Archive for Janeiro, 2016

Schubert

domingo, Janeiro 31st, 2016
Franz Schubert (31 de janeiro de 1797 – 19 de novembro de 1828).

Que melodista. Sua Ave Maria é um hit mundial.

Serenata (Ständchen) é um arraso. Minha mãe mandava bem no piano.

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Serenata (Ständchen)

 

Olha no céu aquela estrela luz

Caindo no mar

Ouve a canção que  nasce de mim, tão só

À luz do luar

Vem pra mim, ó minha estrela

Traz o meu bem querer

Traz o meu bem querer

 

Vem pra  mim, ó minha amada

Ouve o teu trovador

Ouve o teu trovador

 

Ah! vem pra mim

Estrela luz da imensidão

Ah, vem meu amor

Iluminar meu coração

 

Olha no céu,

A estrela caiu feliz

Nas ondas do mar

Tudo me diz  que o tempo sorriu pra nós

Pra gente se amar

 

Vem pra mim, ó minha estrela

Traz o meu bem querer

Traz o meu bem querer

 

Vem pra  mim,

Ó minha amada

Ouve o teu trovador

Ouve o teu trovador

 

Qual a lua cor de prata

Faz o sol nascer

Minha música,  serenata

Serenata, serenata

Traz o meu bem querer

Traz o meu meu querer

 

Amor vem pra mim

Estrela luz  do azul sem fim

Amor!

Amor!

Que o grande Franz perdoe minha ousadia.

 Chitãozinho e Xororó, com a Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo maestro João Carlos Martins, do CD Chitãozinho e Xororó – 40 Anos • Sinfônico (Audio DVD), Som Livre, 2011.

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Jean William, com a Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo maestro João Carlos Martins, do CD Dois Atos, Dabliú Discos, 2014.

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P.S.: Ouca a Sonata para Arpeggione e Piano D. 8212.

Aula de melodia.

Franz Peter Schubert escreveu cerca de 600 canções, além de óperas, sinfonias e sonatas, entre outros trabalhos.

Morreu com 31 anos. Gênio.

 •

Dia Mundial do Mágico.

domingo, Janeiro 31st, 2016

Hoje é dia trinta e um de janeiro.

Viva o Mágico!

José Antonio Almeida e Edgard Poças

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De repente, um coelho da cartola!

A caixa vira bola,

A pomba vira lenço!

 

De repente, o truque troca o treco!

O vento faz a curva,

O fim vira começo!

 

De repente, Abracadabra!

E sai uma moeda do nariz!

Surpresa! Mágica!

E um sorriso feliz !

 

Respeitável público:-

Incrível! Fantástico! Extraordinário!

Num piscar de olhos,

Isso vira aquilo ao contrário!

 

Viva o Mágico!

Pirlimpimpim! Bambalalão!

Viva seu mundo brincalhão!

Viva!

Viva o mágico!

Viva a imaginação!

Dia da Saudade

sábado, Janeiro 30th, 2016

Saudade é a presença da ausência.

Tristão de Ataíde –  1893 – 1983

Mozart.

quarta-feira, Janeiro 27th, 2016

Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (27 de janeiro – 5 de dezembro).

Deixou para o patrimonio da humanidade mais de seiscentas composicões e foi embora com trinta e cinco anos!

Ouça os dois minutos e quarenta e quatros segundos do Kyrie, do seu Requiem em Ré menor, KV 626, com a orquestra e côro da Sinfônica da Rádio de Baviera e regência de Leonard Berstein.

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Não dá pra imaginar como alguem consegue escrever algo assim!

Macintosh, amor à primeira vista.

domingo, Janeiro 24th, 2016

Hoje é dia de aniversário do MacIntosh que foi lançado no mercado em 24 de janeiro de 1984.

Devo muito a essa máquina revolucionária de nome derivado de uma certa espécie de maçã. Não resisti a tentação de dar uma mordidinha e até hoje estou no paraíso.

