Archive for the ‘ALMANAQUE QUALQUER NOTA’ Category

Viva Antonio Carlos Jobim!

sexta-feira, dezembro 8th, 2017

Viva Tom Jobim!

25 de janeiro. Aniversário de São Paulo, e do maior compositor de música popular de todos os tempos! Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim!

 

Semibreves

• Wave

Era o tempo dos radinhos Spika, dos primeiros disk-jockeys e meu programa o que se chama hoje de maior jazz. Com uma vassoura velha de microfone eu mandava para o ar os grandes sucessos o Hit Parade da discoteca do meu pai. Mantovani, Percy Faith, Chuck Berry, Teddy Reno, Carlos Gardel, Sammy Davis Jr, Dean Martin, Angela Maria, Dorival Caymmi, Rosemary Clooney… O primeiro lugar vinha sendo dia-dia disputado pelo Frankie Layne, com Jezebel e Black Gold, pelo Roy Hamilton, com Ebb Tide e Unchained Melody, e pelos Diamonds com Little Darling, o estouro do ano.

“Oh little darling

Tchup tchu-ara

Tchup tchu-ara

Oh little darling

Oh oh oh oh”

A versão em português foi gravada pela Lana Bittencourt e tambem estourou, mas, do lado B, vinha uma canção pelo ar,

Se Todos Fossem Iguais a Você, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, que ficou semanas no topo da parada.

E não mais que de repente veio Chega de Saudade e o disk-jockey deixou a rádio no ar, e partiu pra ser compositor.

 •

• Off-Key

Fotografou o som

com sua Rolleyflex

revelou-se a sua enorme inspiração.

 

• One Finger

Luiz Roberto Mello e Souza Oliveira, paulista do Leblon, músico e tomaníaco, numa visita ao Colégio Mello e Souza, no Rio de Janeiro, encontrou nos seus arquivos, o script de uma peça, representada pelos alunos.

O autor, não lembro quem era. No papel de Dr. Carrapatoso, o garoto Antonio Carlos Jobim. Aquele um.

 

• Meditação

Antonio

Carlos

Brasileiro

de

Almeida

Jobim

Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim

Tom Mixer.

 Outras notas, mas, a base é uma só.

#1. O grande Ronaldo Bôscoli, letrista de “Lobo Bôbo”, “Barquinho”, “Saudade Fez um Samba”, “Você”, e tantas outras da Bossa Nova, por pouco não foi o letrista de um certo tema que Tom Jobim mostrou, em primeira mão, pra ele. Chegou a fazer um esboço, mas foi seu cunhado Vinícius de Moraes, quem acabou escrevendo a letra de “Garota de Ipanema”

#2. Vinícius não acertou de cara na letra da Garota e quem quiser conhecer uma tentativa (Menina que Passa) leia “Antonio Carlos Jobim, uma Biografia”, de Sérgio Cabral, Ed. Lumiar. Tem também no Cancioneiro Jobim.

#3. Ronaldo Bôscoli reinvindicava que foi ele quem apresentou o Tom a Vinicius, do Lúcio Rangel e a história do Orfeu.

#4. Tom, Bôscoli e João Gilberto fizeram 2 músicas. Uma, ninguém lembra mais, e a outra,

Só a saudade assim, faz um dia a gente saber que o amor existe, sim.

Só um dia assim, faz a gente sentir que o amor chegou ao fim…,

ficou, segundo o maestro, um plágio de “Meditação”, também dele em parceria com Newton Mendonça.

#5. Ronaldo Bôscoli foi quem escreveu os versos para a introdução recitativa do “Desafinado”: Quando eu vou cantar você não deixa…

#6. Segundo ele, nas músicas de Tom, os nomes de mulher de mulher citados explícitamente não tem nada a ver. Ana Luiza, Lígia etc… todos esses nomes são códigos. Inclusive Ângela, que ele fez para o Roberto Carlos – o qual, aliás, estupidamente, a esnobou – é linda. Miéli e eu praticamente obrigamos o Rei a cantá-la num show – e ele finalmente a cantou, entre um e outro pot-pourri de seus sucessos.

#7. Bôscoli afirma que também colaborou em Luíza com sete cores, sete mil amores.

A resposta do Tom, e a confirmação dessas dicas, vocês encontram no livro Eles e Eu – Memórias de Ronaldo Bôscoli, por Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves, Editora Nova Fronteira.

