Posts Tagged ‘Nelson Ayres’

Viva Nássara!

sábado, novembro 11th, 2017

Em 1962, o violonista Paulinho Nogueira me emprestou o LP 45 rpm Polêmica, capa do caricaturista Nássara, compositor e parceiro de Noël. Segundo Millor Fernandes, Antônio Gabriel Nássara (1910- 1996) foi o Mondrian do portrait-charge,… (ele) corrige a natureza fazendo com que as personagens acabem se parecendo com a caricatura.

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Vinte e seis anos depois ganharia de presente suas ilustrações da História do Brasil que escrevi para o encarte do LP Pindorama do grupo Pau Brasil (Nelson Ayres: piano e teclados, Paulo Bellinati: guitarra e violão, Roberto Sion: Sax e Flauta, Rodolfo Stroeter: baixo acústico e elétrico, Bob Wyatt: bateria).

Numa manhã Nássara liga para minha casa:

– Aqui é o Nássara. Ouça, não adianta falar nada que eu sou surdo: voce fez um épico do carnaval!

E desligou.

Chorei de emoção.

Alá-la-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô!

 

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http://www.dicionariompb.com.br/nassara/dados-artisticos

Mappin • Edgard Poças • Klaxon

sexta-feira, outubro 20th, 2017

KLAXON CRIAÇÕES – SOM e IMAGEM, minha firma de fotogramas de publicidade, cumpriu sua história da primeira metade dos anos oitenta até o final dos anos 90.

Mappin, uma loja de departamentos com sede na cidade de São Paulo, cujo nome oficial era Casa Anglo-Brasileira S/A, compôs boa parte dela.

Fundada em 1774, na cidade inglesa de Sheffield, foi trazida para o Brasil em 1913 pelos irmãos Walter e Hebert Mappin.

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Durante os 86 anos em que atuou em São Paulo, foi uma das pioneiras do comércio varejistano Brasil.

Na década de 1930, inovou ao colocar etiquetas com os preços nas vitrines e foi a propulsora do crediário.

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Entre os anos 40 e 50, o Mappin foi ponto de encontro. Antecipou o conceito de shopping center, reunindo produtos de diversos tipos em um único local.

A loja na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista, se tornou referência da marca.

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Encerrou suas atividades em 1999.

 

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Klaxon foi o nome homenagem a revista a primeira publicação modernista brasileira, uma referência importante para o estudo desse Movimento.

Escrtitóri Leiria • bandeira Klaxon

A publicação do periódico, entre 1922 e 1923, foi a primeira ação pós-Semana de Arte Moderna, realizada por um grupo de artistas – poetas, escritores, artistas plásticos, músicos, jornalistas e intelectuais – com o objetivo de imprimir uma identidade nacional à produção artística brasileira e promover um rompimento com as tradicionais escolas europeias.

A redação de Klaxon costumava se reunir na Confeitaria Vienense, e a primeira sede da revista foi na rua Uruguai, número 14, transferindo-se depois para a rua Direita, número 33, sempre pertinho do Logo MappinOuça o som da klaxon buzinando, nesta montagem – feita gentilmente pela Memorar – de todos fotogramas produzidos pela Klaxon.

Desculpem pequenas falhas sonoras; o tempo pune, mas é, e está.

Agradeço à todos que, pacientes e condescendentemente, participaram dessas peças como compositores, intérpretes ou parceiros.

Amilson Godoy, Angela Márcia, Arismar do Espírito Santo, Caio Flávio, Carlinhos Bala, Claudio Bertrami, Claudio Leal Fereira, José Antonio Almeida, José Clovis Trindade, Lelo Nazário, Luiz Lopes, Luiz Roberto Oliveira, Marcos Xuxa Levy, Nadir Gogliano, Nelson Ayres, Paulinho Campos, Paulo Bellinati, Paul Mounsey, Pichú Borrelli, Rodolfo Stroeter, Silvinha Araújo, Willian Caran, e o gentil e expedito McIntosh Barbosa Poças.

Instantânea de Vídeo

 

A todos, o meu abraço de carinho e saudade.
KLAXON:CARTÃO 1

Este post é dedicado à memória do inesquecível Fernando Vieira de Mello.

