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João Gilberto • A Roupa do Leão

sábado, julho 6th, 2019

João Gilberto foi o maior descolador de músicas.  É Luxo Só, Morena Boca de Ouro, Rosa Morena, Aos Pés da Cruz, Doralice, Trevo de Quatro Folhas, Saudade da Bahia, Bolinha de Papel, A Primeira Vez, Samba da Minha Terra, Trenzinho, foram descoladas pelo feiticeiro de Juazeiro; gravadas nos seus tres primeiros LPs. Na sequencia foram outras tantas.

Ora, vejam só o que eu descolei:

A Roupa do Leão, do LP José Vasconcellos conta histórias de Bichos – comprado em 1962 na Eletrolândia, à rua São Bento em São Paulo –  introduzidas por vinhetas interpretadas por artistas do casting da antiga Odeon.

01- O Presunto do Jacaré – Celly Campello
02 – A Roupa do Leão – João Gilberto
03 – O Elefante Tarzan – Noriel Vilela
04 – Vicente, o Peru diferente – Normal Benguell
05 – O Rato Cangaceiro – Trio Irakitan
06 – Rosa , a Macaca Famosa – Anisio Silva
07 – A Barata Serafina – Elza Soares
08 – Panchito o Galo Tenor – Trio Esperança
09 – A Pirraça da Tartaruga – Stelinha Egg
10 – O Gato Raulino – Moreira da Silva

Ouçam o rei João:

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Essa, acho eu, nem o Caetano sabe.

Toquei A Roupa do Leão pro João, pelo telefone é claro, numa madrugada sonora na casa de sua amiga Lú Medeiros, aqui de São Paulo. Ele gostou e a gente ficou falando de música. Depois tocou Da Cor do Pecado e o som ficou pendurado que nem uma luz no céu.

Um abraço do João no meu violão

P.S.: João, em 1961, me ensinou boa parte do Abraço no Bonfá. 

Pelo telefone.

Meu Violão de Estimação

quarta-feira, outubro 28th, 2015

Meu violão de estimação

“De tanto roçar meu peito

Tens hoje o timbre perfeito

Da voz do meu coração.”

Meu Companheiro. Chico Alves e Orestes Barbosa.

 

Esse é o violão da minha juventude, autografado por pessoas encantadoras que conheci nas serestas, saraus,  em casas familiares e nos bares.

“Quem toca em casa familiar

É o bobo Lelé

Fica sem mão pra beber

Fica sem mão pra mulher!”

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Vinicius de Moraes e meu primo querido Zequinha Marques da Costa, lá pelas tantas cantavam essa música pra tirar sarro da minha cara que varava a noite tocando feito um desvairado, e eles numas…

Vinicius e Zequinha

Zequinha me disse que a obra é de autoria Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Sério Porto, por Nassara

Sério Porto, por Nassara

Enfim, taí o pinho,  assinado por: João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque, Rosinha de Valença (que saudade bicho!), Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro, Edú Lôbo, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Mendes, Ruy Guerra, Norma Benguell, Odete Lara, Os Cariocas (Severino, Badeco, Quartera e Luiz Roberto), Paulo Autran, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Luiz Eça, Dom Um (que saudade bicho!), MPB4, Pedrinho Mattar, Paulinho Nogueira, Claudette Soares, Walter Wanderley, Alaíde Costa,Anna Lúcia,  Flávio Rangel, Silveira Sampaio (o Jô Soares era assistente do seu talk show no inicio dos anos 60!), Geraldo Cunha (viva o Jogral!), Dudi Maia Rosa, Walter Santos (Bossa Nova ou Samba Jazz?) e Diogo Pacheco.

Deixaram de autografá-lo por motivos de força maior ou menor, seja pelo adiantado da hora, libações etílicas ou irresponsabilidade, Wilson Batista – o maior sambista brasileiro de todos os tempos – Ismael Silva, Dick Farney, Duke Ellington e orquestra, Ataulfo Alves, Sergio Ricardo, Grande Otelo, Billy Blanco, Jorge Goulart, Nora Ney, Otto Lara Resende, Ze Kéti, Jô Soares, Hervê Cordovil , Alexandre o’Neill, Carlos Manga, Wilson Simonal, Sylvia Telles, José Carlos Ferreira, o Boi, Don Rossé Cavaca, Milton Nascimento e  Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Fica pra próxima.

Novamente juntos eu e o violão

Vagando devagar, por vagar

Cantando uma canção qualquer, só por cantar

Mercê da solidão

Vadiando em vão por aí

Nós vamos seguir,

Outra rua, outro bar, outro amigo, outra mão

Qualquer companheira, qualquer direção

Até chegar em qualquer lugar

Qualquer que seja a morte a esperar

Jamais meu violão me abandonará

Se eu vivi, foi inútil viver

Já mais nada me resta saber

Quero ouvir meu violão gemer

Até me serenizar.

