuzileiros navais

Semana de 22

Villa soltando pipa na França.

Villa-Lobos, ao ser indagado pelos artistas parisiense com quem iria estudar,  respondeu logo que chegou: – “Não vim para estudar com vocês, vim para lhes mostrar o que tenho feito”.

“Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que venha cheio de Paris. Entretanto Villa-Lobos chegou de lá cheio de Villa-Lobos. – Manuel Bandeira

“Logo que sinto a influência de alguém me sacado todo e pulo fora”.

Rascunho de uma biografia
Bilhete para Mindinha

Esse, o Villa amigo de Cartola e de Donga, esse o educador preocupado com a “educação social pela música”, esse, o índio de casaca, como chamou Menotti del Picchia, esse o amante atento que autografava bilhete em fotos que, de madrugada, deixava no colo de Mindinha, guardiã de seus trabalhos que entravam noite a dentro. – Hermínio Bello de Carvalho

1ª página da partitura original

“Num país de tendências liberais e democráticas como o Brasil, todas as correntes técnicas e estéticas aparecem, apesar das naturais reações do público conservador, como acontece nas nações civilizadas.”

EXCELENTE documentário “O Índio de Casaca”, produzido em 1987, com direção de Roberto Feith e apresentado pelo ator Paulo José. Entre as imagens raras do compositor e de sua época, há depoimentos de personagens como Guerra Peixe, Tom Jobim, Andrés Segovia, Ana Stella Schic, Walter Burle Marx, Turíbio Santos, Vasco Mariz, Maria Augusta Machado e outros. http://bossa-brasileira.blogspot.com/2013/08/o-indio-de-casaca-villa-lobos-no-cinema.html

Tom Jobim: As Nascentes – IMPERDÍVEL! (aos dez minutos, ele fala de Villa-Lobos: https://www.youtube.com/watch?v=54VNMBOTtvk

Loque Arcanjo, doutor em história, violonista e professor de música da Universidade do Estado de Minas Gerais, autor do livro, “Heitor Villa-Lobos – os sons de uma nação imaginada”, apresentando uma perspectiva histórica sobre a vida de um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos”. https://www.youtube.com/watch?v=EVNoKLXQh-8

Villa-Lobos: vida, obra e agrupamentos estilísticos: www.youtube.com/watch?v=UnAcPJmmcS0

Referências Bibliográficas:

PEPPERCORN, Lisa. Villa-Lobos. Biografia ilustrada do mais importante compositor brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações. 1989.

BARROS, C. Paula. O Romance de Villa-Lobos. Rio de Janeiro: Editora A Noite. 1949.

MARIZ, Vasco.  Heitor Villa-Lobos. Compositor Brasileiro. Rio de Janeiro – Zahar Editores. 1983.

JUNIOR, LoqueAraújo – “O violão de Villa-Lobos entre a Belle Époque e as rodas de choro”: https://www.academia.edu/9747995/O

DA CRUZ, Maria Alice – Villa-Lobos, Para além do nacionalismo : https://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/dezembro2009/ju451_pag12.php

SCHIC, Anna Stella. Villa-Lobos – O Índio Branco.Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.1989.

KIEFER, Bruno. Villa-Lobos e o Modernismo na Música Brasileira. Porto Alegre: Editora Movimento.1981.

CLARET, Martin. O Pensamento Vivo de Heitor Villa-Lobos. São Paulo: Martin Claret Editores. 1987. 

HORTA, Luiz Paulo. Villa-Lobos. Uma Introdução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores. 1987.

MACHADO, Maria Célia. Heitor Villa-Lobos. Tradição e Renovação na Música Brasileira. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

NEGWER, Manuel. Villa-Lobos. O florescimento da música brasileira. São Paulo: Martins Fontes Editora. 2009.

GUIMARÃES, Luiz e Colaboradores. Villa-Lobos – Visto da Plateia e na Intimidade. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Arte Moderna. 1972.

CARVALHO, Hermínio Bello de. O Canto do Pajé –  Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro:  Espaço e Tempo. 1988.

PALMA, Enos da Costa. CHAVES JUNIOR, Edgard de Brito. As Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos. Rio de Janeiro: Companhia Editora Americana. 1971.

HORTA, Luís Paulo. Edição de Centenário Villa-Lobos. Projeto da Companhia Brasileira de Projetos e Obras. São Paulo: Edições Alumbramento – Livroarte Editora. 1986.

ANDRADE, Mário de Andrade. Música, Doce Música. São Paulo: Livraria Martins Editora. 1963. 

ANDRADE, Mário de Andrade. Pequena História da Música. São Paulo. Livraria Martins Editora. 1967.

VILLA-LOBOS, Heitor. Guia Prático. Estudo Folclórico Musical. Primeiro Volume. São Paulo e Rio de Janeiro: Irmãos Vitale.1941.

VILLA-LOBOS, Heitor. Canto Orfeônico. Primeiro Volume. São Paulo e Rio de Janeiro: Irmãos Vitale. 1940.

VILLA-LOBOS, Heitor. Canto Orfeônico. Segundo Volume. São Paulo e Rio de Janeiro: Irmãos Vitale. 1951.

MARIZ, Vasco.Vida Musical. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1997.

Museu Villa-Lobos.Presença de Villa-Lobos– 8. Volume MEC- DAC – Rio de Janeiro. 1973.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 1. 1901-1957. São Paulo: Editora 34. 1997.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 2. 1958-1985. São Paulo: Editora 34. 1998.

MARIZ, VASCO .A Canção Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1985.

PASSOS, Claribalte. Vultos e Temas da Música Brasileira. Rio de Janeiro: Paralelo. 1972.

ANDRADE, Mario de. Aspectos da Música Brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora. 1965.

MARTINS, J.B.Antropologia da Música Brasileira. São Paulo: Editora Obelisco. 1978.

MEDAGLIA, Júlio. Música Impopular. São Paulo: Global. 1988.

ACIOLY, Karen. Tuhú, o menino Villa-Lobos. Rio de Janeiro: Editora Ltda. 2007.

SQUEFF, Enio. WISNIK, José Miguel. O nacional e o popular na cultura brasileira. São Paulo: Brasiliense. 1982.  

BARBOSA, Valdinha. DEVOS, Anne Marie. Radames Gnattali. O Eterno Experimentador. Rio de Janeiro: Funarte. 1985.

MUSEU VILLA-LOBOS: http://museuvillalobos.org.br/index.htm

“Toda minha filosofia se centraliza na música porque a música é a única razão, único motivo para a minha existência. Eu somente sou útil, de alguma forma, através da música. Componho por imperativo biológico”.

“Devemos procurar educar os nossos artistas e compositores de modo a que acabem apreciando devidamente o seu dever de servidores da humanidade. ”

Prelúdio. “Modinha” da Bachiana Nº1. : http://www.youtube.com/watch?v=reS-hLZiQDQ

Pra frente, ó música! Que algum dia tu sejas a maior inspirara da Paz entre os homens”.

“Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado ao fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então se percebia que era música, sempre fora música.
Assim é que eu vejo Heitor Villa-Lobos na minha saudade que está apenas começando, ao saber de sua morte, mas que não altera a visão antiga e constante. Quem o viu um dia comandando o coro de quarenta mil vozes adolescentes, no estádio do Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo, tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora que seria possível conceber. A multidão em torno vivia uma emoção brasileira e cósmica, estávamos tão unidos uns aos outros, tão participantes e ao mesmo tempo tão individualizados e ricos de nós mesmos, na plenitude de nossa capacidade sensorial, era tão belo e esmagador, que para muitos não havia outro jeito senão chorar, chorar de pura alegria. Através da cortina de lágrimas, desenhava-se a nevoenta figura do maestro, que captara a essência musical de nosso povo, índios, negros, trabalhadores, caboclos, seresteiros de arrabalde; que lhe juntara ecos e rumores de rios, encostas, grutas, lavouras, jogos infantis, assovios e risadas de capetas folclóricos”.
– Carlos Drummond de Andrade

E agora, José? Poema de Carlos Drummond de Andrade, musicado por Villa-Lobos. https://www.youtube.com/watch?v=9UyFSWmwkSo

Valsa da dor. http://www.youtube.com/watch?v=OmdBwHB2xbY

12.11.1959 – Jorge Peter – SC – Heitor Villa Lobos – Teatro Municipal, Rio de Janeiro. 12.11.1959 – Jorge Peter – Municipal Theater, Rio de Janeiro.

“Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta.”

Melodia Sentimental. Heitor Villa-Lobos.

terça-feira, julho 4th, 2023

Em meados da década de 1950, nosso grande Villa-Lobos foi convidado a compor a trilha do filme Green Mansions, do diretor americano Mel Ferrer, estrelado por sua esposa, Audrey Hepburn e o galã Tony Perkins. O filme, um absurdo total, passou desapercebido. A trilha original de Villa-Lobos foi “adaptada” pelo compositor polonês Bronislaw Kaper. E, a canção, interpretada por Tony Perkins ao violão, é música para filme de cowboy. Assista o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=FkTar7VJ4xg Villa não gostou nenhum pouco das mudanças na sua partitura e reaproveitou as ideias musicais compondo a cantata A Floresta do Amazonas. Uma das canções da cantata, a Melodia Sentimental, foi um sucesso, e ultrapassando os limites das salas de concerto, entrou para o repertório da música popular. Villa-Lobos promoveu, constantemente, a síntese entre os universos erudito e popular. Suas peças para violão são exemplares. Desde a gravação de Elizeth Cardoso, nos anos 1960, a Melodia Sentimental vem ganhando lugar no repertório de diversos cantores.

Aqui estão algumas gravações:

Melodia sentimental – Mônica Salmaso. http://www.youtube.com/watch?v=9Ezy5iu67nk

Melodia sentimental – Maria Bethania. https://www.youtube.com/watch?v=cW1rB7qW5Sk

Melodia sentimental – Sumi Jo. http://www.youtube.com/watch?v=6RuscTYsWR8&list=RDiygEr7YpNMg&index=2

Melodia sentimental – Betty Garcés https://www.youtube.com/watch?v=R_7gMYgSguM

Melodia sentimental – João Bosco. http://www.youtube.com/watch?v=SEDKUa4WSL0

Melodia Sentimental – Renée Fleming. https://www.youtube.com/watch?v=VBbywOhK3Hw

Melodia Sentimental – Roberta Mameli Olaf Laneri,https://www.youtube.com/watch?v=fseLT7hbncIlive in Modena 2016

Melodia Sentimental – Nadine Sierra. http://www.youtube.com/watch?v=7RyYu_nIi88

Melodia Sentimental – Djavan http://www.youtube.com/watch?v=d9BJ9FV3PuU

Melodia Sentimental – Elisete Cardoso. https://www.youtube.com/watch?v=m-FIBRopDWo

Melodia Sentimental – Zizi Possi. http://www.youtube.com/watch?v=LpKS388-gNo

Melodia sentimental – Cristina Braga. Fica linda com harpa! http://www.youtube.com/watch?v=NJPej5fZw0M

Melodia sentimental – Carmen Monarcha. http://www.youtube.com/watch?v=IsOurMmLz34

Melodia sentimental – Celine Rudolph. http://www.youtube.com/watch?v=Ew9EUVZLaGQ

Melodia sentimental – Antonio Nóbrega. https://www.youtube.com/watch?v=aZvKciqbpew

Melodia Sentimental – Sandy e Marcelo Bratke. http://www.youtube.com/watch?v=Lj9KvIWps_M

Dona Mindinha de Villa-Lobos.

terça-feira, julho 4th, 2023

Em 1974, fui ao Rio de Janeiro, de trem noturno – apelidado por Vinicius de Moraes de”avião dos covardes” – para conhecer o Museu Villa-Lobos. Dormi quase nada pensando na possibilidade de, quem sabe, arrumar um estágio na Universidade Musical de Cascadura. 

Infelizmente não havia vaga nenhuma ,mas, houve um delicioso papo com dona Arminda, mulher do Indio de casaca, que comandava o museu, à quem ele dedicou as Nove Bachianas Brasileiras, os Cinco Prelúdios Para Violão, e um bocado de outras mais. 

Seguem os três melhores momentos.

• Dona Mindinha contou que numa ocasião, em Nova York, seu marido a levou para conhecer ouvir um grande compositor se apresentar ao piano – não disse quem nem onde. O lugar, segundo ela, bem mixuruca, o artista estava numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók! 

• Perguntei se ela conhecia Antonio Carlos Jobim e da admiração do Tom pela obra de Villa-Lobos.  

– Sim, claro que conheço, ele compõe melodias lindas, e ama a obra do Villa. Lá, pelos anos 50, ele esteve em nossa casa. Lembro bem dele brincando ao se despedir: – Maestro, quer vender pra mim a ária da Bachiana Nº5? O Villa ri; ele gostava do Tom e até havia avisado ao Santoro (Claudio) não se arriscar na música popular, porque com o Antônio Carlos Jobim na parada a coisa complicava pra ele!  Tom estava começando sua carreira de compositor, que o consagrou no mundo inteiro. O Brasileiro se tornou Planetário.

• Após um cafezinho, dona Mindinha foi atender alguém, disse que voltava logo e que eu a esperasse. Fiquei sapeando pela sala alguns pertences do maestro; batuta, piteira, borrachas, óculos vários lápis, entre eles, um com prolongador e que não parava de olhar pra mim. Dona Mindinha voltou a tempo de frustrar e rir da minha investida no patrimônio nacional e ouvir minha pretensão.                                                                                                           

– Dona Mindinha, desde pequeno, eu sei que é feio roubar;  acontece que esse lápis encantado eu escrevo minha sinfonia!

Voltei com um bocado de partituras, entre elas, a Melodia Sentimental, que vinte e dois anos depois, sugeri à Zizi Possi que a incluir no repertório do CD Mais Simples, e livro  Solfejos que aí está, autografado por Mindinha Villa-Lobos 

Autógrafo de dona Mindinha de Villa-Lobos

Milk Shake de rítmos, pelo Maestro Vira-Bollos

terça-feira, julho 4th, 2023

Na música, até o silêncio tem ritmo. é o chefão do movimento!

Então, eu te pergunto:

– Pedra tem RITMO? Eu acho que não …  está petri-ficado … c’est finit!

O RITMO gosta de ação Ele é o maestro na Sinfonia do Infinito!

Em homenagem ao ritmo eu compus – que palavra! – este Milk Shake de ritmos para você solfejar ad libitum, ou seja, à vontade – no seu ritmo.

Coloque na pauta, uma porção de rap com um toque de rock cem gramas de forró e samba à vontade carimbó também três xícaras de rumba, duas de vaneirão umas de baião desfiado, outras de frevo rasgado, um fado afiado uma pitada de merengue um maço de chorinhos um passo de bolero um lero de baquetas no aro, uma colher de salsa diversas folhas de valsa e meia marcha lenta sem pausas refogada num breque de break acelerado seguido duma balada derretida numa bela tarantela… aí carregue no reggae rodelas de axé sem espinhas e tempere com pito compassos de techno picado com funk ralado polvilhe e deixe num molho hip-hop por  breve fermata e bata nos ouvidos até ficar macio – o som, é claro – ajuste o gogó a seu gosto e sirva -se

Beba, moderadamente à vontade!

E, trate de balançar pra não ficar com cara de sofá!

H. Vira-Bollos.

 •

Choro da Cachoeira.

terça-feira, julho 4th, 2023

Pichu Borrelli e Edgard Poças

dedicado a Antonio Carlos Jobim (1927-1994)

Cachoeira chora, chora  
não descansa de chorar
cachoeira, acho eu
esse choro é saudade do mar

Cachoeira chora, chora  
não descansa de chorar
cachoeira, acho eu
esse choro é saudade do mar

E o mar está tão longe
nem sequer te vê
mas eu juro, nesse choro
que ele chora por você
 
Carinhoso, Gracioso, Chorinho faceiro,   
Murmurando, Ingênuo, Lamento, Brasileiro
 
Cachoeira, chora agora, um chorinho de alegria 
natureza, água viva, dia noite, noite e dia
cachoeira serra abaixo  
riacho, rio, mar

A criação é um ato de amor, alguma coisa que se comunica a toda humanidade. Um artista não pode fazer nada que contribua para piorar o mundo. Acho que tenho deveres para com as pessoas com quem convivo”. Antônio Carlos Jobim

ANTES DE MAIS NADA

o belíssimo site do nosso maestro soberano : http://www.jobim.org/

BIOGRAFIA INDICADA: CABRAL, Sérgio. Antonio Carlos Jobim. Uma Biografia. Rio de Janeiro: Lumiar Editora: 1997.

