Archive for the ‘ALMANAQUE QUALQUER NOTA’ Category

Viva Antonio Carlos Jobim!

segunda-feira, janeiro 25th, 2021

Viva Tom Jobim!

25 de janeiro. Aniversário de São Paulo, e do maior compositor de música popular de todos os tempos! Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim!

Semibreves

• Wave

Era o tempo dos radinhos Spika, e dos primeiros disk-jockeys; eu era um.  Com uma vassoura velha como microfone, ia mandando para o ar o Hit Parade da discoteca do meu pai. Grandes sucessos . Mantovani, Percy Faith, Chuck Berry, Teddy Reno, Carlos Gardel, Sammy Davis Jr, Dean Martin, Angela Maria, Dorival Caymmi, Rosemary Clooney… O primeiro lugar vinha sendo dia-dia disputado pelo Frankie Layne, com Jezebel e Black Gold, pelo Roy Hamilton, com Ebb Tide e Unchained Melody, e pelos Diamonds com Little Darling, o estouro do ano.

“Oh little darling

Tchup tchu-ara

Tchup tchu-ara

Oh little darling

Oh oh oh oh”

A versão em português foi gravada por Lana Bittencourt e também estourou, mas, do lado B, vinha uma canção pelo ar, uma cidade a cantar, uma mulher a cantar “Se Todos Fossem Iguais a Você”, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, que conquistou a audiência e ficou semanas no topo da parada. Foi a primeira vez que vi o nome dessa sublime parceria.

E, um pouco mais que de repente, chegou “Chega de Saudade”, e o disk-jockey largou a rádio no ar, e tratou de aprender violão.

 •

• Tom

Fotografou o som

com sua Rolleyflex

revelou-se a sua enorme inspiração.

• One Finger

Meu amigo e parceiro Luiz Roberto Mello e Souza Oliveira, paulista do Leblon, músico e tomaníaco, numa visita ao Colégio Mello e Souza, no Rio de Janeiro, encontrou nos seus arquivos, o script de uma peça, que foi representada pelos alunos, lá pelos anos trinta do século passada.

O autor, não sei quem era. mas, no papel de Dr. Carrapatoso, estava o garoto Antonio Carlos Jobim.

Aquele um.

• Meditação

Antonio

Carlos

Brasileiro

de

Almeida

Jobim

Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim

Tom Mixer.

 • Outras notas, mas, a base é uma só.

#1. O grande Ronaldo Bôscoli, letrista de “Lobo Bôbo”, “Barquinho”, “Fim de noite”, “Saudade Fez um Samba”, “Você”, e muitas outras da Bossa Nova, por pouco não foi o letrista de um tema que Tom Jobim mostrou a ele em primeira mão. Chegou a fazer um esboço, mas foi seu cunhado Vinícius de Moraes, quem acabou escrevendo a letra de “Garota de Ipanema”.

#2. Vinícius não acertou de cara na letra, e quem quiser conhecer uma tentativa (Menina que Passa),leia “Antonio Carlos Jobim, uma Biografia”, de Sérgio Cabral, Ed. Lumiar. Tem também no Cancioneiro Jobim.

#3. Ronaldo Bôscoli reinvindicava que foi ele quem apresentou o Tom a Vinicius, e não o Lúcio Rangel, na lendário Casa Villarino Bar.

#4. Tom, Bôscoli e João Gilberto fizeram 2 músicas em parceria!               Uma, ninguém lembra mais, e a outra,  

Só a saudade assim, faz um dia a gente saber que o amor existe, sim.             Só um dia assim, faz a gente sentir que o amor chegou ao fim…

ficou, segundo o maestro, um plágio de “Meditação”, também dele, em parceria com Newton Mendonça.

#5. Ronaldo Bôscoli foi quem escreveu os versos para a introdução recitativa do “Desafinado”: Quando eu vou cantar você não deixa…

#6. Segundo ele, os nomes de mulher de mulher citados nas músicas de Tom, não tem nada a ver. Ana Luiza, Lígia etc… todos esses nomes são códigos. Inclusive Ângela, que ele fez para o Roberto Carlos – o qual, aliás, estupidamente, a esnobou – é linda.                                                                         –  Miéli e eu praticamente obrigamos o Rei a cantá-la num show – e ele finalmente a cantou, entre um e outro pot-pourri de seus sucessos.

#7. Bôscoli afirma também que colaborou em Luíza com sete cores, sete mil amores.

A resposta do Tom, e a confirmação dessas dicas, vocês encontram no livro Eles e Eu – Memórias de Ronaldo Bôscoli, por Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves, Editora Nova Fronteira.