#8. A música Corcovado, pra mim, a cara da bossa nova, ia começar dum jeito nada condizente com seus estatutos anti cubo das trevas (assim, Tom chamava as antigas boites onde ele tocava correndo atrás do aluguel) e que parecia um samba canção:

Um cigarro um violão…

Quem deu o toque, e Tom aceitou, foi o mago de Juazeiro, João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, e ficou assim:

Um cantinho e um violão…

#9. Tom nasceu em 25 de janeiro – aniversário de São Paulo, Chega de Saudade, com João Gilberto estourou em São Paulo, e, no início dos anos sessenta apresentava um programa de televisão na TV Paulista, canal 5! Acredite quem quiser! O programa chamava-se O Bom Tom e eu tive a felicidade de assistir vários deles. Lembro dos programas com João Gilberto, Luís Bonfá, Ronaldo Bôscoli. Jamais vou esquecer de Vinícius, Aloysio de Oliveira e Sylvia Telles, abraçados, dançando e cantando Eu preciso de você, como se fosse um canção, com o maestro soberano ao piano.

Como o sol precisa de um poente

Eu preciso de você

Só de você

Como toda orquestra de um regente

Eu preciso de você

Só de você…

É duro aceitar que não temos sequer um fotograma de O Bom Tom. Incrível é que o programa era o segundo lugar em audiência em São Paulo, perdendo apenas para o Cirquinho do Arrelia, no canal 7!

#10. Carinhoso.

LP (ou CD) do Século

Texto postado no site Clube do Tom em janeiro de 2000

Estamos nos aproximando da virada do século e pelo jeito que as coisas caminham o espaço pro genial está totalmente preenchido, visto que proliferam eleições e coleções dos melhores de tudo, em tudo que é assunto, e com um ano de antecedência.

É de se supor que ninguém mais acredita caber mais alguém nessa nau dos imortais que partiu (pra mim faz tempo), sabe-se lá para onde…

Nesta hipotenusa mental, como diria o grande Cyro Monteiro, já que estamos fechados para balanço, apresento o meu voto, que ninguém perguntou, diga-se, para o melhor CD ou LP deste século de musica popular:

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Beleza, charme, técnica, afinação, repertório, execução, balanço, mixagem, sonoridade, harmonia, timbrística, delicadeza, discrição, amor pelo trabalho, profissionalismo, coração. Bossa.

O maior cantor de todos os tempos e o maior compositor da música popular.

Um telefonema, do próprio Frank, pro Bar Veloso, deu o chute inicial.

As gravações, com os belíssimos arranjos de Claus Ogerman, iniciaram dia 30 de janeiro de 1967 as 20 horas.

A formação da orquestra era de 10 violinos, 4 violas, 4 cellos, 3 flautas, trombone, contrabaixo, piano e 2 bateristas, um para as músicas americanas, e o Dom Um Romão para as brasileiras, que atendeu, a um pungente pedido do Tom : – Se você não vier, vou entrar por um cano que não tem tamanho!

É lógico que tinha violão, o violãozinho que o Astênio Claustro Fobim dizia não tocar bem, mas que era o mais bem colocado, mais suingado, preenchendo os espaços com elegância, sem malabarismos, o mais bonito de toda Bossa Nova.

(João Gilberto é outro assunto).

E os contracantos geniais, as “inner voices” que o nosso Maestro fazia magistralmente.

Ouçam o CD, que foi remixado, com mais algumas intervenções geniais, que não aparecem no LP. Por exemplo, a “baixaria “ que o Tom faz em I Concentrate on You enquanto o Frank está cantando, o final de Garota de Ipanema (aliás a melhor gravação desta), e outras mais.

A primeira música gravada foi Baubles, Bangles and Beads. Sinatra não gostou: – Preciso botar menos gelo nos meus drinques!

Mandaram o Tom cantar mais alto. Sinatra aconselhou :

– Abra o paletó, mostre o colete à prova de balas e cante.

Mataram às 20h e 45m, no setimo take.

A primeira música do Tom que o Frank gravou foi Dindi, que terminou lá pelas 23 horas com o comentário do “The Voice” :

– Porra, que beleza de canção!

Sinatra brincou com Ogerman e Tom sobre a delicadeza e suavidade dos arranjos : – Não canto assim desde que tive faringite !

Foram três noites de gravação, jantares e drinques, e o resultado foi eleito pela crítica americana como o àlbum do ano.

Para mim esses dois batutas produziram o tal biscoito fino, o melhor do século!

Quem quiser que mostre outro.

Como diria o sublime Baden Powell: – Encosta pra ver se dá!

O homem cordial e bondoso.

• E voltei pra minha nota

#10. Um dia, papeando com o maestro soberano contei a ele que minha mãe se formou em piano no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, onde foi aluna de Mário de Andrade, em História da Música; ele abriu um sorriso e disse:- Que bom, Edgard, os paulistas são formidáveis e os Andrades (Oswald e Mário) são dois craques!