SUPER INDICADO: Tons sobre Tom. Tárik de Souza, Márcia Sesimbra, Tessy Calado. Rio de Janeiro: Revan: 1995. Tem um artigo brilhante: O Arquiteto da Utopia, de Tárik de Souza.

Clique para ouvir Coletânea (1 hora e vinte e seis minutos de composições de Tom Jobim): https://www.youtube.com/watch?v=A5L1CDe6QfA

Tom Jobim Perfil 1: https://www.youtube.com/watch?v=tW6Mt2f8iDc

Tom Jobim Perfil 2: https://www.youtube.com/watch?v=SA4IttEl49E

Falando de amor– Tom Jobim – O choro canção do Tom, motivo do nosso Choro da cachoeira: https://www.youtube.com/watch?v=Or7mKb_xmdw.

Falando de Amor – papo e ensaio do choro com Tom Jobim e Chico Buarque ): https://www.youtube.com/watch?v=3mIvdzqrpXU

WAVE (Álbum inteiro – Lançamento de Triste e Wave): https://www.youtube.com/watch?v=ux6icj_qRMc

STONE FLOWER: (Álbum inteiro – Lançamento de Chovendo na roseira e uma belíssima Aquarela do Brasil, Amparo, melodia que virou Olha Maria): https://www.youtube.com/watch?v=_lfHX8NBmXk

PASSARIM: (Álbum inteiro):https:// www.youtube.com/watch?v=MZySW6I0G6o

Tom gostava de bichos, de plantas. Ele prestava atenção numa formiga passando. Imitava o barulho do macaco. Ele falava de pássaros, assobiava. Era um brasileiro. João Gilberto

TOM JOBIM AND FRIENDS – 1996 Álbum inteiro:
https://www.youtube.com/watch?v=WxJ-xRzKWJM00:00 Inútil Paisagem; Triste; Esperança Perdida – Herbie Hancock 08:29 Ela É Carioca – Herbie Hancock 14:52 The Boy From Ipanema (versao: N. Gimbel) – Shirley Horn 17:36 Once I Loved (O Amor Em Paz – versao: R. Gilbert) – Shirley Horn 23:05 O Grande Amor – Gonzalo Rubalcaba & Joe Henderson 32:32 No More Blues (Chega De Saudade – versão: J.Cavanaugh) – Herbie Hancock & Joe Henderson 37:58 Água De Beber – Gonzalo Rubalcaba 43:55 A Felicidade – Tom & Gal 48:54 Se Todos Fossem Iguais A Você – Tom & Gal 54:00 Luíza – Tom 57:29 Wave (Vou Te Contar) – Tom 01:01:54 Caminhos Cruzados (Newton Mendonça) – Tom & Gal 01:06:25 Finale: The Girl From Ipanema – todos

Nascimento da maior parceria da música popular brasileira:

No início, havia uma certa timidez. As primeiras músicas ficaram uma porcarias. Fizemos três sambas horríveis, num desajuste total. Mas Vinicius, pacientemente, queria que fôssemos trabalhando até sair uma coisa direita – Tom Jobim.

A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor/ Brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor.

João Gilberto – Chega de saudade – Álbum Inteiro – receita de Bossa Nova : https://www.youtube.com/watch?v=EQC4Ye7hr9Y

Chega de saudade, a realidade é…

Lembro de Tom na gravação de Chega de Saudade. Ele estava ali, na cabine, e eu no estúdio. Tom estava olhando, tinha os olhos emocionados, entusiasmados. João Gilberto

A canção que me causou maior impacto de todas as canções que eu já ouvi na minha vida foi uma do Tom, Chega de saudade. Foi um marco em minha vida, em todos os sentidos – Caetano Veloso

Me lembro do dia exato em que ouvi o Chega de saudade.  Lembro exatamente onde eu estava e tudo. E lembro da impressão que tive quando ouvi essa música. Foi muito forte mesmo. Muita coisa mudou na minha cabeça – Edu Lobo  

A grande música que me bateu foi quando papai chegou da Odeon com o 78 Chega de Saudade – Danilo Caymmi 

Lembro nitidamente da canção que me fez acordar para a música. Paulo César Pinheiro

Roberto Carlos e Caetano Veloso – Chega de saudade (vídeo): https://www.youtube.com/watch?v=dFm7RfpZp5g

Uma pessoa que fez Chega de saudade não precisa nunca mais me dar mais nada. E na verdade nós nunca daremos o bastante a ele. Nunca teremos dado o bastante – Caetano Veloso

Gal Costa – Chega de saudade (Vídeo): https://www.youtube.com/watch?v=7ErQv8vwStk

Essa é demais!: https://www.youtube.com/watch?v=vUx1tXJvsd0

No peito dos desafinado também bate um coração: https://www.youtube.com/watch?v=n81JA6xSbcss

… and a window looking on the mountains and the sea, how lovely…: https://www.youtube.com/watch?v=0BPRYiZOlig

O trabalho que fiz com Tom Jobim foi um dos que mais me deram satisfação pessoal e profissional em minha carreira. Ele era um gênio e fazia qualquer um que trabalhava com ele sentir-se bem – Frank Sinatra

TOM e ELIS: ÁGUAS DE MARÇO (vale a pena assistir e ler os comentários no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=E1tOV7y94DY

RASCUNHO de um CLÁSSICO

TOM e ELIS – ÁGUAS DE MARÇO (no Fantástico da Rede Globo de Televisão): https://mobile.mis.rj.gov.br/perolas/aguasdemarco/

… é o mistério profundo, é o queira ou não queira…

Sei que ainda vou voltar, para o meu lugar… https://www.youtube.com/watch?v=84J0UXxxBXQ

Na fotografia, estamos felizes https://www.youtube.com/watch?v=dE3LeirvWIo

“Quando conheci o Tom, ele já era para mim uma figura mitológica. Eu já conhecia as músicas dele, antes da Bossa Nova”. Chico Buarque 

Meu coração, não sei porque… – https://www.youtube.com/watch?v=fkpwly5OG1o

Matita Perê e Yauaretê – https://www.youtube.com/watch?v=oJ3gLQFarig

Esquadrão brasileiro

Se fizer bom tempo amanhã eu vou… https://www.youtube.com/watch?v=fWdEiHA5yps

Dois gênios

Dois gênios – Tom e Radamés! https://www.youtube.com/watch?v=4qt1LMgE_YQ

Radamés y Pelé: https://www.youtube.com/watch?v=sOaW6zt7Pc8

“… quando você cria uma coisa, você cria uma capacidade…” Que saudade!

Matias cujo o nome é Pedro, aliás Horácio, vulgo Simão/ Lá um, chamado Tião, chamado João. https://www.letras.mus.br/tom-jobim/86229/

“A correnteza do rio vai levando aquela flor
O meu bem já está dormindo,
zombando do meu amor” – Tom e Bonfá – https://www.youtube.com/watch?v=1wA4eYVMH6c

Eu frequentava muito a casa dele. Pescamos bastante. Não se pode ficar concentrado só na música. Pescamos muito na Barra da Tijuca. Um dia me surgiu Correnteza mostrei para o Tom e aí fizemos juntos – Luís Bonfá

A correnteza – Chitãozinho e Xororó – https://www.youtube.com/watch?v=8fyak1WmRnk

Eu acho que universal mesmo é fazer samba. Quer dizer, um pintor universal é aquele que pinta bem o seu quintal. Agora, se o brasileiro vai querer pintar o quintal sueco, aí já fica mais difícil“.