Violão vadio.

Edgard Poças e seu ViolãoBaden Powell e Paulo César Pinheiro

 

Quadra de Ases.

sábado, maio 23rd, 2015

Luís Barbosa

Rei da divisão, do molho e da mumunha. Boêmio inveterado, morreu aos vinte e oito anos de idade. Ouça o carinha cantando Na Estrada da Vida, de Wilson Baptista em gravação de 1933, batucando no seu chapéu de palha e acompanhado espetacularmente ao piano por Custódio Mesquita, algo assim como uma tabelinha Pelé e Coutinho:

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Seja Breve, composição de Noel Rosa em dueto com João Petra, gravação de 1933. Custódio Mesquita, pra variar, arrasando no piano.

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Vassourinha

Mário Ramos, genial sambista paulistano, que nos deixou em 1942 aos 19 anos de idade. Garôto sincopado, sua obra se resume em apenas seis discos 78 rpm. Ouça essas duas gravações do varredor da Rádio Record, com o acompanhamento mais que demais do regional de Benedito Lacerda: Vassourinha, uma estrela luminosa e breve.

… e o Juiz Apitou, de Wilson Baptista. Gravação de 1942.

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Volta pra Casa Emíliade Wilson Baptista. Gravação de 1942.

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Contribuí com algumas fotos e pitacos para o curta metragem A Voz e o Vazio; a Vez de Vassourinha, (1998), roteiro e direção de Carlos Adriano “ganhador da Gold Plaque de melhor documentário de curta metragem do 36o. Festival Internacional de Cinema de Chicago (Estados Unidos, 2000) e eleito um dos dez melhores documentários brasileiros sobre música, em votação realizada pelo É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários (Brasil, 2004). Seu roteiro inicial foi premiado no 1o Concurso de Projetos de Curta Metragem e Produção Independente do Ministério da Cultura brasileiro, em 2007″, que infelizmente nunca assisti.

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Cyro Monteiro

Descendente direto de Luiz Barbosa, ao invés do chapéu de palha, caixa de fósforos, assim como Wilson Baptista, de quem foi grande intérprete. Estive diversas vezes com ele em 1965, por ocasião da montagem do espectáculo Vinicius Poesia e Canção, no Teatro Municipal de São Paulo, com direção de meu primo Zequinha Marques da Costa. Cyro, uma das pessoas mais bonitas e bondosas que conheci na vida foi unanimidade entre os artistas como exemplo de ser humano. Grande contador de histórias, bom de papo, num dos intervalos dos ensaios, saímos pra molhar a palavra e no meio da conversa que girava em torno da desfaçatez e do cinismo dos políticos ele sai com essa:

– Edgard, o candidato é um ótimo sujeito, fala tudo que a gente quer ouvir, promete o mundo que a gente quer, quem não cumpre é o eleito!

Tinha pavor de avião, só entrava em caso extremo e sob proteção de São Evilásio… – São Evilásio, Cyro?

– Pois é, santo desconhecido tem maior disponibilidade…

Rio – São Paulo, só no saudoso trem nocturno que batizou de “avião dos covardes”. Na companhia de Aracy de Almeida, a dama da Central, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Braguinha, vararam noites bebendo e cantando no carro restaurante que fechava às onze e meia da noite, mas com uma boa caixinha ia até às tantas. Eu mesmo – que nunca fui covarde, o que me falta é coragem – quando tinha de ir ao Rio, para reuniões de pré-produção da Turma do Balão Mágico, me servia desse expediente.

Ouça o querido Formigão cantando Quatro loucos num Samba do LP Senhor Samba, lançado pela CBS. 1961 e leia o texto de contracapa escrito por Vinicius de Moraes.

Clique para ampliar

Quatro loucos num Samba, de Mary Monteiro e Cyro Monteiro, gravação de 1961.

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Falsa Baiana, de Geraldo Pereira. Gravada em 1944.

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João Gilberto

Gênio inimitável, já veio em stereo: voz e violão. Mudou a história da música popular mundial.

João é sambista! Tive a graça de conhece-lo em 1961, nos bastidores do programa Brasil 61 apresentado por Bibi Ferreira, no antigo canal 9, na rua Nestor Pestana em São Paulo. Jamais vou esquecer a maneira gentil como me tratou – eu tinha 15 anos e ele era o meu ídolo. No dia seguinte liguei – apedido dele! pro Lord Palace Hotel onde se hospedava em São Paulo e e ele me ensinou a tocar Um Abraço no Bonfá  por telefone! Conversei com João mais vezes, mas isso é papo para um outro post.

