Archive for novembro, 2015

Dia da Bandeira

quinta-feira, novembro 19th, 2015

Dia da Bandeira

Mário Lúcio de Freitas e Edgard Poças

19 de Novembro

É o Dia da Bandeira

Quatro cores, aquarela

Dessa terra brasileira

Canta, canta, minha gente!

Esse canto juvenil

A presença,

A lembrança do Brasil

Canta, canta, minha gente!

Esse canto juvenil

Estandarte, pavilhão

Dessa terra do Brasil

Verde das matas

Ouro do sol

Céu  azul

E o esplendor do Cruzeiro do Sul!

É verde, amarelo, azul e branco

Canta, canta a emoção

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso coração!

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Voz: Mário Lúcio de Freitas

Aprendi no excelente livro Guia Politicamente Correto da História do Brasil, de Leandro Nardoch, ed. Leya, que o “verde e o amarelo de nossa bandeira vieram de duas famílias. Verde simbolizava a família Bragança de D. Pedro I e o amarelo a família dos Habsburgo, família da princesa Leopoldina”  e que “é um mito a idéia de que essas cores foram inspiradas na natureza brasileira”. Ou seja, os fatos provam o contrário do que diz a minha letrinhas, mas, perdoem a imodéstia: pior para os fatos!

Viva Nássara!

quarta-feira, novembro 11th, 2015

Em 1962, o violonista Paulinho Nogueira me emprestou o LP 45 rpm Polêmica, capa do caricaturista Nássara, compositor e parceiro de Noël que, segundo Millor Fernandes, foi o Mondrian do portrait-charge, (ele) corrige a natureza fazendo com que as personagens acabem se parecendo com a caricatura.

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Vinte e seis anos depois ganharia de presente suas ilustrações para a História do Brasil que escrevi para o encarte do LP Pindorama do grupo Pau Brasil (Nelson Ayres: piano e teclados, Paulo Bellinati: guitarra e violão, Roberto Sion: Sax e Flauta, Rodolfo Stroeter: baixo acústico e elétrico, Bob Wyatt: bateria).

Nássara ligou para minha casa:

– Aqui é o Nássara. Ouça, não adianta falar nada que eu sou surdo! Voce fez um épico do carnaval!

E desligou.

Chorei de emoção.

Alá-la-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô!

 

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Antônio Gabriel Nássara nasceu no dia 11 de novembro de 1910 em São Cristóvão, Rio de Janeiro.

http://www.dicionariompb.com.br/nassara/dados-artisticos

Chão de Estrelas em São Paulo

quinta-feira, novembro 5th, 2015

Anos oitenta num sebo bem mixo na rua do Ouvidor (hoje seria ombudsman), nem sei se ainda existe,  o dono estava sempre cheirando à cebola, acho, na estante de poesia, um exemplar de Chão de Estrelas de Orestes Barbosa, autografado, contendo anotações e comentários minuciosos. Folheei e um pequeno recorte de jornal caiu no chão, anúncio de óbito do poeta com a data escrita à lapis pelo Fábio, amigo de mais de trinta anos. Que Fábio seria esse? Eu não sabia da existência desse livro, mas, do luar da cabrocha e do violão já entendia um bocado; emocionado paguei o seu Cebola – desconfio que ele guardava os tubérculos temperados debaixo do balcão – e fui tomar umas no Lírico me achando um Tinhorão, afinal um Chão de estrelas no centro de São Paulo é coisa pra pesquisador.

O autógrafo é de março e o poeta morreu em agosto de 1966.

  

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações

Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros, distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

(Chão de Estrelas. Sylvio Caldas e Orestes Barbosa)

Ouvi contar, certa noite noite num terreiro, quando a lua em farinheiro peneirava pelo chão…

Nhapopé, dominio público.

…a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão e tu pisavas nos astros distraída…

Chão de Estrelas, Sylvio Caldas e Orestes Barbosa,

O Oreste sabia das teses diria o Wilson Baptista.

Chão de Estrelas:

Biografia de Orestes Barbosa: Orestes, repórter, cronista e poeta, por Carlos Didier, Editora Agir.

Pátria • Ruy Barbosa

quarta-feira, novembro 4th, 2015

A pátria é a família amplificada.

E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício.

É uma harmonia institiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas.

Multiplicai a célula, e tendes o organismo.

Multiplicai a família, e tereis a pátria.

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Não chamemos jamais inimigos da pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à patria os nossos adversários mais irredutíveis. A pátria não é ninguém, são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.

A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.

Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque  todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor.

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Transcrito de Rui Barbosa: Elogios Acadêmicos por JSN pp.401-402, Colhido na magníica Antologia de Antologias de Magaly Trindade Gonçalves; Zélia Thomaz de Aquino; Zina Bellodi Silva, Editora Musa, 1996.