Já mandei subir o piano pra Mangueira.

https://www.youtube.com/watch?v=6oXvEKRsZx

Eu sei que vou te amar – Dilacerante – https://www.youtube.com/watch?v=n01WO1MpH90

Vinicius e Tom Mascotes: https://globoplay.globo.com/v/3831146/

DOCUMENTÁRIOS

TOM JOBIM- As Nascentes – Acervo da TV CULTURA – (IMPERDÍVEL!) Tom fala de Villa-Lobos, Pixinguinha, Radamés, Ary Barroso, Vinicius de Moraes, da Bossa Nova, da Garota de Ipanema, de Chico Buarque: https://www.youtube.com/watch?v=54VNMBOTtvk

Documentário raridade: https://www.youtube.com/watch?v=gjRHZvYPQxw

VISÃO DO PARAÍSO – Tom fala da Mata Atlântica – Apresentação e narração de Fernanda Montenegro. Em cinco episódios:

I – https://www.youtube.com/watch?v=yqYwvrvxjfM.
II – https://www.youtube.com/watch?v=cyGCJHw2NFo. III – https://www.youtube.com/watch?v=H5C9FSzYWbk. IV – https://www.youtube.com/watch?v=OTGMT8-8G9U&list=RDOTGMT8-8G9U&start_radio=1&t=23.  V – https://www.youtube.com/watch?v=O8yU9pjDS5k

BBC Documentary 2016. https://www.youtube.com/watch?v=UCGHjn8cqJg

Tom Jobim & Guerry Mulligan (Não perca!) – https://www.youtube.com/watch?v=Ig-uatgWpV8

Jobim on the NBC in 1986: https://www.youtube.com/watch?v=FxRk8cz8qj4

Tom Jobim fala sobre a bossa nova: https://www.youtube.com/watch?v=vIB2NI5UaKM

A Casa de Tom Jobim: https://www.youtube.com/watch?v=JaL_FjH87ck

Ensaio na casa de Tom Jobim :https://www.youtube.com/watch?v=xB63XCAWgMk

Filme: A música segundo Tom Jobim de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim: trailer https://www.youtube.com/watch?v=du_bmbElPbs

Filme: RARÍSSIMA participação de Tom Jobim no filme ‘Pluft, O Fantasminha’, de Romain Lesage, 1962: https://www.youtube.com/watch?v=UkbRdM6m8RA

Tom Jobim – 1987 (TV Cultura)
https://www.youtube.com/watch?v=AeDaoignWPE

Tom apresentando para Nelson Pereira dos Santos, Equipe da TV Bandeirantes, Dori Daymmi e Danilo Caymmi, a música Passarim ainda inacabada https://www.youtube.com/watch?v=z9HH98woqfw

Documentário: 3 Antonios 1 jobim – Documentário que representa um bate papo informal entre quatro grandes brasileiros: Tom Jobim, Antonio Callado, Antonio Houaiss e Antonio Candido. No qual conversam sobre suas experiências bem como do século XX brasileiro :Dirigido por Rodolfo Brandão: em 1993. https://www.youtube.com/watch?v=H5eT1ZY_UTQ

ENTREVISTAS

Rádio AM JB (1977)   https://www.youtube.com/watch?v=meK4BXA-YYQ

Com Roberto D’Avila (1981): https://www.youtube.com/watch?v=CFq3uFjXYEU

Gente de Expressão (com Bruna Lombardi) – https://www.youtube.com/watch?v=9BkysXxNLNs

Clarice Lispector entrevista Tom – 21/9/1968: http://www.vermelho.org.br/noticia/292511-1

Caetano Veloso mencionou a história abaixo, em 1981, numa entrevista para Roberto D’Avila, no Canal Livre da TV Bandeirantes:

Tom era o grande músico que foi capaz de realizar, como arranjador, como orientador, como uma pessoa que domina os meios de expressão da música, como compositor, um novo movimento. E é o maior do Brasil, por causa disso”. Caetano Veloso

Pena a parceria não ter saído. Deixa aqui, uma sugestão para Caetano Veloso por letra na melodia e gravar em dueto com Gal Costa, o belíssimo Diálogo, do LP Wave, de 1967
Ouça e considere se minha sugestão procede: http://letras.kboing.com.br/#!/tom-jobim

Com Marília Gabriela (1987): https://www.youtube.com/watch?v=J8jr65wVA7k

Na TV Cultura Roda Viva: https://www.youtube.com/watch?v=8w2Dq8bscY4

Com Jô Soares (1993): https://www.youtube.com/watch?v=AxdmriJ-5D4

Entrevista para Leda Nagle (1985) https://www.youtube.com/watch?v=AuuOD3Ldj9c

Dediquei minha vida à música brasileira, porque já tem francês para escrever música francesa, americano para escrever música americana.

SONGBOOKS

CANCIONEIRO JOBIM – Obras completas. Cinco volumes. JOBIM MUSIC. Perfeito. As composições escritas de acordo com a concepção do maestro. Equipe de craques.

CANCIONEIRO JOBIM – Obras escolhidas. O máximo! JOBIM MUSIC CASA DA PALAVRA.

• CHEDIAK, Almir. Tom Jobim – 3 volumes – Songbook – Petrópolis: Lumiar Editora. 1990.  

O Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) é uma organização sem fins lucrativos sediada em Niterói – RJ que é voltada para a pesquisa, preservação e promoção da Música Popular Brasileira. Sua missão consiste em documentar, catalogar e divulgar o acervo musical brasileiro, passado e presente, através da manutenção e atualização de um banco de dados virtual. O resultado é um dos maiores arquivos online de informações, sons e imagens da discografia brasileira, disponível na internet para consultas gratuitas. Fundado em 2006, o IMMuB conseguiu mapear e catalogar mais de 82 mil discos produzidos no país. Isto equivale a aproximadamente 580mil fonogramas, reunindo mais de 91 mil compositores e intérpretes. Fruto de 25 anos de pesquisa, a catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos mais recentes. O acervo segue em constante expansão, recebendo centenas de discos, capas e músicas mensalmente. https://immub.org/p/o-instituto.

BIBLIOGRAFIA

OBS: Grande parte desse material não se encontra mais à venda. Algo ainda pode ser encontrado nos sebos e na NET e mídias digitais.

CABRAL, Sérgio. Antonio Carlos Jobim. Uma Biografia. Rio de Janeiro: Lumiar Editora: 1997.

JOBIM, Helena. Antonio Carlos Jobim. Um Homem Iluminado. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1996.

SOUZA, Tárik de, Márcia Sesimbra, Tessy Calado. Tons sobre Tom.Rio de Janeiro: Revan: 1995.

CASTRO, Ruy. Chega de saudade – São Paulo: Companhia das Letras. 1990

CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar – São Paulo: Companhia das Letras. 2001

ENCONTROS/TOM JOBIM. Tom Jobim. Organização e apresentação Frederico Coelho e Daniel Caetano.Rio de Janeiro: Azougue Editorial. 2011.

CASTELLO, José. Vinicius de Moraes: O Poeta da Paixão. São Paulo: Companhia das Letras. 1994.

SÁNCHEZ, José Luis. Tom Jobim. A simplicidade do génio.Rio de Janeiro: Record: 1998.

MAMMI, Lorenzo. NESTROVSKI, Arthur. TATIT, Luiz. Três canções de Jobim. São Paulo: Cosac Naify. 2004.

CARVALHO, Hermínio Bello de. Sessão Passatempo. Rio de Janeiro: Relume – Dumará. 1995.

NAVES, Santuza Cambraia. Canção popular no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2010.

HOMEM, Wagner, OLIVEIRA, Luiz Roberto. Histórias de Canções – Tom Jobim. São Paulo:  Leya. 2012.

MELLO, Zuza Homem de. João Gilberto. Publifolha. 2001.

VIVACQUA, Renato. Música Popular Brasileira. Cantos e Encantos. São Paulo: João Scortezi Editora. 1992.

NESTROVSKI, Arthur. Lendo Música. 10 ensaios sobre 10 canções. São Paulo: Publifolha. 2007.

LISBOA JUNIOR, LUIZ AMÉRICO. 81 Temas da Música Popular Brasileira.Itabuna: Agora Editoria Gráfica Ltda, 2000.

GENTE DE SUCESSO. A vida de Tom Jobim.Rio de Janeiro: Editora Rio. 

