
Amanhã faz cincoenta anos que o nosso Indio de Casaca foi embora. Se mudou pra outra tribo e deixou pro mundo um Amazonas de musica.
Será que o menino Tuhú sabia que sua pipa ia voar tão alto?
Morreu Heitor Villa-Lobos.
Lembro quando li na Gazeta que não existe mais. Tinha 13 anos e alguma idéia do que era sua musica. Minha mãe Antonietta era professora de piano formada pelo Conservátorio Dramático Musical de São Paulo e tocava uma redução, do próprio Villa, do Preludio da Bachiana nº4 que bem que podia ser o Hino Nacional da Musica. Foi aluna de Mário de Andrade. História da Arte.
Passei décadas perguntando a ela como era o nosso Multimário. E sempre a mesma resposta. Só variava a entonação mantendo o sotaque do Brás. Naquele tempo bairro tinha sotaque:
- Ih, ele era sério… muito sério.
Um dia, diante da mesmisse da resposta, frustrado, queimei o pé:
- Ô mãe, pode mentir pra mim! Inventa, pô!
Voltando ao nosso grande Villa, tive a honra de estudar sua obra para violão. O Concerto para Violão e Orquestra merece ser ouvido em prantos, como diziam os Vinicius de Moraes.
Logo, logo a obra do vitorioso Heitor Villa-Lobos, assim como a de Bach sua paixão musical, será folclore da Terra.
Seguem postadas quatro faixas do CD Villa Lobos e Carlos Gomes Para Crianças que fiz para a revista CARAS e aproveito para agradecer à direção da revista a oportunidade de homenagear o nosso genial compositor.
Viva Villa-Lobos!
PS: Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim reverenciava sua a musica e sua devoção pela natureza.
Canta, canta mais, Modinha, Brasilia, Sinfonia da Alvorada, estão aí e não me deixam mentir.
Uma ocasião ouvi o Tom dizer:
- Tudo tem fim, até o Tom Jobim.
No caso de Heitor Villa-Lobos, Antonio Carlos Jobim e Mário de Andrade, discordo!
Dona Antonietta nem se fale.
Villa-Lobos e as Crianças
Aí estão quatro faixas do CD “Villa-Lobos e Carlos Gomes para Crianças” que fiz para a revista CARAS. São quatro Cirandinhas, bem mais simples que as Cirandas, arranjadas pelo divino mestre.
Dúvida Descartada
Penso
Logo existo
Penso
Comfuço, pensador dinamarquês
Degraus da vida
Ora flor
Ora espinho
Que nem o
Nelson Cavaquinho
Stanislaw Cabral, jornalista e compositor