#8. A música Corcovado, pra mim, a cara da bossa nova, começava originalmente, com cara de samba canção:

                                          Um cigarro um violão….       

nada condizente com os estatutos ensolarados da BN, remetendo ao Cubo das Trevas – assim, Tom chamava as antigas boites esfumaçadas onde ele tocava seu pianinho, correndo atrás do aluguel.

Quem deu o toque, e Tom aceitou, foi o mago de Juazeiro, João Gilberto      do Prado Pereira de Oliveira, e ficou assim:

Um cantinho e um violão…

#9. Tom nasceu num dia 25 de janeiro – aniversário de São Paulo, e “Chega de Saudade”, com João Gilberto estourou em São Paulo, e, no início dos anos sessenta apresentava um programa de televisão na TV Paulista, canal 5! Acredite quem quiser! O programa chamava-se “O Bom Tom” e eu tive a felicidade de assistir vários deles. Lembro dos programas com João Gilberto, Luís Bonfá, Ronaldo Bôscoli. Jamais vou esquecer de Vinícius, Aloysio de Oliveira e Sylvia Telles abraçados, dançando e cantando “Eu preciso de você”, como se fosse um can can, com o maestro soberano ao piano.

Como o sol precisa de um poente

Eu preciso de você

Só de você

Como toda orquestra de um regente

Eu preciso de você

Só de você…

É duro aceitar que não temos sequer um fotograma de “O Bom Tom”. Incrível é que o programa era o segundo lugar em audiência em São Paulo, perdendo apenas para o Cirquinho do Arrelia, no canal 7!

#10. Carinhoso.

LP (ou CD) do Século

janeiro de 2000

Estamos nos aproximando da virada do século, e pelo jeito que as coisas caminham, o espaço pro genial está totalmente preenchido, visto que proliferam eleições e coleções dos melhores de tudo, de tudo que é assunto, e com um ano de antecedência.

É de se supor que, ninguém mais acredita caber mais alguém, nessa nau dos imortais que partiu, no oceano sem praias…

E, já que estamos fechando para balanço, apresento o meu voto, que aliás, ninguém perguntou, para o melhor CD ou LP deste século de musica popular:

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Beleza, charme, técnica, afinação, repertório, execução, balanço, mixagem, sonoridade, harmonia, timbrística, delicadeza, discrição, amor pelo trabalho, profissionalismo, coração. Bossa.

O maior cantor de todos os tempos e o maior compositor da música popular.

Um telefonema, do próprio Frank, pro Bar Veloso, deu o chute inicial.

As gravações, com os belíssimos arranjos de Claus Ogerman, iniciaram dia 30 de janeiro de 1967 as 20 horas.

A formação da orquestra era de 10 violinos, 4 violas, 4 cellos, 3 flautas, trombone, contrabaixo, piano e 2 bateristas, um para as músicas americanas, e o Dom Um Romão para as brasileiras, atendendo a um pungente pedido do Tom : – Se você não vier, vou entrar por um cano que não tem tamanho!

E aquele violãozinho do Astênio Claustro Fobim  “que não tocava bem”, mas que tocava como ninguém, bem colocado, suingado, preenchendo os espaços com elegância, e sem malabarismos, o violão mais bossa nova de toda Bossa Nova.

(João Gilberto é outro assunto).

Contracantos geniais, as chamadas  “inner voices”, que o nosso Maestro fazia magistralmente.

O CD, remixado, contem algumas intervenções geniais, que não aparecem no LP. Por exemplo, a “baixaria “ que o Tom faz em “I Concentrate on You” enquanto o Frank está cantando, o final de “Garota de Ipanema” (aliás a melhor gravação desta música, (São João que me perdoe) e outras mais.

A primeira música gravada foi “Baubles, Bangles and Beads”. Sinatra não gostou: – Preciso botar menos gelo nos meus drinques!

Mandaram o Tom cantar mais alto. Sinatra aconselhou :

– Abra o paletó, mostre o colete à prova de balas e cante.

Mataram às 20h e 45m, no setimo take.

A primeira música de Tom Jobim que o Frank gravou foi Dindi, que terminou lá pelas 23 horas com o comentário do “The Voice” :

– Porra, que beleza de canção!

Sinatra brincou com Ogerman e Tom sobre a delicadeza e a suavidade dos arranjos : – Não canto assim desde que tive faringite !

Foram três noites de gravação, jantares e drinques, e o resultado foi eleito pela crítica americana como o àlbum do ano.

Para mim esses dois batutas produziram o tal biscoito fino, o melhor do século!

Quem quiser que mostre outro.

Como diria o nosso Baden Powell: – Encosta pra ver se dá!

O homem cordial e bondoso.