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 1 – 1901-1957. São Paulo: Editora 34. 1997 e 1998

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 2 -1958-1985. São Paulo: Editora 34. 1998.

MARIZ, VASCO. A Canção Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1985.

PASSOS, Claribalte. Vultos e Temas da Música Brasileira. Rio de Janeiro: Paralelo. 1972.

TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular. São Paulo: Art. 1991.

ANDRADE, Mário. Dicionário Musical Brasileiro. São Paulo. Editora Itatiaia Ltda. 1989.

VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Martins Editora.1977.

ANDRADE, Mario de. Aspectos da Música Brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora. 1965.

MARTINS, J.B.Antropologia da Música Brasileira. São Paulo: Editora Obelisco. 1978.

BELTRÃO JR, Synval. A musa mulher na canção brasileira. São Paulo: Estação Liberdade. 1993.

CALDAS, Waldenyr. Iniciação à Música Popular Brasileira. São Paulo:  Editora Ática. 1989.

CABRAL, Sergio. A MPB na era do rádio. Rio de Janeiro: Editora Moderna. 1996.

PECCI, João Carlos. Vinícius Sem Ponto Final.São Paulo: Editora Saraiva. 1994.

RAMALHO NETO, A. Historinha do Desafinado (bossa nova). Rio de Janeiro: Editora Vecchi. 1966.

CABRAL, Sérgio. Escolas de Samba do Rio de Janeiro.Rio de Janeiro: Lazuli Editora. 2011.

CAZES, Henrique. Choro do Quintal ao Municipal.São Paulo: Editora 34. 1998.

BARBOSA, Valdinha. DEVOS, Anne Marie. Radames Gnattali. O Eterno Experimentador.
Rio de Janeiro: Funarte. 1985.

MPB COMPOSITORES – Você e a MPB. Contém biografias, fotos, discografias e CDs. 41 CDs e 40 fascículos. Editora Globo.

OS GRANDES SAMBAS DA HISTÓRIA. Contém biografias, fotos, discografias e CDs. Editora Globo e BMG gravadora.

Jacques Morelenbaum – Só respirar o mesmo ar que ele, já era uma inspiração sem tamanho.

Bondade colega

Quando desabafo digo coisa tristes, que sinto. Mas não sou eu sou eu quem fala mal do Brasil, é o Brasil que fala mal do Brasil.

Saudades do Brasil: URUBU https://www.youtube.com/watch?v=QLICHiLdFKw

O Brasil tem tudo pra dar certo, é um país riquíssimo, onde você pode ter cinco, seis colheitas por ano.

Samba do avião – Tom Jobim – whttps://www.youtube.com/watch?v=bQM-vP5BcGwatch?v=bQM-vP5BcGw

Estou morrendo de saudade.

Tom devia se sentir muito sozinho, porque era superior. Quando manifestava admiração pela sensibilidade de Villa-Lobos, havia uma identidade de posição diante do panorama brasileiro. Tom demonstrava essa identidade nas conversas em que citava Villa-Lobos, contava histórias e até comentava a solidão do Villa-Lobos no Brasil. Todo homem excepcional, todo grande criador encontra estas dificuldades no seio da humanidade, em qualquer pais do mundo. No Brasil, com uma tradição de frustrações e de impotências em todas as áreas, quando surge um ser muito potente, ele vai enfrentar aborrecimentos terrivelmente irritantes e geradores de infelicidade, que não podem ser interpretados como um não reconhecimento de talento. – Caetano Veloso

Lembro de Tom no concerto no Carnegie Hall. Ele moço, tocando piano. Nós ali, fazendo música. Nós ali, representando o Brasil. A gente querendo homenagear o Brasil, querendo o bem do Brasil. Nós querendo fazer uma coisa boa para o país. Um Brasil que fosse representado pela sua música, uma música bonita. Era uma coisa meio infantil, ilusão da juventude, o que seja. Mas acho que fizemos alguma coisa pelo Brasil. Tom fez tanto pelo Brasil (João Gilberto chora, chora, chora). O Brasil já foi tão bonito – João Gilberto – reportagem da revista VEJA, publicada em 25 de janeiro de 2014.

Fotografei você, na minha Rollei Flash, revelou-se minha enorme gratidão.

O Tom foi uma sequencia do Villa-Lobos, do Radamés Gnattali. Foi o paisagista do Brasil. Mesmo na música que não tem letra, era o Brasil. São imagens brasileiras. É cinema puro.” – Paulo César Pinheiro – Tons sobre Tom – Márcia Cezimbra – Tessy Callado e Tarik de Souza (Editora Revan) 1995

A morte de Tom tem que ser levada como a expressão mais simples do decorrer da vida. Nasce-se e morre-se. Eu nunca poderia admitir a morte de Tom Jobim – ele andava se queixando da saúde – e tive que engolir seco e me preparar para isso durante anos”. Dorival Caymmi.

Estou morrendo de saudade – https://www.youtube.com/watch?v=bQM-vP5BcGw

“Ele sabia o poder que tinha, sem parecer vaidoso. Sabia o que significava como artista do Brasil para o resto do mundo e para o próprio Brasil. Ficava orgulhoso com o que deixaria para a eternidade. A obra de Tom é grandiosa. É obra de imortalidade”. – Paulo Cesar Pinheiro – Tons sobre Tom – Márcia Cezimbra – Tessy Callado e Tarik de Souza (Editora Revan) 1995.

Se todos fossem iguais a você https://www.youtube.com/watch?v=Wdi9Tmk-y04

O resto é mar, é tudo que eu não sei dizer.

O CD “CadaUmComSeuCadaUm pode ser ouvido: Youtube Music, Spotify, Deezer, Apple Music.

Garota de Ipanema

terça-feira, julho 4th, 2023
Tonzinho, eu vi uma garota toda cheia de graça…
Eis aqui este sambinha, o que você acha?
Rascunhinhozinho
– Gostou parceirinho?
– Vina, esse negócio de “tão sem passarinho”, sei não…
– Você não gostou Tonzinho? E de “tão linda no espaço”?
– Eu tirava o passarinho, deixava a moça, e trocava o espaço pelo “caminho do mar…”

É por aí parceirinho!
Olha que coisa mais linda!
… que vem e que passa…
Ah, a beleza que existe!

Desconfio que vai dar pé…
Tonzinho e eu fizemos um sambinha pra você.

Gravação realizada no restaurante Au Bon Gourmet em Copacabana, R.J., dia 02 de agosto de 1962, por ocasião do show
“Encontro com Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto”, com a participação de “Os Cariocas”. Lançamento de “Garota de Ipanema”, e com introdução!

Ensaio. No canto esquerdo, Baden Powell. “O astronauta ao menos viu que a terra é toda azul”
ensaiando…

A gravação que estourou saiu nesse LP. No início João cantou uma vez inteira, e em seguida entrou a Astrud. A gravadora teve a ideia de cortar a entrada do João e começar direto com a Astrud e foi um sucesso mundial!

Frank, é melhor chamar um baterista brasileiro!
Ouve a batida…
Eu não canto assim (soft) desde que tive laringite…
Spanishguitar, Francisco,
a violão!
O disco do ano nos USA!
It sounds great Antonio!
Tall and tanned and young and lovely…

Deu pé parceirinho!
– Que bom que você botou o passarim pra fora da letra!
– Verdade, Tonzinho, você entende do assunto!

Entrevista de Tom Jobim à Rádio JB em 1977 (comemoração do seu cinquentenário). Aos 7’29” , Tom conta a história de Garota de Ipanema em parceria com Vinicius de Moraes :

https://www.youtube.com/watch?v=6B_sJC4EWp8&feature=share

• Eu tenho 304 diferentes gravações de “Garota de Ipanema”, colhidas até o final de 2000. Hoje deve ter bem mais e tem coisa que até o Cristo Redentor duvida!

Garota passando em Esperanto:

OUÇA a gravação campeã:

Tonzinho, até que ela canta bonitinho!