Dia do Planeta Terra

sábado, Abril 22nd, 2017

Minha Terra

Nelson Ayres e Edgard Poças

Voz: Paula Poças e Edgard Poças

 

Dá licença, dá licença aí

É a vez da minha terra

De cantar os seu encantos

E as riquezas que ela tem

Minha terra é tão bonita

Que dá gosto a gente ver

E não há lugar no mundo

Tão bom de se viver

 

Nosso céu tem mais estrelas

Nossos bosques tem mais flores

Nossa vida mais amores

E aqui eu sou feliz

 

Minha Terra é um barquinho

Navegando no infinito

Minha Terra meu planeta azul

Você é meu país.

Amigo Planeta (Pequeño Planeta)

R. Girón/G. Gomez/ Letra: Edgard Poças

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Voz: A Turma do Balão Mágico

 

Amigo Planeta

eu não sei porque

tem tanta gente que não cuida de você

mas agora nós iremos te salvar

as crianças nunca vão te abandonar

 

Amigo Planeta

volte a sorrir

sua beleza ninguém pode poluir

as estrelas e as noites de luar

as florestas e o verde azul do mar

 

Vamos enfeitar nossas cidades

e acabar com as maldades

que se fazem com a natureza

vamos com a força da amizade

te levar felicidade

e derrotar toda a malvadeza

 

Vem viajar

vem viver

vem brincar  comigo

vem

vem brincar

de viver

eu sou teu amigo

 •

Oi, Mundo!

Paul Mounsey e Edgard Poças

Voz: Jairzinho e Simony

Participação de Gal Costa

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Oi ! Tudo bem?

Ando vendo na TV

Tudo bom!

E nas revistas, os maiores astrais

Todo mundo na maior

Trilegal!

É importante ser feliz

Tudo bem?

Tudo bom!

 

Tudo bom?

Bem esperto, bem ligado no som

Um rock, toque de canções geniais

Natureza, cordiais saudações!

Tua beleza, como vai?

Tudo bem? Tudo bom?

 

Areias, praias

Céu e mar

Os rios

Matas

Matarás?

 

Mal lhe pergunte, como vai?

Tudo bom?

Tudo bem?

Debaixo do véu da paz

 

Oi!

Como vai?

E vovô, vovó?

Mamãe e papai?

Oi,  mundo!

Oi,  mundo !

Então, diga lá:

A pressão é impressão que se tem?

Tô perguntando pra você?

Como vai? Tudo bem?

Planeta Careta (Pequeño Planeta)

J. Urrutia/F. Presas/ E. Rodriguez/ E. M. Hirschfeld/ Letra: Edgard Poças

Voz: Dominó

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Um maluco

Um desorientado

Pelo espaço girando

Dançando abandonado

 

O sangue da natureza

O cinza pelo céu

E aquela sua beleza que foi pro beleléu

Que foi pro beleléu

 

Um planeta de rosto amargurado

Lanterna do futuro

Campeão do passado

E o sangue da natureza

Jorrando sem parar

Quem paga essa despesa?

Quem é que vai pagar?

Quem é que vai pagar?

 

Planeta careta, você se acaba mal!

Sujando todo o azul do espaço sideral

Que legal! Que legal!

 

As florestas, as matas matarás

E as praias desertas

O mar será o cais?

 

E o sangue da natureza, jorrando sem parar?

Quem paga essa despesa?

Quem é que vai pagar?

Quem é que vai pagar?

 

Planeta careta, você se acaba mal!

Sujando todo o azul do espaço sideral

Que legal! Que legal!

Não Vem Não

Los Brincos – Letra: Edgard Poças

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Voz: Dominó

Se vocês pensam em atacar

A natureza em qualquer lugar

Tenho certeza não vou deixar

Pode crer

É

Não vem, não

 

Se vocês acham que vão roubar

Verde das matas

Do nosso olhar

Nem vem que nós não vamos deixar

Pode parar

É

Não vem, não

 

Se vocês querem aniquilar

Toda alegria que tem no ar

Toda poesia que tem no mar

Pode parar

É

Não vem, não

 

Guardem seus planos de acinzentar

Todas as nuvens

E liquidar pássaros

Peixes

Não vou deixar

Pode parar

Não vem, não


Minha Terra

quarta-feira, Março 30th, 2016

Para os seres despertos, há somente um mundo comum.