Seguem duas trilhas dos anos 80 executadas pelo velho Mac.

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Chevette

 

 

Anunciante: General Motors Trilha 45′

Filme: Box

Agencia: McCANN-ERICSON Produtora do filme: TVC

Composição: Edgard Poças

Seqüenciador e sampler desenvolvidos pioneiramente por Luiz Roberto Oliveira e o professor Guido Stolfi.

Músicos: ARP 2600  e Prophet 5 Regente: Apple IIe

Gravada em setembro de 1983 na Norte Magnético Premio Colunistas. Trilha do Ano

.

PS#1: Não existia o que hoje se chama sampler – nós tratávamos a gentil máquina de papagaio.

PS#2: Sampler é um equipamento que consegue armazenar sons (samples) de arquivos em formato WAV numa memória digital, e reproduzí-los posteriormente, um a um ou de forma conjunta se forem grupos, montando uma reprodução solo ou mesmo uma equivalente a uma banda completa. (Uma boa definição extraída da Wikipédia).

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Trilha para o filme Labirintos

Cliente: Construtora Diagrama.

Agencia: MCP Propaganda

Seqüenciador: Performer

Regente: Macintosh de Moraes

Intérprete: Oberheim Xpander

Gravada no estúdio Klaxon (fundos da minha casa) em novembro de 1988

Antes do McIntosh eu tinha um Apple II comprado no inicio dos anos 80. Poucas se falava em computador. Lembro do encantamento com que destrinchei o manual e os exercícios – aliás a  década foi dos manuais. Empolgadíssimo convidei uns amigos para assistir as primeiras gracinhas que a gente faz com as novidades, e encerrei o espetáculo com um programinha que gerava uma sequencia aleatória de numeros, simlesmente o máximo! Um dos presentes disparou com ar sério:

– Tudo bem,… mas o que voce vai fazer com isso?

A fila tá andando.

sábado, Janeiro 23rd, 2016

Maurício Novaes e Edgard Poças

Eu não quero saber

Se eu tô indo ou tô voltando

O que me interessa saber

É que a fila tá andando

 

Eu não quero nem saber…

 

Eu não sei se ainda é cêdo

E nem sei se já é tarde

No altar da minha vida

Meu amor ainda arde

 

O Senhor vai me chamar

Ai, meu Deus, não seja agora

Que viver é tão gostoso

Pra ficar de fora

 

Eu não quero nem saber…

 

Ando em cima do meu tempo

Que pra mim é sempre quando

Esse tempo que eu vivo

Vou vivendo e vou gastando

 

Essa vida é uma festa

Onde todo mundo cabe

Voce chega nos durantes

E sai antes que ela acabe

 

Eu não quero nem saber…

 

Vivo assim o tempo inteiro

Vivo agora e vou sem pressa

Ontem fica muito longe

Amanhã é só promessa

 

Pelo andar da carruagem

Asseguro firmemente

O futuro do futuro

É o melhor presente!

 

Eu não quero nem saber…

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Voz e violão: Maurício Novaes

As facetas do Multimário. Pelo Professor Carlos Augusto Calil.

sábado, Janeiro 16th, 2016

Análise brilhante.

Professor da USP CARLOS AUGUSTO CALIL – ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO – analisa as várias facetas do autor de ‘Macunaíma’
Mário de Andrade produziu sua obra para ‘dar uma alma ao Brasil’

A obra de Mário de Andrade agora pertence a seus leitores. Intelectual duplo de artista, legou ao País uma das obras mais fecundas como expansão da sensibilidade de toda uma geração. Ativo participante da Semana de Arte Moderna de 1922, lutou com determinação para superar o complexo de inferioridade nacional diante da cultura dos países dominantes, enquanto convidava os companheiros de jornada ao mergulho na descoberta do Brasil profundo.

Excepcionalmente dotado, foi poeta, professor de música, romancista, crítico de artes, polemista, fotógrafo, turista, gestor cultural, antropólogo, carteador incansável, etc. Ele mesmo se definiu sem modéstia: “Eu sou trezentos, trezentos e cinquenta”.