• E voltei pra minha nota

#10. Um dia, papeando com o maestro soberano, contei a ele que minha mãe se formou em piano no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, onde foi aluna de Mário de Andrade, em História da Música; ele abriu um sorriso e com seu jeito cordial disse:- Que bom, Edgard, os paulistas são formidáveis e os Andrades (Oswald e Mário) são dois craques!

Brincando, aproveitei a chance e falei, que ele estava devendo uma musica para São Paulo, afinal ele nasceu no dia 25 de janeiro, e ele disse que estava fazendo. Aqui está ela:

#11. Apostaria minhas colcheias que o “Prelúdio Nº3”, para violão, de Heitor Villa-Lobos, foi motivo de inspiração para a maravilha que é “Saudades do Brasil”.

#12. O trisavô paterno do compositor, José Martins da Cruz Jobim, era natural de Jovim, Gondomar, Portugal. O sobrenome Jobim alude a essa localidade.

Ora pois: será que aí não houve a troca “B” pelo “V” e bice bersa, ó pá?

Viva o nosso Tom!

 Rei, que nem Pelé!

 Tom brasileiro!

Saudade de um papo com Tom Jobim. João Ubaldo Ribeiro.

segunda-feira, janeiro 25th, 2021

Maravilha de texto!

Galinhas e Porcos

Publicado na coluna Ponto de Vista, no jornal O Estado de São Paulo

João Ubaldo Ribeiro

Como sabem nossos amigos comuns e algumas perplexas testemunhas eventuais, Tom Jobim e eu partilhávamos da condição de biólogos amadores, eu mais afeito aos reinos protista e monera (protozoários, preferivelmente; não acho tanta graça em bactéria que, alem de tudo, dá muito trabalho para espiar) e à classe dos mamíferos, ele bastante especializado em ictiologia e, principalmente, ornitologia.Tínhamos discussões acirradíssimas e, quando era ave, ele sempre ganhava. Ganhei em alguns peixes e ganhava quase sempre nos mamíferos, constando até hoje nos anais da Plataforma minha célebre palestra sobre reprodução entre felinos (Felis Cattus domesticus), que, infelizmente o horário não me permite transcrever. Ficávamos, portanto, mais ou menos pau a pau, a não ser nas aves, em que ele era imbatível.

Embora o forte dele mesmo fosse urubu, entendia bastante de  galinha. Não deixava de comer galinha de vez em quando (foi ele que inventou a expressão “frango atropelado” para designar aquele frango inteiro achatado),  mas era, como também eu, um severo critico das injustiças cometidas contra essa ave que, se desaparecesse de repente, poria em perigo a sobrevivência da humanidade, a começar pela sua fama de promíscua.(E conseqüentes observações cafajestas, como “aqui  tem mulher que não pode tomar banho quente, senão vira canja”.)Promíscuo é o galo, que só trabalha em regime de harém exclusivo, violenta as galinhas a torto e a direito e tenta matar o galo que quer se meter em seu terreiro.(Apesar disso, devido a sua proverbial rapidez de execução, chamar o sujeito de “galo” também não deixa de ser depreciativo).

Tom me contou que nos Estados Unidos, são uns 7 bilhões de frangos por ano. Você pode pensar que imagina o que são 7 bilhões de frangos, mas não imagina.  Os Oswalds de Souzas entre vocês provavelmente verificarão que, para  contar esses frangos um a um, sem fazer mais nada, o sujeito levaria uns 200 anos. A vida autorizada desses frangos, confinados, debicados (tiram as pontas dos bicos deles, porque muitos ficam malucam e bicam a si e aos outros) é de 7 a 8 semanas. Ninguém quer perder tempo com frango, cada dia eles atingem mais rapidamente o peso ideal, de cerca de 2  quilos e meio.

E os ovos? São calculadamente 600 bilhões de ovos, no mundo todo. Ninguém tão pouco pode imaginar o que são 600 bilhões de ovos e a falta que iam fazer. As poedeiras vivem um pouquinho mais do que os frangos de corte, porque, para sorte delas, só começam a botar ovos (ou colocar ovos, como tenho lido várias  vezes na imprensa patrícia) depois de 5 a 6 meses, situação intolerável, que a indústria pesquisa para superar. As poedeiras trabalham fulltime, porque mantém o ambiente delas permanentemente iluminado. É uma espécie de fábrica. Elas ficam engaioladas, geralmente quatro a quatro, comendo umas bolotas de ração balanceada e alguns antibióticos, e botando ovos, que descem por uma espécie de rampa até uma esteira rolante, para serem lavados, classificados, embalados, etc. Tom disse que as americanas são excelentes poedeiras, mas a campeã é uma raça francesa pequenininha (pequenininha,  sim, mas com um subilatório destamanho), cujo nome agora esqueci. E, sim, depois que não botam mais ovos, como antigamente, são substituídos pela nova geração e transformadas em sopa, caldos e cubinhos.