Aproveitei a chance, e brincando, falei, que ele estava devendo uma musica para São Paulo, afinal ele nasceu no dia 25 de janeiro. Ele disse que estava fazendo; aqui está ela:

#11. Apostaria todas minhas colcheias que o Prelúdio Nº3, para violão, de Heitor Villa-Lobos, foi motivo de inspiração para a maravilha que é Saudades do Brasil.

#12. O trisavô paterno do compositor, José Martins da Cruz Jobim, era natural de Jovim, Gondomar, Portugal. O sobrenome Jobim alude a essa localidade. Atão, ora pois: será que aí não tem a troca “B” pelo “V” e bice bersa, ó pá?

 

Viva o nosso Tom!

 Rei, que nem Pelé!

 Tom brasileiro!

 

Saudade de um papo com Tom Jobim. João Ubaldo Ribeiro.

sexta-feira, dezembro 8th, 2017

Maravilha de texto!

Galinhas e Porcos

Publicado na coluna Ponto de Vista, no jornal O Estado de São Paulo

João Ubaldo Ribeiro

Como sabem nossos amigos comuns e algumas perplexas testemunhas eventuais, Tom Jobim e eu partilhávamos da condição de biólogos amadores, eu mais afeito aos reinos protista e monera (protozoários, preferivelmente; não acho tanta graça em bactéria que, alem de tudo, dá muito trabalho para espiar) e à classe dos mamíferos, ele bastante especializado em ictiologia e, principalmente, ornitologia.Tínhamos discussões acirradíssimas e, quando era ave, ele sempre ganhava. Ganhei em alguns peixes e ganhava quase sempre nos mamíferos, constando até hoje nos anais da Plataforma minha célebre palestra sobre reprodução entre felinos (Felis Cattus domesticus), que, infelizmente o horário não me permite transcrever. Ficávamos, portanto, mais ou menos pau a pau, a não ser nas aves, em que ele era imbatível.

Embora o forte dele mesmo fosse urubu, entendia bastante de  galinha. Não deixava de comer galinha de vez em quando (foi ele que inventou a expressão “frango atropelado” para designar aquele frango inteiro achatado),  mas era, como também eu, um severo critico das injustiças cometidas contra essa ave que, se desaparecesse de repente, poria em perigo a sobrevivência da humanidade, a começar pela sua fama de promíscua.(E conseqüentes observações cafajestas, como “aqui  tem mulher que não pode tomar banho quente, senão vira canja”.)Promíscuo é o galo, que só trabalha em regime de harém exclusivo, violenta as galinhas a torto e a direito e tenta matar o galo que quer se meter em seu terreiro.(Apesar disso, devido a sua proverbial rapidez de execução, chamar o sujeito de “galo” também não deixa de ser depreciativo).

Tom me contou que nos Estados Unidos, são uns 7 bilhões de frangos por ano. Você pode pensar que imagina o que são 7 bilhões de frangos, mas não imagina.  Os Oswalds de Souzas entre vocês provavelmente verificarão que, para  contar esses frangos um a um, sem fazer mais nada, o sujeito levaria uns 200 anos. A vida autorizada desses frangos, confinados, debicados (tiram as pontas dos bicos deles, porque muitos ficam malucam e bicam a si e aos outros) é de 7 a 8 semanas. Ninguém quer perder tempo com frango, cada dia eles atingem mais rapidamente o peso ideal, de cerca de 2  quilos e meio.

E os ovos? São calculadamente 600 bilhões de ovos, no mundo todo. Ninguém tão pouco pode imaginar o que são 600 bilhões de ovos e a falta que iam fazer. As poedeiras vivem um pouquinho mais do que os frangos de corte, porque, para sorte delas, só começam a botar ovos (ou colocar ovos, como tenho lido várias  vezes na imprensa patrícia) depois de 5 a 6 meses, situação intolerável, que a indústria pesquisa para superar. As poedeiras trabalham fulltime, porque mantém o ambiente delas permanentemente iluminado. É uma espécie de fábrica. Elas ficam engaioladas, geralmente quatro a quatro, comendo umas bolotas de ração balanceada e alguns antibióticos, e botando ovos, que descem por uma espécie de rampa até uma esteira rolante, para serem lavados, classificados, embalados, etc. Tom disse que as americanas são excelentes poedeiras, mas a campeã é uma raça francesa pequenininha (pequenininha,  sim, mas com um subilatório destamanho), cujo nome agora esqueci. E, sim, depois que não botam mais ovos, como antigamente, são substituídos pela nova geração e transformadas em sopa, caldos e cubinhos.