Poeta da sua cidade de São Paulo, transformou o território urbano em extensão do seu corpo. “Meus pés enterrem na rua Aurora,/No Paiçandu deixem meu sexo,/Na Lopes Chaves a cabeça/Esqueçam.” Pressentindo a própria morte, viu-se arrastado nas águas do rio Tietê.

Ele se definiu sem modéstia: 'Eu sou trezentos, trezentos e cinquenta'
Ele se definiu sem modéstia: ‘Eu sou trezentos, trezentos e cinquenta’

Sua poesia é dilacerada. Nela, “a própria dor é uma felicidade”. O paulista mais brasileiro que já houve, saboreia o “Brasil…/ Mastigado na gostosura quente do amendoim…/ Falado numa língua curumim…”.

Macunaíma, seu livro mais conhecido, é uma amarga interpretação do País. “O herói sem nenhum caráter”, sedutor, irreverente, inconstante, preguiçoso, é a consumada representação da volubilidade do ser brasileiro. Macunaíma é individualista, procura vantagem em tudo que faz, pouco se importando com o bem comum. Essa a principal crítica de Mário ao nosso tecido social.

A escrita, embora exigente, é deliciosamente maliciosa; sem se ater a nenhum regionalismo, incorpora todos eles. Barbarismos, chistes, parlendas, causos, habilmente costurados, estimulam no leitor uma apropriação saborosa do imoralismo inocente do nosso cidadão ancestral. Apesar de muito feio, Mário era um grande sensual. O mote “Vamos conversar porcaria?” se tornou senha entre os jovens da geração que sucedeu a dos modernistas. Bebiam alegria, inconformismo, derrisão, nas cuias do Uraricoera.

Mário de Andrade publicou contos, geralmente aproveitando alguma situação vista ou vivida. Situação familiar, diálogo roubado, observação psicológica, fratura amorosa, tensão social, tudo valia na sua pequena ficção. Seu conto mais pungente, Frederico Paciência, relata o despertar da sexualidade entre meninos de colégio, que se veem obrigados a reprimir a atração homossexual. A escrita é delicada e sugestiva, sem jamais esconder a dor da amputação do desejo.

A veia crítica de Mário de Andrade era prodigiosa. Podia falar com igual desenvoltura sobre música (sua especialidade profissional), literatura, artes visuais, arquitetura. Com saber enciclopédico e inesgotável curiosidade intelectual, afrontou o desafio de fundar a crítica de artes num país avesso à reflexão sistemática. Em “O artista e o artesão”, aula inaugural do curso de Filosofia e História da Arte, de 1938, Mário defende a apropriação da técnica do artesão pelo artista, mas adverte: somente a sua dimensão humana o elevará a essa condição. “A arte é social. A obra do artista não tem preço, não se vende, é patrimônio comum.” Mário foi comprovadamente um professor dedicado e humilde, sempre disposto a aprender.

Nunca viajou à Europa, como faziam corriqueiramente seus amigos modernistas, mas vasculhou os recantos mais remotos do Brasil, em busca desse país intangível. Norte e Nordeste foram esquadrinhados em pesquisas musicais, antropológicas, fotográficas. Nessa jornada, encontrou tipos humanos extraordinários, como o cantador de cocos Chico Antônio, que despertou em Mário “uma das comoções mais formidáveis da minha vida”. O turista aprendiz, diário dessas viagens é o roteiro certo para tornar brasileiro um mero cidadão do Brasil.

Mário de Andrade foi um carteador compulsivo. Estima-se que tenha escrito cerca de sete mil cartas, muitas ainda inéditas. Ele dizia que descansava escrevendo cartas. Entre seus interlocutores privilegiados estão Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. A conversa de Mário com esses dois grandes poetas, já publicada, constitui um patrimônio literário raro mesmo nas literaturas mais desenvolvidas.