Tom ficava revoltado com as indignidades a galinha é submetida. “Estão negando a ela até a condição de bicho”, me disse ele. “Deve ser porque, não sendo animal, não terá direito a ser defendida pelas associações protetoras de animais, que lá são muito chatas e ficam pegando no pé deles. Você imagine que eu li num papel do Departamento de Agricultura americano a seguinte definição de galinha: ‘A galinha é um sistema destinado à conversão de proteína vegetal em proteína animal’ . Pronto, não é mais bicho, é um sistema  de conversão de proteína”.

E houve o triste caso da galinha de Kentucky. Não tenho certeza de que foi mesmo no Kentucky, que nem é produtor significativo de galinhas, mas Tom também não se lembrava direito, de maneira que ficou sendo Kentucky (não tem quem não goste de dizer Kentucky, de vez em quando; é quase tão bom quanto Wyoming – tanto Tom quanto eu preferíamos Wyoming, mas também gostávamos de falar Kentucky] Foi uma pesquisa do Departamento de Agricultura americano, que, pelo visto, está para as galinhas assim como Torquemada para os ímpios.

É o seguinte, explicou Tom. Cerca de 30% da proteína consumida pela galinha vai para fazer as penas. Penas ér proteína. Um desperdício, porque a comercialização da pena – perdoe-me o caro amigo – não vale a pena. Assim, 30% da proteína vegetal destinada a ser transformada em carne são desperdiçados. Para que galinha quer pena, afinal? – raciocinaram os técnicos. Mera questão de vaidade, vamos acabar com isso. E, de fato, acabaram. Mexeram para lá, mexeram para cá e terminaram por produzir uma infeliz raça de galinhas sem penas, só umas besteirinhas aqui e ali. Mas  se deram mal. O consumidor rejeitou-a porque ficou com nojo da falta daqueles porozinhos das penas e, alem de tudo, ela era friorenta e requeria muitas despesas com aquecimento. Não sei o que foi feito da nova raça, suponho que sopa mesmo.

Mas o mundo não está perdido só para as galinhas. Outro bicho sem o qual também teríamos  dificuldades e que também é xingamento está igualmente virando um  sistema. Me mandaram uma reportagem velha do Wall Street Journal, que mostra como os porcos agora nem mais porcaria podem fazer, porque são produzidos e engordados em fábricas de porcos, onde só se entra depois de se tomar banho e de se envergar um traje especial esterilizado, inclusive a roupa de baixo. Sexo porcal, nem pensar.O reprodutor cobre uma porca artificial, em que se aplicaram os feromônios produzidos pela porca verdadeira no cio. As porcas são então inseminadas artificialmente:cerca de 500 por dia numa fábrica, mantidas em “cabines” de metal onde não podem nem virar-se. Fazem teste de ultra- som, com a obrigação de parir 10 a 11 bacorinhos.Depois de exatamente 115 dias de gestação, elas parem os bacorinhos, que são tatuados na orelha, tem os caninos amputados e os rabos cortados e os machos são castrados. Depois ela passa mais uns seis meses engordando na cabine e ai cai na faca.

Perguntarão vocês não sem razão, por que cargas d’água fico eu defendendo galinhas e porcos, em vez de me ocupar de coisas mais relevantes. Que coisas mais relevantes? Haverá coisas mais relevantes, mas vocês sabem muito bem quais são elas e todas elas nos deixam de mau humor ou com medo do futuro. Assim, é melhor conversar sobre galinhas e porcos, aposto como sua cultura suíno-galinácea melhorou muito. E, além disso amenizamos um pouco, ainda que muito palidamente, a saudade de um papo com o Tom.

 

Tom Jobim estava entre nós e a natureza. Por Arnaldo Jabor.

segunda-feira, janeiro 25th, 2021

Tom Jobim estava entre nós e a natureza.

 Arnaldo Jabor

Nunca fui íntimo de Tom. Nem ele era. Em nossos encontros, só pude recolher uns fragmentos que iam caindo do seu mistério e não cheguei a compor nenhuma clareza.

Só tive uma sensação de entendimento quando o vi no centro do Jardim Botânico, a cabeça encostada às flores do caixão. Seu rosto em paz parecia uma pequena serra coberta de flores; havia algo de mineral, de alguém voltando ao chão inicial, e aí percebi confusamente todo um processo detido no ar. E vi que nenhum mistério profundo ele nos revelaria.