Ouça, pegue o pinho e tente fazer igual, é super fácil!

Pra Que Discutir com Madame, de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida. Gravada ao vivo em  Montreaux, 1990.

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Bolinha de Papel, de Geraldo Pereira. Gravação em 1961.

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Cyro Monteiro por Miécio Caffé

Luiz Barbosa por Miécio Caffé

Vassourinha na capa da revista Carioca em 1935 aos doze anos de idade

Detalhe do meu violão com os autógrafos de Cyro Monteiro e João Gilberto

O Samba Carioca de Wilson Baptista • O album e o espetáculo do ano.

quinta-feira, agosto 18th, 2011

Se voce ainda não comprou esse disco duplo, lançado pela Biscoito Fino, com a musica do maior sambista do Brasil, considere-se ultrapassado pelo passado porque meu querido amigo Rodrigo Alzuguir botou a obra no presente. Vinte faixas com grandes intérpretes e a trilha sonora do espetáculo sobre a obra de Wilson Baptista. Produção impecável. Êta pessoalzinho competente sô!

Aliás o Rodrigo logo logo vai presentear a música brasileira com a biografia, ou melhor, a tese do major.

Ouvi os CDs e chorei várias vezes, parece que o Brasil não conhece e em alguns casos não merece o Brasil. Morei na rua Domingos Leme que cruza com Bueno Brandão, Escobar Ortiz, Braz Cardoso, Domingos Fernandes, Philadelpho Azevedo, Balthazar da Veiga, Bastos Pereira, Afonso Brás e outros homenageados que desconheço profundamente – será que eu tambem não mereço o Brasil? – me sentiria muito melhor na rua Wilson Baptista. Se bem que se eu fosse o chefe mandava logo uma Via Wilson Baptista. A Estrada da Vida.

Eu daria tudo para voltar aos meus quinze anos numa noite em 1961 – nos bastidores do programa Brasil 61 de Bibi Ferreira – quando estive com ele e pedir sua benção.

Vinicius de Moraes, um ano depois, no célebre Encontro, com Antonio Carlos Jobim, João Gilberto e os Cariocas no Au Bon Gourmet, lançou seu Samba da Benção e esqueceu do maioral.

Rodrigo redimiu ambos com O Samba Carioca de Wilson Baptista. O album e o espetáculo do ano.

A benção Wilson Baptista!

Querendo saber mais sobre o album do ano, entre no endereço abaixo. E depois faça um favor a si e prove esse biscoito fino.

http://osambacariocadewilsonbaptista.blogspot.com/

http://osambacariocadewilsonbaptista.blogspot.com/2011/09/ceu-edgard-diogo-e-luzia.html

 P.S#1: Danilo Miranda, tá aí uma boa dica – traz o espetáculo do seu conterrâneo Wilson – pra arrasar nos SESCs da paulicéia! Não tô charlando não!

P.S#2: Céu cantando Nega Luzia, do meu sambista favorito é demais pro coração do papi!

P.S#3: Rodrigo, acho justíssimo que o Carlos Monte tenha apresentado sua lista das grandes ausentes nos CDs e no espetáculo e aproveitando esse espaço para lançar a minha, quem sabe uma sugestão para o repertório do aguardado volume 2.

LISTA DO DEGAS:

Mariposa

Sistema nervoso

Esta noite eu tive um sonho

A mão do Alcides

Virou. . . virou. . .

Cowboy do amor  (que eu coloquei no primeiro LP da Turma do Balão Mágico – imagina o Wilson compondo para crianças!)

Comício em Mangueira

Nossa Senhora das Graças

Gênio mau

Lá vem o Ipanema

Volta pra casa, Emília

Flor da Lapa

Deus no céu e ela na terra

Rodrigo e eu por ocasião da gravação de Nega Luzia com participação da minha filha Céu no estúdio do meu filho Diogo.

Ao fundo à esquerda, Vassourinha, o grande intérprete dando uma força.

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Penalty • Amor Certinho, com Luiz Melodia

quinta-feira, junho 5th, 1997

Penalty • Amor Certinho Filme criado para a Penalty (materiais esportivos) pela agência Z+G Grey.

Clique para ver o filme

Sugeri como trilha a música Amor Certinho de Roberto Guimarães que foi gravada por João Gilberto em 1960, no LP O amor o sorriso e a flor um dos mais belos discos da música brasileira. E para cantar indiquei Luiz Melodia. O resultado está aí.

Produtora de som: Klaxon

Arranjo: Edgard Poças

Teclados: José Antonio Almeida Gravado no estúdio Pulsar em junho de 1995

Clique para ampliar