Ah, se ela soubesse…

Tom escreveu para Vinicius…

Vinicius: meu Caymmi. O PASQUIM, Nº 64 – Setembro de 1970

terça-feira, julho 4th, 2023

Conheço Dorival Caymmi desde o início da década de quarenta, quando cheguei da Inglaterra, onde estudava, fugindo à segunda Grande Guerra. Encontrava o baiano ali pelo Leblon, que nessa época esta a começando apenas a dar um ar de sua graça. Minha casa ficava na Rua General San Martin, e entre uma sortida e outra à praia, nossa patota, (naquele tempo se dizia turma) descansava o espírito num bar-mercearia que havia na esquina da Ataulfo de Paiva com a Carlos Góis:  – éramos eu, Rubem Braga, Moacir Werneck de Castro, Jimmy Abercrombie, Carlos Leão, Juca Chaves, o engenheiro e o dono do famoso Juca’s Bar, de saudosa memória) e outros aderentes eventuais, alguns dos quais já se mandaram a muito. Caymmi mora a numa casa, de aparência estranha, no fim da Ataulfo de Paiva, que, se não me engana, ainda existe. Nada prenuncia ainda que o Leblon se fosse tornar um bairro tão em vago. O baiano gostava de tomar um conhaquinho, devagar e sempre. Nós éramos do chope e da cerveja. O verão carioca eliminava tudo na transpiração.

Desde então ficamos amigos. Nossas vidas eram diferentes. Caymmi era mais da patota de Jorge Amado. Eu tinha tido um período de compositor, aí pelos 16 anos com os irmãos Tapajós, dupla vocal famosa na época, mas depois deixei. Só o viria retornar 27 anos mais tarde, quando Antônio Maria entrou de sola em nossas vidas. Já o forte de Caymmi era a composição. Alguns de seus mais belos samba canções. 

Quando, em 1950, regressei do meu posto de vice-cônsul em Los Angeles, depois de cinco anos de ausência. Caymmi e Antônio Maria começaram a frequentar assiduamente minha casa. As facilidades diplomáticas então existentes induziram-me a trazer 30 caixas de uísque que tiveram o poder de aguçar extraordinariamente o faro de meus amigos. A casa viva cheia, dia e noite. Lembro que uma tarde estava com Paulo Mendes Campos, no Juca’s Bar, na cidade, quando ouvi um cara desconhecido na mesa ao lado, convidar um outro para ir a minha casa, onde – assegurava ele – o uísque corria. Só sei dizer que 360 garrafas do mais puro escocês foram absorvidas em menos de 2 meses, o que representa uma média de 6 unidades por dia. E a moçada já era sadia.

Entre 50 a 53, ano em que parti em posto para Paris. Caymmi e eu nos vimos com bastante frequência, em companhia de Antônio Maria, Aracy de Almeida, Paulinho Soledade, Fernando Lobo e outros encaixotadores de sereno.  

Encontrávamo-nos a noite, no finado Vogue. Depois íamos para o “Sacha’s”, depois para o Clube da Chave, onde conheci, pouco antes de partir, meu parceiro Antônio Carlos Jobim. A conversa era fácil e maledicente. Caymmi seguia compondo. Quando posteriormente começou a trabalhar no “36” da Rua Rodolfo Dantas, nós não saíamos de lá. Era uma época boa e descompromissada com a voz de Aracy, Elisete, Nora Ney, Dóris Monteiro, Ângela Maria, e depois Maysa enlanguescendo as madrugadas…

Saudade, torrente de paixão, emoção diferente, que aniquila a vida da gente, uma dor que eu não sei de onde vem…

Eu fizera sozinho meus primeiros sambas. Amávamos a noite como se ela fosse uma mulher. Nosso último reduto, era o Pescadores, na Francisco Otaviano, onde se comia os melhores ovos com presunto da madrugada e, eventualmente, saía cada pau de meter medo, por isso “que a turma já vinha de muitas horas de voo.

Em 57, estando eu em Paris, soube que Caymmi ia chegar. Sem poder ir ao aeroporto, pedi a relações públicas da velha Panair que o localizasse para mim em Orly, e falamos ao telefone. Fiz questão de assinar o ponto da amizade e muito bem obrei, pois os baianos residentes, a frente dos quais se colocou Odorico Tavares que viajara com ele, o sequestraram de tal modo, que só o pude ver uma noite no “Calavadões”, onde ele tocou violão e cantou para o trio local “ Los Latinos” nome a que nós, os frequentadores de sempre, acrescentávamos a letra R.

Mas foi somente em fins de 64 que nossa amizade se solidificou para valer, graças a um convite de Aloisio Oliveira e Paulinho Soledade, proprietário do” Zum Zum”, para que fizéssemos um show juntos, escorados pelo Quarteto em Cy, e o conjunto de Oscar Castro Neves. O show constituiu um grande sucesso, e nele lançou Caymmi sua bela valsa, … das Tosas, cuja criação me anunciava 7 anos antes, numa tarde na casa de Jorge Amado. Isso para dar uma pala de como o baiano curte o que compõe. 

Nós todos o acompanhávamos na belíssima História de Pescadores. Eu dizia sempre O Dia da Criação, com a boate no mais absoluto silêncio, e isso para mim foi muito bom, esse contato poético com o público, que me certificou de que a poesia ainda não havia morrido. Nosso bate-papo entre os números, na base do improviso, ficou muito popular na noite carioca, e Aloisio pensou em dele tirar um LP, que afinal não foi avante. Mas as fitas existem por aí, para documentar sua espontaneidade, e as maravilhosas e sábias tiradas de Caymmi, que faziam o público morrer de rir. 

Capa

De pouquíssimos seres humanos eu gosto tanto. Não há amigo mais perfeito, se não se exigir mais do que ele, em sua baianidade, pode e sabe dar: e não é por acaso este o segredo da amizade, a gente não forçar a barra do amigo, deixa-lo ser ele mesmo usufruir do seu convívio,  no que ele tem de mais saboroso e autêntico?

“Acontece que sou baiano”, disse ele, num de seus melhores sambas. E é realmente difícil encontrar alguém mais baianamente dengoso que Caymmi, apesar de sua grande quilometragem carioca. Sua barriga redonda e cheia de ritmo, que parece dançar por conta própria quando ele canta – à barriga que viveu e amou a vida – é o retrato de sua  Bahia. Como de resto, sua cor, a malemolência brejeira de seus olhos, quando interpreta, e o balanço gordo e descansado do seu samba: samba que parece ter o visgo gostoso de ar da Bahia, feito de calor e brisa; o quebranto de suas cadeiras, por onde os baianos descem desmanchando as ancas, a untuosidade pungente de suas comidas e seus pirões afrodisíacos, onde o dendê, o amendoim, o gengibre e a pimenta- de cheiro são condimentos obrigatórios, a patina de seu casario, como no Pelourinho, e a misteriosa claridade de seu lar, que o fez dizer, num verso da mais alta síntese poética, em sua canção sobre a Lagoa do Abaeté.

A noite tá que é um dia…

Caymmi constitui, a meu ver, como Pixinguinha, Noel Rosa, Antônio Carlos Jobim e agora despontando no amanhecer Chico Buarque de Holanda, um dos cinco solitários da música popular brasileira. Canções como O Mar, Dora, João Valentão, É Doce Morrer no Mar, Lenda do Abaeté, Saudade de Itapoã, Rosa Morena são obras-primas sem jaça das maiores de todos os tempos no populário nacional ou estrangeiro. E assim, é meu Caymmi, grande sábio, vasto, intenso: um excelso mandarim baiano, que ainda representa melhor que ninguém esse maravilhoso berço mestiço da nacionalidade que é sua Bahia nativa – a terra onde os preconceitos não tem cor e a falta de bossa não tem vez.

eu que tenho rosas como tema, canto no compasso que quiser.

O plá do Duprat.

terça-feira, julho 4th, 2023

Escute aqui o tom do Duprat, num plá de uma nota só, do grande Rogério, tio do meu amigo e parceiro, irmão do Régis que é pai do Ruriá Duprat, que também leva um jeito familiar na arte de combinar os sons.