Tom ficava revoltado com as indignidades a galinha é submetida. “Estão negando a ela até a condição de bicho”, me disse ele. “Deve ser porque, não sendo animal, não terá direito a ser defendida pelas associações protetoras de animais, que lá são muito chatas e ficam pegando no pé deles. Você imagine que eu li num papel do Departamento de Agricultura americano a seguinte definição de galinha: ‘A galinha é um sistema destinado à conversão de proteína vegetal em proteína animal’ . Pronto, não é mais bicho, é um sistema  de conversão de proteína”.

E houve o triste caso da galinha de Kentucky. Não tenho certeza de que foi mesmo no Kentucky, que nem é produtor significativo de galinhas, mas Tom também não se lembrava direito, de maneira que ficou sendo Kentucky (não tem quem não goste de dizer Kentucky, de vez em quando; é quase tão bom quanto Wyoming – tanto Tom quanto eu preferíamos Wyoming, mas também gostávamos de falar Kentucky] Foi uma pesquisa do Departamento de Agricultura americano, que, pelo visto, está para as galinhas assim como Torquemada para os ímpios.

É o seguinte, explicou Tom. Cerca de 30% da proteína consumida pela galinha vai para fazer as penas. Penas ér proteína. Um desperdício, porque a comercialização da pena – perdoe-me o caro amigo – não vale a pena. Assim, 30% da proteína vegetal destinada a ser transformada em carne são desperdiçados. Para que galinha quer pena, afinal? – raciocinaram os técnicos. Mera questão de vaidade, vamos acabar com isso. E, de fato, acabaram. Mexeram para lá, mexeram para cá e terminaram por produzir uma infeliz raça de galinhas sem penas, só umas besteirinhas aqui e ali. Mas  se deram mal. O consumidor rejeitou-a porque ficou com nojo da falta daqueles porozinhos das penas e, alem de tudo, ela era friorenta e requeria muitas despesas com aquecimento. Não sei o que foi feito da nova raça, suponho que sopa mesmo.

Mas o mundo não está perdido só para as galinhas. Outro bicho sem o qual também teríamos  dificuldades e que também é xingamento está igualmente virando um  sistema. Me mandaram uma reportagem velha do Wall Street Journal, que mostra como os porcos agora nem mais porcaria podem fazer, porque são produzidos e engordados em fábricas de porcos, onde só se entra depois de se tomar banho e de se envergar um traje especial esterilizado, inclusive a roupa de baixo. Sexo porcal, nem pensar.O reprodutor cobre uma porca artificial, em que se aplicaram os feromônios produzidos pela porca verdadeira no cio. As porcas são então inseminadas artificialmente:cerca de 500 por dia numa fábrica, mantidas em “cabines” de metal onde não podem nem virar-se. Fazem teste de ultra- som, com a obrigação de parir 10 a 11 bacorinhos.Depois de exatamente 115 dias de gestação, elas parem os bacorinhos, que são tatuados na orelha, tem os caninos amputados e os rabos cortados e os machos são castrados. Depois ela passa mais uns seis meses engordando na cabine e ai cai na faca.

Perguntarão vocês não sem razão, por que cargas d’água fico eu defendendo galinhas e porcos, em vez de me ocupar de coisas mais relevantes. Que coisas mais relevantes? Haverá coisas mais relevantes, mas vocês sabem muito bem quais são elas e todas elas nos deixam de mau humor ou com medo do futuro. Assim, é melhor conversar sobre galinhas e porcos, aposto como sua cultura suíno-galinácea melhorou muito. E, além disso amenizamos um pouco, ainda que muito palidamente, a saudade de um papo com o Tom.

 

Tom Jobim estava entre nós e a natureza. Por Arnaldo Jabor.

sexta-feira, dezembro 8th, 2017

Tom Jobim estava entre nós e a natureza.

 Arnaldo Jabor

Nunca fui íntimo de Tom. Nem ele era. Em nossos encontros, só pude recolher uns fragmentos que iam caindo do seu mistério e não cheguei a compor nenhuma clareza.

Só tive uma sensação de entendimento quando o vi no centro do Jardim Botânico, a cabeça encostada às flores do caixão. Seu rosto em paz parecia uma pequena serra coberta de flores; havia algo de mineral, de alguém voltando ao chão inicial, e aí percebi confusamente todo um processo detido no ar. E vi que nenhum mistério profundo ele nos revelaria.