Uma vez ele me falou, a propósito de sua infância mais funda, que alguma coisa tinha acontecido lá no “cubo de trevas” do passado. Esta expressão nunca me esqueceu (revisor, este é um uso castiço do verbo), e vejo que Tom viveu “fora” de alguma coisa, fora da vida normal, que ele ficou ao lado dos atobás caindo no mar e teve de se “ver” vivendo entre os discursos dos homens.

Não me interessa louvar o Tom, nem competir em literatura com a torrente de homenagens. Tom me interessa como uma máquina viva que ficou a meio-corpo fora da natureza, intermediário entre ela e nós. A mais alta função estética e ecológica, o artista purificando as águas.

Mas este “cubo de treva”, onde começou esta genial “anomalia”, podia ser sentido sempre no convívio com Tom, nos fragmentos das conversas. Tom falava por parábolas, no som das palavras, mais do que no sentido delas. Nunca estava onde queríamos.

Ele me anunciou a sua “causa mortis” há uns quinze anos, na beira da praia: “O médico me ameaçou de morte!”, me disse ele, tentando fazer um cooper canhestro, dentro de um abrigo Adidas. “‘Inadequate perfusion’, o médico falou, do meu coração!”

Ali estava um prenúncio da doença, mas ele se amarrava no som da expressão: “Iná-dequate”, repetia ele num inglês perfeito. “Perfusão inadequada”, aquela frase científica determinando seu destino lhe fazia rir. Só gostava dos significantes.

“I want the giant crab of the Alaska” (eu quero o caranguejo gigante do Alaska), pedia ele ao garçon do restaurante que havia na rua 58 em NY, “The Seafarer of the Aegean Sea” (O Marinheiro do Mar Egeu). Ele só ia ali por causa do nome remoto e homérico da casa. Repetia para mim: “The seafarer”… e “aegean” soava como um vento agudo e víamos o mar grego ali, azul, falésias. E o grande caranguejo do Alaska o contemplava e ele ao caranguejo e havia mais que um almoço ali. Nada era óbvio, corriqueiro. Os “jumbo shrimps” (“veja os camarões-gigantes!”) também o olhavam como a um colega, as lagostas ouviam, nadando no aquário. Só gostava dessas bobagens, que lhe ajudavam a evitar conversas óbvias e cheias de “sentido”.

“April is the cruellest of months, mixingg memory with desire…”, citou Eliott durante meses, que ele nunca teve o saco de ler com método e vagar.

Pegava o essencial, o melhor verso, e revirava-o até a exaustão ali, entre picanhas e chopes, e a metáfora ia definhando e virando um slogan de churrascaria e, aos poucos, a churrascaria em volta ficava profunda. Não seria esta a função da poesia? Aprofundar churrascarias?

Um dia, veio com o papo de que “Hollywood” era traduzível por “azevedo”. “Por quê?”, me perguntou. Por uma intuição fulminante, adivinhei (deve ter sido a faísca de minha ferradura): “Hully” é “azevinho” (planta rasteira) e “wood” (bosque) funciona como o sufixo “edo” em português para coletivos, que dá “vinhedo”, “arvoredo” etc. Ou seja: Hollywood é “bosque de azevinhos” ou “azevedo” (Caetano cita numa música). Por uns momentos, Tom me olhou com respeito e, a partir daí, começou um jogo, um metadiálogo que durou até semana passada.

Fazíamos um concurso eterno de palavras em inglês. Nos comunicávamos pelas bordas do “cubo de treva”. Eu ganhava dele em palavras arcaicas ou mais literárias, ele me dava banhos com legumes, peixes e passarinhos. Eu pescava minhas lembranças shakespereanas e lançava na mesa para pasmo dos garçons: “Que é ‘woe’?” Ele não sabia e eu triunfava: “É ‘aflição’, ‘lamento’… ahhh, ganhei!”

Aí ele replicava: “Tudo bem, e como é ‘chuchu’?” E eu não sabia. “Como é ‘berinjela’?” Eu não sabia. “‘Egg-plant”, é a planta ovo, o ovo roxo, ovo vegetal!”, ria o Tom, com seu rosnado doce, tomando chope. E assim, entre legumes, robalos e picapaus, íamos tecendo uma amizade oblíqua, sem nunca ter havido confissões.

Ele não aguentava caretice e cotidianos. Um dia, em Nova York, estávamos conversando com uns brasileiros que o admiravam, quando ele foi tomado de grande palidez e angústia, gaguejou uma desculpa e se enfiou no Central Park como que fugindo para a floresta. Cubo de treva.

Toda a viagem longa e solitária desde o “cubo de trevas” terminava ali e seu perfil no caixão parecia uma serra entre flores (mais tarde, no avião, vi por instantes seu perfil se encaixar lá embaixo nos morros do Rio). Tom voltava à natureza, de onde nos defendia contra os adjetivos.