Publicado em “História da música popular brasileira” – edição Abril Cultural

Sol e Lua, Lua e Sol

terça-feira, julho 4th, 2023

Pichu Borrelli e Edgard Poças

dedicado a João de Barro (Braguinha, 1907 – 2006)



Sol é luz de ouro
Lua, luz de prata
o amor é um tesouro
prata, ouro, ouro e prata
 
Sol, ô Sol
capricha nessa luz dourada
hoje à noite eu vou sair
toda prateada
 
Que astro-rei sou eu
minha luazinha de mel
sem você sou pilha fraquinha
e apago a luz do céu
 
Lembra do colar de estrelas
que me prometeu ao anoitecer
depois, meu astro-rei, deixa comigo
vou luar até amanhecer
 
O colar está prontinho
pra te enfeitar
estrelas, não canso de vê-las
mas é todo teu o meu olhar
 
Sol, Solzinho
não vivo sem o teu calor
hoje eu vou de lua cheia
Lua cheia de amor
 
Madrugada afora até a alvorada
quero ver você luar
ao romper da aurora eu vou-me embora
é hora de raiar
 
Lua, ó Lua!
Sol, ô Sol!
a nossa estrada é um desejo
e o nosso beijo é o mais lindo arrebol!
 
 Ô Sol! Ó Lua!  

Sol e Lua, Lua e Sol por Céu e Diogo Poças

Um dos compositores de maior expressão na música popular brasileira. Sua musicografia completa, que inclui versões e músicas compostas para histórias infantis, passa dos 400 títulos – Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira

• O grande cartunista e escritor Ziraldo – conhecedor da obra do Braguinha – ao ser apresentado a ele:
– O senhor é o Cancioneiro Popular Brasileiro!

ANTES DE MAIS NADA: ouça 62 músicas do Braguinha. https://www.ouvirmusica.com.br/braguinha/

BIOGRAFIA INDICADA: SEVERIANO, Jairo. Yes, nós temos Braguinha. Rio de Janeiro: Funarte. 1987.

João de Barro das eternas construções.
Publicado pela Revista do Brasil – Edição nº 10: https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/2013/04/joao-de-barro-das-eternas-construcoes/

HITS:

Carinhoso – música de Pixinguinha: Tom Jobim : https://www.youtube.com/watch?v=lnzsKQ_2bx4

• Carinhoso – com letra de Braguinha – Marisa Monte e Paulinho da Viola: https://www.youtube.com/watch?v=88tBivTeHyw

Onde o céu azul é mais azul (Alcyr Pires Vermelho, Braguinha e Alberto Ribeiro). Gravação original com Francisco Alves: https://www.youtube.com/watch?v=x5gFbm12SXM

Onde o céu azul é mais azul : com Emílio Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=GiB0nRJ0z1Q

• Copacabana (Braguinha e Alberto Ribeiro) , com Dick Farney (1946): https://www.youtube.com/watch?v=s9c614gBu6U

• Copacabana com Emilio Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=HC-JeFsGka8

Anda Luzia: Maria Bethania: https://www.youtube.com/watch?v=n-05J2FZS08

• Anda Luzia e As Pastorinhas – Braguinha e Miucha, em festa: https://www.youtube.com/watch?v=nlbQh8UcLU0

• Cantores do rádio: Carmen Miranda e sua irmã Aurora cantando a canção no filme “Alô, Alô, Carnaval“, sucesso gravado em 1936 – visite o post CANTORES DO RÁDIO em ALMANAQUE QUALQUER NOTA pra saber a história dessa música: https://www.youtube.com/watch?v=EM02ENiiuZ0

• Cantores do rádio (Braguinha, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro) – Elis Regina, Rita Lee, Maria Bethania, Gal Costa, Fafá de Belém, Marina, Joyce, Zezé Motta, Joana, Quarteto em Cy: https://www.youtube.com/watch?v=prPXz-_L5og

PROMOCÃO OUÇA e OPINE:

A saudade mata a gente – Dick Farnely : https://www.youtube.com/watch?v=JHW4-trW2po

• A saudade mata a gente – Simone: https://www.youtube.com/watch?v=0-fvsWmse0o

A saudade mata a gente – Seu Jorge e Yamandú Costa: https://www.youtube.com/watch?v=h-b2Zvn2w2k&list=RDh-b2Zvn2w2k&start_radio=1

A saudade mata a gente – Wilson Simonal: https://www.youtube.com/watch?v=aig2D3kBkVg

A saudade mata a gente – Pena Branca & Xavantinho: https://www.youtube.com/watch?v=iKH0C71lgUg

A saudade mata a gente – Emílio Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=0EgCRTUaf-A

• A saudade mata a gente – Nana Caymmi: https://www.youtube.com/watch?v=rz829Xj0eVE

De qual dessas gravações você gostou mais?
Os 10 primeiros que responderem receberão via Email ou WhatsApp, um pirulito que já bateu!

Laura – Alcyr Pires Vermelho e Braguinha, com Emílio Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=ECfwYQSX4Gk

Laura – com Altemar Dutra: https://www.youtube.com/watch?v=Yim85BkRJtg

• Balancê – Gal Costa: https://www.youtube.com/watch?v=TuPFzT8BJag

Seu Libório. Não foi um hit como as anteriores, mas vale a pena ouvir o grande Vassourinha (1923 – 1942) e a flauta do inigualável de Benedito Lacerda (1903 -1958), e o molho do seu regional.
Vassourinha foi o nome artístico adotado por Mário de Oliveira Ramos, grande promessa, que foi embora com apenas 19 anos, deixando apenas 12 músicas gravadas. https://www.youtube.com/watch?v=2kWq8PQKsZw

VERSÕES:

Sorri (Smile): Braguinha fez muitas versões de músicas estrangeiras para nossa língua. Aqui está a mais famosa: https://www.youtube.com/watch?v=2oFzfx0UOA8

Smile (Original: Música de Charlie Chaplin e letra de John Turner e Geoffrey Parsons)
na interpretação do genial Jimmy Durante:
https://www.youtube.com/watch?v=UM–qYBjYlc

• O CARNAVAL do BRAGUINHA

Chiquita Bacana lá da martinica, se veste com uma casca de banana nanica!

Quando o Brasil marcou o quarto gol contra a temida seleção espanhola, no campeonato mundial de 1950, um torcedor emocionado, afundado na cadeira, chamava atenção: era o único torcedor que não estava comemorava a nossa goleada.
– Pessoal, olha só esse cara quietinho, só pode ser espanhol…
Em seguida vem o quinto gol e o coro imenso toma conta do estádio:

Eu fui às touradas de Madri
Parará-tchim-bum-bum-bum
Parará-tchim-bum-bum-bum
E quase não volto mais aqui…

O tal torcedor quietinho, não consegue conter o choro; são 200.000 brasileiros cantando Touradas em Madri, a música que ele, Carlos Alberto Braga, o João de Barro, ou Braguinha, compôs com Alberto Ribeiro para o Carnaval de 1938.
Ouça a gravação original, com Almirante:
Touradas em Madri https://www.youtube.com/watch?v=CDWopjSWot0

Vale a pena escarafunchar a letra dessa música. Tem muito a ver.

• Pastorinhas (Noel Rosa e Braguinha). Marcha-rancho inspirada no Rancho das Pastoras de Vila Isabel, foi lançada em 1935, na voz de João Petra de Barros, sob o título de “Linda pequena“, não obteve sucesso. Entretanto, Braguinha , pouco depois da morte de Noel, relançou a composição, com algumas mudanças na letra e no nome, que passou a ser “Pastorinhas”. Essa versão venceu o concurso carnavalesco da prefeitura do Rio de Janeiro, em 1938. Estava em segundo lugar entre as marchinhas, e para o primeiro porque a que liderava até então – Touradas em Madri (!), de Braguinha e Alberto Ribeiro – foi desclassificada, sob a alegação de que era um passo-doble (dança de origem espanhola, muito executada em touradas!). Lançada na voz de Sílvio Caldas em 1dezembro de 1937, obteve sucesso merecido com várias regravações. Esta é a original: https://www.youtube.com/watch?v=dIAMPwqDYlA

Tem gato na tuba (Braguinha)- Essa foi uma das quatro marchinhas de carnaval que selecionei para o repertório do primeiro LP da Turma do Balão Mágico* . As outras foram P.R. Você, de Hervé Cordovil e Cristovão de Alencar, Cowboy do Amor, de Wilson Baptista Roberto Martins e Upa! Upa! (Meu Trolinho), de Ary Barroso.
Foi gratificante ouvir as crianças cantarem composições de autores que até hoje admiro. Aqui, o gato na tuba: https://www.youtube.com/watch?v=oFf0Wiyvgok.