Uma vez ele me falou, a propósito de sua infância mais funda, que alguma coisa tinha acontecido lá no “cubo de trevas” do passado. Esta expressão nunca me esqueceu (revisor, este é um uso castiço do verbo), e vejo que Tom viveu “fora” de alguma coisa, fora da vida normal, que ele ficou ao lado dos atobás caindo no mar e teve de se “ver” vivendo entre os discursos dos homens.

Não me interessa louvar o Tom, nem competir em literatura com a torrente de homenagens. Tom me interessa como uma máquina viva que ficou a meio-corpo fora da natureza, intermediário entre ela e nós. A mais alta função estética e ecológica, o artista purificando as águas.

Mas este “cubo de treva”, onde começou esta genial “anomalia”, podia ser sentido sempre no convívio com Tom, nos fragmentos das conversas. Tom falava por parábolas, no som das palavras, mais do que no sentido delas. Nunca estava onde queríamos.

Ele me anunciou a sua “causa mortis” há uns quinze anos, na beira da praia: “O médico me ameaçou de morte!”, me disse ele, tentando fazer um cooper canhestro, dentro de um abrigo Adidas. “‘Inadequate perfusion’, o médico falou, do meu coração!”

Ali estava um prenúncio da doença, mas ele se amarrava no som da expressão: “Iná-dequate”, repetia ele num inglês perfeito. “Perfusão inadequada”, aquela frase científica determinando seu destino lhe fazia rir. Só gostava dos significantes.

“I want the giant crab of the Alaska” (eu quero o caranguejo gigante do Alaska), pedia ele ao garçon do restaurante que havia na rua 58 em NY, “The Seafarer of the Aegean Sea” (O Marinheiro do Mar Egeu). Ele só ia ali por causa do nome remoto e homérico da casa. Repetia para mim: “The seafarer”… e “aegean” soava como um vento agudo e víamos o mar grego ali, azul, falésias. E o grande caranguejo do Alaska o contemplava e ele ao caranguejo e havia mais que um almoço ali. Nada era óbvio, corriqueiro. Os “jumbo shrimps” (“veja os camarões-gigantes!”) também o olhavam como a um colega, as lagostas ouviam, nadando no aquário. Só gostava dessas bobagens, que lhe ajudavam a evitar conversas óbvias e cheias de “sentido”.

“April is the cruellest of months, mixingg memory with desire…”, citou Eliott durante meses, que ele nunca teve o saco de ler com método e vagar.

Pegava o essencial, o melhor verso, e revirava-o até a exaustão ali, entre picanhas e chopes, e a metáfora ia definhando e virando um slogan de churrascaria e, aos poucos, a churrascaria em volta ficava profunda. Não seria esta a função da poesia? Aprofundar churrascarias?

Um dia, veio com o papo de que “Hollywood” era traduzível por “azevedo”. “Por quê?”, me perguntou. Por uma intuição fulminante, adivinhei (deve ter sido a faísca de minha ferradura): “Hully” é “azevinho” (planta rasteira) e “wood” (bosque) funciona como o sufixo “edo” em português para coletivos, que dá “vinhedo”, “arvoredo” etc. Ou seja: Hollywood é “bosque de azevinhos” ou “azevedo” (Caetano cita numa música). Por uns momentos, Tom me olhou com respeito e, a partir daí, começou um jogo, um metadiálogo que durou até semana passada.

Fazíamos um concurso eterno de palavras em inglês. Nos comunicávamos pelas bordas do “cubo de treva”. Eu ganhava dele em palavras arcaicas ou mais literárias, ele me dava banhos com legumes, peixes e passarinhos. Eu pescava minhas lembranças shakespereanas e lançava na mesa para pasmo dos garçons: “Que é ‘woe’?” Ele não sabia e eu triunfava: “É ‘aflição’, ‘lamento’… ahhh, ganhei!”

Aí ele replicava: “Tudo bem, e como é ‘chuchu’?” E eu não sabia. “Como é ‘berinjela’?” Eu não sabia. “‘Egg-plant”, é a planta ovo, o ovo roxo, ovo vegetal!”, ria o Tom, com seu rosnado doce, tomando chope. E assim, entre legumes, robalos e picapaus, íamos tecendo uma amizade oblíqua, sem nunca ter havido confissões.

Ele não aguentava caretice e cotidianos. Um dia, em Nova York, estávamos conversando com uns brasileiros que o admiravam, quando ele foi tomado de grande palidez e angústia, gaguejou uma desculpa e se enfiou no Central Park como que fugindo para a floresta. Cubo de treva.

Toda a viagem longa e solitária desde o “cubo de trevas” terminava ali e seu perfil no caixão parecia uma serra entre flores (mais tarde, no avião, vi por instantes seu perfil se encaixar lá embaixo nos morros do Rio). Tom voltava à natureza, de onde nos defendia contra os adjetivos.