Parecia ouvi-lo: “Berinjela, como é berinjela”?

“É fácil, Tom…”, respondi: “Beringela somos nós.”

Tom Jobim e Caetano Veloso. Possível Diálogo.

segunda-feira, janeiro 25th, 2021

Trecho extraído, da página 97, do livro Tons sobre Tom de  Márcia Cezimbra, Tessy Callado e Tarik de Souza Editora Revan.

Soube dessa história em 1981, numa entrevista de Caetano Veloso para Roberto D’Avila, no Canal Livre da TV Bandeirantes. O programa reuniu, na bancada de entrevistadores, Tom Jobim, Chico Anísio, Nara Leão, Susana de Moraes, Eduardo Mascarenhas, Marina, Antonio Cícero, Miriam Paglia Costa, Flávio Pinto Lira e Luiz Carlos Maciel.

Assista a um trecho, infelizmente muito pequeno, da entrevista.

http://www.youtube.com/watch?v=dpOq9waMwik

Diante dessa perda inestimável para a MPB, deixo aqui a sugestão para o nosso grande Caetano,  letrar a melodia de Diálogo, fazendo uma parceria maisquedemais com Antonio Carlos Jobim; e mais: gravada em dueto com Gal Costa.

Diálogo é uma das faixas LP Wave, de 1967,  disco maravilha.

Violão: Brasileiro de Almeida

Piano: Antonio Carlos Chopin

Entre no endereço abaixo e ouça o mestre:

http://letras.kboing.com.br/#!/tom-jobim

CadaUmComSeuCadaUm

domingo, janeiro 17th, 2021
O mais recente trabalho! Todas as composições em parceria com Pichu Borrelli. Homenagens a compositores brasileiros.

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Intérpretes

QUERENDO COMPRAR O CD, ENTRE NESTE ENDEREÇO:
WANTING TO BUY THE CD, ENTER THIS ADDRESS:

https://www.popsdiscos.com.br/detalhe.asp?shw_ukey=47510

ENDEREÇOS DAS PLATAFORMAS DE STREAMING ONDE O CD ESTÁ DISPONIBILIZADO:
ADDRESSES OF THE STREAMING PLATFORMS WHERE THE CD IS AVAILABLE:

SPOTIFY: http://open.spotify.com/album/3TXVHloluwPnCCPyTFu3jB

ITUNEShttp://itunes.apple.com/us/album/id1481843244

DEEZER: http://www.deezer.com/album/113127612

NAPSTER: https://us.napster.com/artist/varios-artistas-2/album/cada-um-com-seu-cada-um

TIDALhttps://listen.tidal.com/album/119279124

[NYOUTUBEMUSIChttps://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_mWjznU0pH-GlFawrm8cLJHWPMZmopfNsA

Adivinha

domingo, janeiro 17th, 2021

Esta composição, datada de outubro 1986, a partir desta postagem, passa a ser dedicada a nossos irmãos Eric Garner e George Floyd. Que ela possa contribuir com mais amor à nossa humanidade, como um sopro do ar que lhes foi brutalmente negado.

Rascunho, por Edgard Poças, para a gravadora CBS. LP Jairzinho e Simony

Adivinha
Tem na terra e tem no mar
Tem no tempo, tem no vento
Tenta adivinhar
 
Tem na luz, tem no som, no céu, no ar
Tem que ter e não pode faltar
 
Adivinha
Tem nas flores e no luar
Tem nos bichos, tem nas cores
Tenta adivinhar
 
Tem na voz, nas canções
Todo lugar tem que ter, e não pode faltar
 
Um coração, quando tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Vive em paz
 
Um coração que não tem
Tanto faz se ele é branco, ou se ele é preto
Nem é mais um coração
 
Adivinha
Tá na cara e no olhar
Tem no riso, e um sorriso pode revelar
 
É assim, faz sorrir e faz chorar, mas
Tem que ter, e não pode faltar
 
Um coração, quando tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Vive em paz
 
Um coração que não tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Nem é mais um coração
Adivinha
Tem na terra e tem no mar
Tem no tempo, tem no vento
Tenta adivinhar
 
Tem na luz, tem no som, no céu, no ar
Tem que ter e não pode faltar
 
Adivinha
Tem nas flores e no luar
Tem nos bichos, tem nas cores
Tenta adivinhar
 
Tem na voz, nas canções
Todo lugar tem que ter, e não pode faltar
 
Um coração, quando tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Vive em paz
 
Um coração que não tem
Tanto faz se ele é branco, ou se ele é preto
Nem é mais um coração
 
Adivinha
Tá na cara e no olhar
Tem no riso, e um sorriso pode revelar
 
É assim, faz sorrir e faz chorar, mas
Tem que ter, e não pode faltar
 
Um coração, quando tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Vive em paz
 
Um coração que não tem
Tanto faz ele é branco, ele é preto
Nem é mais um coração

Adivina! Jairzinho & Simony e José Luiz Perales.