* Escrevi 56 letras para os 7 LPs da Turma do Balão Mágico .

Linda pequena com João Petra de Barros: https://www.youtube.com/watch?v=_gC2MSspRUg

• Pirata da perna de pau, Vai com jeito e Chiquita bacana, com Eduardo Dusek: https://www.youtube.com/watch?v=-mNvzRXKZso

• Pirata da perna de pau (Braguinha) com Nuno Roland – Trecho do Filme ‘Garota Enxuta’: https://www.youtube.com/watch?v=ObT_zt1iR6o

• Yes, nos temos bananas (Braguinha e Alberto Ribeiro):

Tem gato na tuba (Braguinha e Alberto Ribeiro) – com Nuno Roland. 1947: https://www.youtube.com/watch?v=v-KHPR7v5uw

• Chiquita Bacana – Braguinha e Alberto Ribeiro, com Emilinha Borba (gravação original). Repare o arranjo!: https://www.youtube.com/watch?v=2ovdYtWANsY

• Chiquita Bacana – Braguinha e Alberto Ribeiro, com Anitta: https://www.youtube.com/watch?v=aJUPWVWwTMc

Linda Loirinha (Braguinha) com Silvio Caldas – Carnaval de 1934: https://www.youtube.com/watch?v=G1-gYYrIvik

• Vai com jeito -Braguinha , com Emilinha Borba carnaval de 1957: https://www.youtube.com/watch?v=SanVgQOvd-g

Uma andorinha não faz verão (Lamartine Babo e Braguinha): https://www.youtube.com/watch?v=b27sbyygI5o

Lalá e Braguinha. Reis do carnaval

Braguinha e Miúcha – Post-pourri de carnaval: https://www.youtube.com/watch?v=IStkVS93ayk

• Cenas do filme Alô alô carnaval de 1936: https://www.youtube.com/watch?v=GoS-X62gIJk

Será que vão lembrar das minhas?
Desfilando pela Mangueira

Yes, Nós Temos Braguinha: A primeira campeã da ‘era Sambódromo’. https://www.youtube.com/watch?v=KyYr5C_0RZM

Oi balancê, balancê, quero dançar com você. Com Clara Nunes.
Alberto Ribeiro, maior parceiro.

• Teatro Disquinho. Tudo sobre: https://indicetj.com/disquinho/

Braguinha no Bando de Tangarás. E com a única imagem conhecida de Noël Rosa em movimento: https://www.youtube.com/watch?v=mTPXbIKrEAU

Querida filha de um querido amigo!

Braguinha fala do início da carreira : https://www.youtube.com/watchv=INLOb3Zehr4

Braguinha homenageado no Som Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=ukoGPTJAgPE

Braguinha e alguns colegas em reunião na casa de Vinicius de Moraes, na Gávea, Rio de Janeiro, para salvar a música de carnaval. 1967. Quem identificar mais de dez, receberá, via email, um apertado abraço virtual.
Braguinha e o colega que levou o piano pra Mangueira

SONGBOOKS & PARTITURAS:

CHEDIAK, Almir. Braguinha – Songbook – Petrópolis: Lumiar Editora. 2002 : https://books.google.com.br/books?id=8WWcIRv2skoC&pg=PA17&lpg=PA17&dq=raguinha+lançou+o+primeiro+disco+infantil:+“Branca+de+Neve+e+os+Sete+Anões&source=bl&ots=57Y4YdQI4j&sig=ACfU3U1QmeKguFG87kGPZRzI6Sfb1LMb9g&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwipwZLw3uTlAhWfGbkGHcKgCQEQ6AEwEXoECAkQAQ#v=onepage&q=raguinha%20lançou%20o%20primeiro%20disco%20infantil%3A%20“Branca%20de%20Neve%20e%20os%20Sete%20Anões&f=false

O Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) é uma organização sem fins lucrativos sediada em Niterói – RJ que é voltada para a pesquisa, preservação e promoção da Música Popular Brasileira. Sua missão consiste em documentar, catalogar e divulgar o acervo musical brasileiro, passado e presente, através da manutenção e atualização de um banco de dados virtual. O resultado é um dos maiores arquivos online de informações, sons e imagens da discografia brasileira, disponível na internet para consultas gratuitas.

Fundado em 2006, o IMMuB conseguiu mapear e catalogar mais de 82 mil discos produzidos no país. Isto equivale a aproximadamente 580mil fonogramas, reunindo mais de 91 mil compositores e intérpretes. Fruto de 25 anos de pesquisa, a catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos mais recentes. O acervo segue em constante expansão, recebendo centenas de discos, capas e músicas mensalmente. https://immub.org/p/o-instituto.

BIBLIOGRAFIA:

OBS: Grande parte destes livros não se encontram mais à venda, mas, os sebos e a NET estão aí para nos salvar.

SEVERIANO, Jairo. Yes, nós temos Braguinha. Rio de Janeiro: Funarte. 1987.

REIS, Aquiles Rique. O gogó de Aquiles. São Paulo. A Girafa Editora. 2004.

VIVACQUA, Renato. Música Popular Brasileira. Cantos e Encantos. São Paulo. João Scortezi Editora. 1992.

LISBOA JUNIOR, LUIZ AMÉRICO. 81 Temas da Música Popular Brasileira.Itabuna: Agora Editoria Gráfica Ltda, 2000.

CUNHA, Maria Clementina Pereira. Ecos da Folia. Uma história social do Carnaval Carioca entre 1880 e 1920. São Paulo: Companhia das Letras. 2001.

ENEIDA. História do Carnaval Carioca, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1958.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de  músicas brasileiras. Vol 1. 1901-1957.São Paulo: Editora 34. 1997.

VALENÇA, Soares Suetônio. Tra-lá-lá. Rio de Janeiro: Funarte. 1981.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 2. 1958-1985. São Paulo: Editora 34. 1998.

MARIZ, VASCO. A Canção Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1985.

PASSOS, Claribalte. Vultos e Temas da Música Brasileira. Rio de Janeiro: Paralelo. 1972.

ALENCAR, Edigar de. O carnaval carioca através da música, 2 vols. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. 1965.

TINHORÃO, José Ramos.Pequena história da música popular. São Paulo: Art. 1991.

ANDRADE, Mario de. Aspectos da Música Brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora. 1965.

DIDIER, Carlos. Nássara – Passado a limpo. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. 2010.

SANTA CRUZ, Maria Aurea. A Musa sem máscara. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

MARTINS, J.B. Antropologia da Música Brasileira. São Paulo: Editora Obelisco. 1978.

CALDAS, Waldenyr. Iniciação à Música Popular Brasileira. São Paulo:  Editora Ática. 1989.

CABRAL, Sérgio. Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lazuli Editora. 2011.

BARBOSA, Valdinha. DEVOS, Anne Marie. Radames Gnattali – O Eterno Experimentador. Rio de Janeiro: Funarte. 1985.

TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular: da modinha ao Tropicalismo. São Paulo: Art Editora. 1986.

TINHORÃO, José Ramos. Música Popular: um tema em debate. São Paulo: Editora 34. 1997.

CABRAL, Sérgio.  Pixinguinha. Vida e Obra. Rio de Janeiro: Lumiar Editora. 1997.

MPB COMPOSITORES – Você e a MPB. Contém biografias, fotos, discografias e CDs. 41 CDs e 40 fascículos. Editora Globo.

OS GRANDES SAMBAS DA HISTÓRIA. Contém biografias, fotos, discografias e CDs. Editora Globo e BMG gravadora.

• Visite os posts CANTORES DO RÁDIO e BRAGUINHA 90 anos 90, em ALMANAQUE QUALQUER NOTA, vol 1 e vol.2.

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, ao comemorar 90 anos:

A vida gosta de quem gosta dela.


Braguinha morreu em 24/12/2006, aos 99 anos.

O CD “CadaUmComSeuCadaUm pode ser ouvido: Youtube Music, Spotify, Deezer, Apple Music.

Edgard Poças