Parecia ouvi-lo: “Berinjela, como é berinjela”?

“É fácil, Tom…”, respondi: “Beringela somos nós.”

Tom Jobim e Caetano Veloso. Possível Diálogo.

sexta-feira, dezembro 8th, 2017

Trecho extraído, da página 97, do livro Tons sobre Tom de  Márcia Cezimbra, Tessy Callado e Tarik de Souza Editora Revan.

Soube dessa história em 1981, numa entrevista de Caetano Veloso para Roberto D’Avila, no Canal Livre da TV Bandeirantes. O programa reuniu, na bancada de entrevistadores, Tom Jobim, Chico Anísio, Nara Leão, Susana de Moraes, Eduardo Mascarenhas, Marina, Antonio Cícero, Miriam Paglia Costa, Flávio Pinto Lira e Luiz Carlos Maciel.

Assista a um trecho, infelizmente muito pequeno, da entrevista.

http://www.youtube.com/watch?v=dpOq9waMwik

Diante dessa perda inestimável para a MPB, deixo aqui a sugestão para o nosso grande Caetano  letrar a melodia de Diálogo, fazendo uma parceria maisquedemais com Antonio Carlos Jobim; e mais: gravada em dueto com Gal Costa.

Diálogo é uma das faixas LP Wave, de 1967,  disco de engenho e arte; muita bossa.

Violão: Brasileiro de Almeida

Piano: Antonio Carlos Chopin

Entre no endereço abaixo e ouça o mestre:

http://letras.kboing.com.br/#!/tom-jobim

Mindinha de Villa-Lobos

sexta-feira, novembro 17th, 2017

Em 1974, convalescendo de uma terceira cirurgia corretiva na mão esquerda, entusiasmado com a possibilidade de voltar a estudar as peças do mestre, fui ao Rio de Janeiro conhecer o Museu Villa-Lobos; quem sabe não voltava a São Paulo com um convite para um estágio na Universidade de Cascadura?

O convite não veio, mas em compensação levei um papo inesquecível com Dona Mindinha, mulher do grande Villa, a quem ele dedicou, entre outras dezenas de peças, os Cinco Prelúdios Para Violão e as Nove Bachianas Brasileiras. 

Mindinha contou que numa noite em Nova York, Villa lhe convidou para assitir a um grande compositor, esse sim!, que iria se apresentar ao piano. O lugar, segundo ela era bem mixuruca, e o músico, numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók!

Coincidentemente, Villa-Lobos e Bartók tinham ouvido absoluto; compunham sem usar nenhum intrumento, ou seja, tudo na cuca.

Perguntei a ela se conhecia Antonio Carlos Jobim.

– Sim, claro tem melodias lindas, e ama a obra de Villa-Lobos. Uma ocasião esteve em casa, lá pelos anos 50, bebia bem esse moço, na hora da despedida perguntou brincando :

– Maestro, vende pra mim a ária da Bachiana Nº5?

O Villa riu e gostou. 

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim que amava a música de Villa-Lobos, estava começando sua carreira de compositor consagrado no mundo inteiro.

 Antônio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Depois de um cafezinho, Mindinha foi atender alguem e eu fiquei sozinho na sala com vários pertences do nosso Villa: batutas, piteiras, lápis, borrachas, óculos, partituras e veio a tentação de roubar um lápis – com prolongador.  Mindinha voltou a tempo de frustrar o assalto ao patrimônio nacional e eu confessei minha intenção.

– Edgard, que coisa feia!

– Dona Mindinha, é que esse lápis está encantado! Com ele até eu escrevo uma sinfonia!

Pois sim…

Ganhei várias partituras e dona Arminda de Villa-Lobos, entre elas a Melodia Sentimental, e vinte e dois anos depois mostrei à Zizi Possi que gravou no CD Mais Simples.

Clique para ampliar

Viva Villa-Lobos!

sexta-feira, novembro 17th, 2017

Hoje  é dezessete de novembro, dia em que o Indio de Casaca se despediu da tribo e deixou  um Amazonas de musica para a humanidade.

O menino Tuhú sabia que a pipa ia voar alto.

Diogo, meu pai, chegou a noitinha com o extinto jornal A Gazeta e a triste manchete – Morreu Heitor Villa-Lobos! Eu tinha 13 anos em 1959  e conhecia o Prelúdio, da Bachiana nº4 , que minha mãe  Antonietta tocava a transcrição para piano.