Esta composición, fechada en octubre de 1986, de este post, está dedicada a nuestros hermanos Eric Garner y George Floyd. Que ella contribuya con más amor a nuestra humanidad, como un soplo de aire que ha sido brutalmente negado.

Adivina esta en la tierra y en el mar
En el tiempo, en el viento intenta adivinar
En el sol, en su luz lo encontraras
Siempre esta y no puede faltar

Adivina esta en las flores, en el cantar
En los rios, en la luna intenta adivinar
En la voz, la oracion lo encontraras
Siempre esta y no puede faltar

Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor

Adivina esta en la cara y en tu mirar
En la risa y es sonrisa para alegrar
Y tambien sin querer hace llorar
Mas siempre esta y no puede faltar

Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar

Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor

Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar
Es el amor que en la vida nos da
La razon para vivir y soñar

Guess What

This composition dated October 1986, and, starting with this post, is dedicated to our brothers Eric Garner and George Floyd. May she contribute with more love to our humanity, like a breath of air that has been brutally denied.

Guess what
There's on land and there's at sea
There's time, there's wind
Try to guess
 
There's in the light, there's in the sound, in the sky, 
in the air
Must have and can not miss
 
Guess what
It has flowers and moonlight
There are animals, there are colors
Try to guess
 
There's in the voice, in the songs
Every place has to have, and can not miss
 
A heart, when it has
Whatever he is white, he is black
Live in peace
 
A heart that doesn't have
It doesn't matter if he is white, or if he is black
It's not even a heart anymore
 
Guess what
'It's in the face and in the eyes
There's laughter, and a smile can reveal
 
It's like that, it makes you smile and makes you cry, but
Must have, and must not be missing
 
A heart, when it has
Whatever he is white, he is black
Live in peace
 
A heart that doesn't have
Whatever he is white, he is black
It's not even a heart anymore

Entrevistado por Paola Zambianchi, para Farol Music.

sexta-feira, janeiro 15th, 2021

Link da entrevista ‘Você já ouviu Edgard Poças, mesmo que não saiba disso”, por Paola Zambianchi, para Farol Music.

https://pluralsingular.com.br/por-dentro-da-farol-5

Beethoven.

domingo, dezembro 13th, 2020

Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 –  Viena, 26 de março de 1827 .

“O resumo de sua obra é a liberdade, a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida”observou o crítico alemão Paul Bekker.

Beethoven foi o primeiro grande compositor  que escreveu música para si, livre, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre.

“Uma criatura completamente indomável.” – Goethe.

                                    Caminhando e pensando…

Um dividido por dois: dois meios,…

um dividido por três: dízima,…

um dividido por dois e três ao mesmo tempo,…

…quase uma fantasia…

Cada um que encontre seu tempo.

Sonata No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 27

I. Adagio sostenuto

III. Allegretto

III. Presto Agitato.

Com Maurizio Pollini:

Com Arthur Rubinstein:

Com Walter Gieseking:

Live – Cantos da Natureza

sexta-feira, novembro 20th, 2020

Se você não assistiu no dia 21, pode rever agora, no youtube, é só clicar o quadro abaixo.

Cantos da natureza: Pau Brasil e Edgard Poças pelo selo Sesc Digital.

quinta-feira, novembro 5th, 2020
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Grupo Pau Brasil comemora 40 anos com o álbum infantil Cantos da Natureza, lançado pelo Selo Sesc

Letras de Edgard Poças musicadas por Rodolfo Stroeter e Nelson Ayres, arranjadas e executadas pelos músicos do Pau Brasil evidenciam as riquezas e belezas da nossa natureza; entre os intérpretes, tem as cantoras Ceu, Marlui Miranda, o cantor Edgard Gianullo e o Trio Amaranto; álbum chega primeiro no Sesc Digital no dia 7 de outubro, e nos demais players de streaming no feriado de 12 de outubro, Dia das Crianças


Trata-se de um projeto educacional e didático que visa apresentar à criança as belezas, emoções e riquezas naturais, com o adulto na leitura das canções. Um disco a ser utilizado até mesmo nas salas de aula.

São 19 faixas que descrevem de forma muito criativa e divertida os quatro elementos da natureza – a água, o fogo, a terra e o ar –, a chuva, a nuvem branquinha, o céu cinzento, o arco-íris, o relâmpago e o trovão. Do mundo animal, um estranho mamífero que bota ovo e que tem um ferrão venenoso, mas é bonzinho. Estamos falando do ornitorrinco, um bicho que pouca gente conhece.