Heráclito

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Canto: Paula e Edgard Poças

Minha Terra

Nelson Ayres e Edgard Poças

Dá licença dá licença aí

É a vez da minha terra

De cantar os seu encantos

E as riquezas que ela tem

Minha terra é tão bonita

Que dá gosto a gente ver

E não há lugar no mundo

Tão bom de se viver

 

Nosso céu tem mais estrelas

Nossos bosques tem mais flores

Nossa vida mais amores

E aqui eu sou feliz

 

Minha Terra é um barquinho

Navegando no infinito

Minha Terra meu planeta azul

Você é meu país.

Mi Tierra

Para los seres despiertos, solo hay un mundo común.

Heráclito

Perdona, Perdona,

És la vez de mi tierra

De cantar sus encantos

Y las riquezas que  hay en ella.

 

Mi tierra és tan bonita

Que és sabroso verla

Y no hay sitio en el mundo

Tan bueno de vivir

 

Nuestro cielo tiene más estrellas

Nuestros bosques tienen mas flores

Nuestras vidad más amores

Y aqui yo soy feliz

 

Mi tierra és un barquito

Navegando en el infinito

Mi tierra, mi planeta azul,

Eres mi pais

My Land

For the awakened beings, there is only one common world.

Heraclitus

 Excuse me excuse me

This is the turn of my land

To sing it’s charms

And it’s wealths

 

My land is so beatiful

That delights me to see

And there is no place on earth

So nice to live in

 

Our sky have more stars

Our forests have more flowers

Our life have more love

And here I am happy

 

My land is a small boat

Navigating at the infinity

My land, my blue planet

You are my country.

Ma Terre

Pourles êtres éveillés, il n’ya qu’un seul monde commun.

Héraclite

Je demande le consentement

Le moment venu de louer mon coin

De faire entendre ses enchantements

Ne pas dévoiler ses richesses en vain

 

Si splendide est mon terroir

Qui rempli les yeux

Car il n’y a pas un lieu

Si beau a vivre et a voir

 

Notre ciel a plus d’étoiles

Nos forêts ont plus de fleurs

Nos vies tant d’amours

Et ici je suis heureux

 

Mon pays est un petit vaisseau

Navigant dans l’infinit

Mon pays, mon planète bleu

Tu es mon pays

わがふるさと

思考はすべてのものにとって共通のものとしてある

Heráclito

さぁさ、ごめんよ、聞いてくれ

われのおくにの物語り

魅惑をたたえる歌声は

魔法のような華やかさ

 

わがふるさとは、うるわしく

いついつまでも見あきない

広い世界にただひとつ

生きる喜び感じる所

 

空には遠く星が満ち

森には花が咲き乱れ

わが身は愛が満ちあふれ

わが幸せは今ここに

 

わがふるさとは小舟のごとく

果てしなく漕ぎ渡る

わがふるさとは青色大地

君こそは、わがおくになり

 

WAGA FURUSATO

 

Saa, gomen yo, kiite kure

Ware no kuni no monogatari

Miwaku wo tataeru utagoe wa

Mahoo no yoo na hanayakasa

 

Waga furusato wa uruwashiku

Itsu itsu made mo miakinai

Hiroi sekai ni tada hitotsu

 

Sora ni wa ooku hoshi ga michi

Mori ni wa hana ga sakimidare

Waga mi wa ai ga michiafure

Waga shiawase wa ima koko ni

 

Waga furusato wa kobune no gotoku

Hateshinaku kogiwataru

Waga furusato wa seishoku oochi

Kimi koso wa, waga okuni ni nari

La Mia Terra

Per gli esseri risvegliati, c’è solo un mondo comune.
Eraclito

Permesso, chiedo permesso

È il turno della mia terra

Di osannare le sue grazie

E con esse, le sue ricchezze

 

La mia terra è così bella

Che fa piacere a vedersi

non vi è un luogo più incantevole al mondo

Tanto bello da viversi

 

Il nostro cielo ha più stelle

I nostri boschi, più fiori

Le nostre vite, più amori

E qui sono felice

 

La mia terra è un battello

Navigando nell’infinito

Terra mia, mio pianeta azzurro

Tu sei il mio paese

Meine Heimat

  Für erwachte Menschen gibt es nur eine gemeinsame Welt.

Heraklit

Ich bitte um Verzeihung,

aber jetzt ist die Zeit gekommen,

dass meine Heimat ihre Schönheiten

und ihren Reichtum singen kann

Meine Heimat ist so schön,

wir freuen uns, dies zu sehen.

es gibt keinen anderen Ort

wo man so gut leben kann.