Moderno, militante, participativo, Mário era portador de um autêntico desejo de comunicação, de compartilhamento. Fosse vivo, estaria pendurado nas redes sociais, opinando, polemizando, ensinando. Produziu sua obra para “dar uma alma ao Brasil”.

CARLOS AUGUSTO CALIL É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE CINEMA, TELEVISÃO E RÁDIO DA USP. CURADOR DA MOSTRA MORADA DO CORAÇÃO PERDIDO, NA CASA DE MÁRIO DE ANDRADE

Minha mãe Antonietta foi aluna de Mário de Andrade no Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Matéria: História da Música.

Leia:

http://www.edgardpocas.com.br/category/qualquer-nota/minha-mae-e-o-lente-mario-de-andrade/

João Gilberto • A Roupa do Leão

sábado, Janeiro 16th, 2016

João Gilberto é o maior descolador de músicas.  É Luxo Só, Morena Boca de Ouro, Rosa Morena, Aos Pés da Cruz, Doralice, Trevo de Quatro Folhas, Saudade da Bahia, Bolinha de Papel, A Primeira Vez, Samba da Minha Terra, Trenzinho, foram descoladas pelo feiticeiro de Juazeiro; gravadas nos seus tres primeiros LPs. Na sequencia foram outras tantas.

Ora vejam só o que eu descolei:

A Roupa do Leão, do LP José Vasconcellos conta histórias de Bichos – comprado em 1962 na Eletrolândia, à rua São Bento em São Paulo –  introduzidas por vinhetas interpretadas por artistas do casting da antiga Odeon.

01- O Presunto do Jacaré – Celly Campello
02 – A Roupa do Leão – João Gilberto
03 – O Elefante Tarzan – Noriel Vilela
04 – Vicente, o Peru diferente – Normal Benguell
05 – O Rato Cangaceiro – Trio Irakitan
06 – Rosa , a Macaca Famosa – Anisio Silva
07 – A Barata Serafina – Elza Soares
08 – Panchito o Galo Tenor – Trio Esperança
09 – A Pirraça da Tartaruga – Stelinha Egg
10 – O Gato Raulino – Moreira da Silva

Ouçam o rei João:

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Essa, acho eu que nem o Caetano sabe.

Toquei A Roupa do Leão pro João, pelo telefone é claro, numa madrugada sonora na casa da grande Lú Medeiros, sua amiga, aqui de São Paulo. Ele gostou e a gente ficou falando de música.

Depois tocou Da Cor do Pecado e o som ficou pendurado que nem uma luz no céu.

Um abraço do João no meu violão

P.S.: João, em 1961, me ensinou boa parte do Abraço no Bonfá. 

Pelo telefone.

Maria em Pessoa.

sexta-feira, Janeiro 15th, 2016

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,

Relembro, velando em modorra incômoda,

Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.

Relembro, e uma angústia

Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.

O irreparável do meu passado – esse é que é o cadáver!

Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.

Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.

Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,

Na ilusão do espaço e do tempo,

Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;

O que só agora vejo que deveria ter feito,

O que só agora claramente vejo que deveria ter sido –

Isso é que é morto para além de todos os Deuses,

Isso – e foi afinal o melhor de mim – é que nem os Deuses fazem viver…

Se em certa altura

Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;

Se em certo momento

Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;

Se em certa conversa

Tivesse dito as frases que só agora, no meio-sono, elaboro –

Se tudo isso tivesse sido assim,

Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro

Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,

Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;

Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;

Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,

Claras, inevitáveis, naturais,

A conversa fechada concludentemente,

A matéria toda resolvida…

Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

O que falhei deveras não tem ‘sperança nenhuma

Em sistema metafísico nenhum.

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,

Mas poderei levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?

Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.

Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos,

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca

Como uma verdade de que não partilho,

E lá fora o luar, com a esperança que não tenho, é invisível p’ra mim.

Álvaro de Campos.

Se eu morresse amanhã (Antonio Maria).

Voz:Dircinha Batista