Todas as letras são do compositor, escritor e pesquisador Edgard Poças – criador da Turma do Balão Mágico. Entre os intérpretes, destaque para as cantoras Céu, Marlui Miranda, que já fez parte do Pau Brasil, e Maria Clara Novaes, e os cantores Edgard Gianullo, Renato Braz, Sérgio Santos e Diogo Poças, além do próprio Edgard que canta em duas faixas. Participam também o coral infantil Trovadores Mirins, sob regência da maestrina Lucila Novaes e o Trio Amaranto, de Belo Horizonte, formado pelas irmãs Ferraz, Flávia, Lúcia e Marina.

Cantos da Natureza chega em 2020, mas a sementinha do projeto começou a ser semeada ainda no início dos 1970. A história passa por Rodolfo Stroeter quando, ainda adolescente, aos 14 anos de idade, foi estudar música com Edgard Poças que desembargava em São Paulo, vindo de Portugal, após uma curta temporada no país europeu. E foram nas aulas de iniciação musical que Poças estimulou Stroeter a conhecer também o universo da literatura. A relação do letrista e compositor com o que viria a ser tornar o contrabaixista do Pau Brasil se estabelece a partir daí.

Passadas algumas décadas, Rodolfo Stroeter produzir um disco de música infantil do Trio Amaranto – que também são a gênese deste projeto do Pau Brasil –, e cujo repertório incluiu a Suíte 4 Elementos e O Ornitorrinco, também presentes neste álbum do quinteto paulista. A partir daí, Edgard e Rodolfo intensificaram o trabalho em conjunto com o objetivo de ampliar o repertório de canções. Desta vez, pensado para o grupo Pau Brasil.

“Cantos da Natureza é a celebração de um projeto infantil dentro de um contexto de um grupo de música. É a música cuidada, tratada, arranjada, executada e improvisada, ou não, por um conjunto musical que tem distinção sonora. Depois de 40 anos, o grupo Pau Brasil se tornou um som”, destaca Rodolfo Stroeter.

Das 19 músicas, vale alguns destaques começando pela Abertura Suíte 4 Elementos, onde Edgard Poças transforma em personagens os quatro principais elementos da natureza: a água, o fogo, a terra e o ar. Uma composição com enredo de musical infantil. Segundo o letrista, é a primeira vez que a música infantil se apropria da ideia de Suíte – que é reunir em uma única obra várias peças musicais.

Apresentações feitas, cada um dos elementos naturais chega na sequência com a sua própria canção. Na ordem, Água traz uma singela descrição desta substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Abundante no universo, em especial no planeta Terra, onde cobre grande parte de sua superfície com rios, lagos e mares.

Fonte de energia e risco às florestas, a música Fogo expõe as diferentes formas encontradas desta mistura de gases a altas temperaturas. Das fogueiras à lava dos vulcões, das lareiras e até mesmo à língua dos dragões. Interpretada pela cantora Marlui Miranda na companhia do Trio Amaranto, Terra lembra que vivemos no planeta que é a casa do mundo e que se trata do elemento natural que precisa dos outros três – o fogo, a água e o ar. Por fim, a mistura de gases que compõem a atmosfera da Terra. Em Ar, a letra de Edgard Poças destaca que todo mundo precisa e quer um ar puro e é por isso que dizemos: chega de poluição!

Edgard Poças relaciona todos esses aspectos da natureza para trazer um mundo melhor às crianças. A nossa natureza que é linda, viva, colorida e movimentada, é também lembrada através das flores, das estrelas, do som, do mar e até dos peixes que não são peixes.

A nuvem branquinha, o céu cinzento, o relâmpago e o trovão, a chuva e o arco-íris aparecem em forma de canções na Suíte da Chuva. Em Adivinha, Quem Sou Eu?, está o som e a sua propagação em suas múltiplas formas, presente em todos os lugares e todos os cantos. A letra de Chuva começa com uma nuvem que parece um carneirinho e, de repente, se transforma em um leão.

Com letra e interpretação de Edgard Poças, a cantiga de ninar Soneca é a composição do disco para os adultos embalarem os bebês no sono. A letra é um convite a contar, um a um, a passagem dos Sete Anões. Do sabido Mestre ao carinha amoroso que é o Feliz, sem se esquecer do engraçado do Dunga, do mal-humorado do Zangado, do faceiro e manhoso do Dengoso e do Atchim. E cadê o Soneca na terra dos sonhos?

Repertório, acesse o link abaixo.