Por volta de 1964 havia um programa na rádio Eldorado de São Paulo cujo prefixo era uma música maravilhosa. Sabia que os intérpretes eram o Modern Jazz Quartet, pelo solo de vibrafone de Milt Jackson e o piano de John Lewis, mas e o compositor? Resolvi a questão na Eletroarte, antiga loja de discos na rua Augusta – onde eu costumava esconder  os discos de bossa nova, jazz, etc… atrás daqueles que eu imaginava pelos meus favoritos – com a ajuda do Toninho que sabia do meu truque e tambem me apresentava os ultimos lançamentos: era a ária da Bachiana nº 5, de Heitor Villa-Lobos, do LP The Sheriff . Gastei o disco. Villa-Lobos eentrou para sempre na minha seleção brasileira ao lado de Tom Jobim, João Gilberto, Pelé, Garrincha, Pixinguinha, Vinicius, Noël, Ary, Oscarito, Grande Otelo…

Aos vinte e um anos ouvi pela primeira vez os estudos e prelúdios para violão do nosso índio de casaca. O Brasil que eu sentia e não sabia explicar. Comprei as partituras e estudei que nem louco. Depois veio o Concerto para Violão e Orquestra, simplesmente o máximo. No Guia Prático, estudo folclórico musical achei a maquete  do gênio.

Tom Jobim reverenciou sua musica. Canta, canta mais, Saudades do Brasil, Brasilia, Sinfonia da Alvorada, são provas disso. Na corda da viola, em Stone Flower,  e A maré encheu, em Autopsicografia, letra de Fernando Pessoa, prováveis são lembranças dos seus estudos do Guia Prático. Se é por falta de adeus – nnazo tenho receio de dizer que fecha com uma citação do Trenzinho do Caipira.

Seguem quatro faixas do CD “Villa-Lobos e Carlos Gomes para Crianças” que produzi para a revista CARAS. São quatro Cirandinhas arranjadas pelo mestre para piano solo sequenciadas nos softwares Logic e Performer e executadas por um computador MacIntosh.

Carneirinho, carneirão

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O Cravo Brigou com a Rosa

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Todo Mundo Passa

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A Canoa Virou

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A imortalidade registrada pela música

“Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado ao fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então se percebia que era música, sempre fora música.

Assim é que eu vejo Heitor Villa-Lobos na minha saudade que está apenas começando, ao saber de sua morte, mas que não altera a visão antiga e constante.
Quem o viu um dia comandando o coro de quarenta mil vozes adolescentes, no estádio do Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo, tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora que seria possível conceber.

A multidão em torno vivia uma emoção brasileira e cósmica, estávamos tão unidos uns aos outros, tão participantes e ao mesmo tempo tão individualizados e ricos de nós mesmos, na plenitude de nossa capacidade sensorial, era tão belo e esmagador, que para muitos não havia outro jeito senão chorar, chorar de pura alegria.
Através da cortina de lágrimas, desenhava-se a nevoenta figura do maestro, que captara a essência musical de nosso povo, índios, negros, trabalhadores do eito, caboclos, seresteiros de arrabalde; que lhe juntara ecos e rumores de rios, encostas, grutas, lavouras, jogos infantis, assovios e risadas de capetas folclóricos”.

Carlos Drummond de Andrade

“Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos.

Manuel Bandeira, na revista Ariel, 1924.

 •

Sobre a inspiração:

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Viva Villa-Lobos!

P.S.:

 

Em 1974, convalescendo de uma terceira cirurgia corretiva na mão esquerda,

entusiasmado com a possibilidade de voltar a estudar as peças do mestre, fui ao Rio de Janeiro conhecer o Museu Villa-Lobos; quem sabe não voltava a São Paulo com um convite para um estágio na Universidade de Cascadura?

O convite não veio, mas em compensação levei um papo inesquecível com Dona Mindinha, mulher do grande Villa, a quem ele dedicou, entre outras dezenas de peças, os Cinco Prelúdios Para Violão e as Nove Bachianas Brasileiras. 

Mindinha contou que numa noite em Nova York, Villa lhe convidou para assitir a um grande compositor, esse sim!, que iria se apresentar ao piano. O lugar, segundo ela era bem mixuruca, e o músico, numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók!

Coincidentemente, Villa-Lobos e Bartók tinham ouvido absoluto; compunham sem usar nenhum intrumento, ou seja, tudo na cuca.

Perguntei a ela se conhecia Antonio Carlos Jobim.

– Sim, claro tem melodias lindas, e ama a obra de Villa-Lobos. Uma ocasião esteve em casa, lá pelos anos 50, bebia bem esse moço, na hora da despedida perguntou brincando :

– Maestro, vende pra mim a ária da Bachiana Nº5?

O Villa riu e gostou. 

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim que amava a música de Villa-Lobos, estava começando sua carreira de compositor consagrado no mundo inteiro.

 Antônio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Depois de um cafezinho, Mindinha foi atender alguem e eu fiquei sozinho na sala com vários pertences do nosso Villa: batutas, piteiras, lápis, borrachas, óculos, partituras e veio a tentação de roubar um lápis – com prolongador.  Mindinha voltou a tempo de frustrar o assalto ao patrimônio nacional e eu confessei minha intenção.

– Edgard, que coisa feia!

– Dona Mindinha, é que esse lápis está encantado! Com ele até eu escrevo uma sinfonia!

Pois sim…

Ganhei várias partituras e dona Arminda de Villa-Lobos, entre elas a Melodia Sentimental, e vinte e dois anos depois mostrei à Zizi Possi que gravou no CD Mais Simples.

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Assista trechos do meu depoimento para o documentário Villa-Lobos
“O Tempo e a Música”.

Viva Nássara!

sábado, novembro 11th, 2017

Em 1962, o violonista Paulinho Nogueira me emprestou o LP 45 rpm Polêmica, capa do caricaturista Nássara, compositor e parceiro de Noël. Segundo Millor Fernandes, Antônio Gabriel Nássara (1910- 1996) foi o Mondrian do portrait-charge,… (ele) corrige a natureza fazendo com que as personagens acabem se parecendo com a caricatura.

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Vinte e seis anos depois ganharia de presente suas ilustrações da História do Brasil que escrevi para o encarte do LP Pindorama do grupo Pau Brasil (Nelson Ayres: piano e teclados, Paulo Bellinati: guitarra e violão, Roberto Sion: Sax e Flauta, Rodolfo Stroeter: baixo acústico e elétrico, Bob Wyatt: bateria).

Numa manhã Nássara liga para minha casa:

– Aqui é o Nássara. Ouça, não adianta falar nada que eu sou surdo: voce fez um épico do carnaval!

E desligou.

Chorei de emoção.

Alá-la-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô!

 

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http://www.dicionariompb.com.br/nassara/dados-artisticos

O Rei e eu.

segunda-feira, outubro 23rd, 2017

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Liga o Diogo meu filho:

– Pai, o Pelé vem gravar um comercial aqui no estúdio, hoje às quatro!

Fui correndo.

Depois de abraçá-lo – confesso que chorei – mandei essa:

– Pelé, a tua sorte foi que eu gostava de música!

O rei respondeu de primeira:

-Não vem me dizer que você com essa cara jogava futebol!

E eu fiquei pensando quantas vezes êle deve ter ouvido êsse lero…

 

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Hoje  é dia 23 de outubro dia do nascimento do rei.

Viva Pelé!

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Dia da Criança.

quinta-feira, outubro 12th, 2017

Broze ou Tudedo

 Paul Mounsey  e Edgard Poças

Outu dia de brodoze,

Da cridia é o ança!

É um quedo de brindia,

De esfolia e perança!

Mistedo, segrério,

Gria que não alecansa:

– Viva o quedo de brindia!

– Cria viva o dia dança!

Doze de Outubro

 

Dia doze de outubro

É o dia da criança!

É um dia de brinquedo,

De folia e esperança!

De mistério, de segredo,

Alegria que não cansa:

– Viva o dia de brinquedo!

– Viva o dia da criança!

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Solo: Mônica Salmaso (é dez!)

Côro infantil: Karina, Rodrigo, Felipe, Baby, Leandro, Laís e Letícia.

Côro adulto: Ringo, Caio Flávio, Ângela Márcia e Maria do Carmo. Obrigado crianças!

Dia da Criança

 Sarah Regina e Edgard Poças

Todos dias são iguais

Mas tem um que é muito mais

É um um dia que é um sonho

De amor e fantasia

Dia de superheróis

E de lendas encantadas

Aventuras e mistérios

E supergargalhadas

De voar e de brincar com a imaginação

Esse mundo é uma bola

É um pião

Roda roda pula pula

Viva viva a emoção

Rola bola gira mundo

Bate forte coração

Doze de outubro é o nosso dia

Dia do tamanho da alegria

Doze de outubro

Dia de esperança

Dia de brinquedo

Dia da Criança

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Solo: Eliana


Theloniuos Monk

terça-feira, outubro 10th, 2017

Theloniuos Sphere Monk.

O monge das esferas.

Newton tocando para Einstein

Straight no chaser.

Melodious Tonk

diria Nellie

ao crepúsculo.

Smoke gets in your eyes.

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(Rocky Mount, 10 de outubro de 1917 — Weehawken, Nova Jérsei, 17 de fevereiro de 1982)