 

Unser Himmel hat mehr Sterne

Unsere Wälder haben mehr Blumen

Unser Leben mehr Liebe

Hier fühle ich mich sehr glücklich

 

Meine Heimat ist wie ein kleines Boot,

das ins Unendliche fährt

Meine Heimat, mein blauer Planet

Du bist mein Zuhause.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

나의 땅 

깨어있는 자들에게는, 오직 공통된 세상만이 존재 한다.

헤라클리트

 실례합니다. 저기,  실례합니다.

나의 땅의 차례 입니다.

그의 매력을 노래 부르며

그가 갖고있는 풍부함에 대해서,

나의 땅은 매우 아름답습니다.

 그렇게 보는것만으로도 즐겁지요

또한 세계 어느곳보다

 살기좋은곳이 없습니다.

우리의 하늘엔 별이 더 많고

우리의 숲엔 꽃이 더 많으며

우리의 인생엔 사랑이 더 많아

 여기 저는 행복합니다.

나의 땅은 통통배이며

무한을 항해하며

나의 땅, 나의 파랑 행성

당신은 나의 나라이다.

 

 

 

Epígrafe e trecho do prefácio de A Conexão Planetária, o mercado, o ciberespaço, a consciência, de Pierre Lèvy, editora 34. Valeler. Tradução de Maria Lúcia Homem e Ronaldo Entler:

“Até aqui, poderíamos dizer, os homens viviam ao mesmo tempo dispersos e fechados neles mesmos, como passageiros acidentalmente reunidos no portão de um navio do qual não suspeitavam nem a natureza móvel, nem o movimento. Sobre a terra que os agrupava, não concebiam, pois, nada de melhor a fazer alem de discutir ou se distrair. Eis que por acaso, ou melhor, pelo efeito normal da idade, nossos olhos acabam por se abrir. Os mais ousados dentre nós alcançaram a ponte. Eles viram a nave que nos levava. Eles perceberam a espuma ao longo da proa. Eles se deram conta de que havia uma caldeira para alimentar – e também um leme a governar. E sobretudo eles viram flutuar nuvens, eles aspiraram o perfume das ilhas para alem da linha do horizonte: não mais a agitação humana ali – não a deriva – , mas a viagem.” (Teilhard de Chardin).

“De agora em diante, a grande aventura não é mais aquela de países, de nações, de religiões ou de ismos quaisquer; a grande aventura é a aventura da humanidade, a aventura da espécie mais inteligente do universo conhecido. Essa espécie ainda não é completamente civilizada. Ela ainda não tomou consciência integralmente de que forma apenas uma única sociedade inteligente. Mas a unidade da humanidade está se fazendo agora. Após tantos  esforços, é enfim, chegada a unificação da humanidade, sob  uma forma que nós não esperávamos  não é um império, não é uma religião conquistadora, uma ideologia, uma raça pretensamente superior, uma ditadura qualquer; são imagens, canções, o comércio, o dinheiro, a ciência, a técnica, as viagens, as miscigenações, a Internet, um processo coletivo e multiforme que brota de todo  lugar. Que acontecimento extraordinário! “ (Pierre Lèvy).

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

O Infante, Mar Portuguez, Mensagem, Fernando Pessoa

Agradecimentos: Marcos Xuxa Levy, Silvia Ocougne, Jaime Lee, Ruriá Duprat , Carlo Gancia, Hidenori Sakao, João Rodolfo Stroeter e Karlo Asis Shaya.

Já esta no Youtube:

Carlos Manga. Minha homenagem.

sexta-feira, setembro 18th, 2015

Duas vezes seguidas. Carlos Manga foi um ídolo para mim. A Atlântida foi é e será sempre história de um Brasil querido e ele foi protagonista.

Tive a alegria de filmar com ele. E tomar uma bronca:

– Corta, voce olhou para a câmera!

Eu fazia uns filmes como modêlo e era um canastrão, mas a honra de ser dirigido por Carlos Manga é toda minha. Era um filme publicitário para a Transbrasil, intitulado Defendendo as Cores, com produção da E. B. Filmes. 1986. Lembro que ele não olhava pela câmera; assistia o filme vendo tudo e todos. Eu tinha que descer pela escada rolante do aeroporto para encontrar minha esposa que chegara de viagem e abraçá-la. Ele lá embaixo, gente passando pra lá e pra cá, lembro que tinha um time de basquete chegando, gente se abraçando, deu a ordem:

– Roda!

No que eu coloquei o pé na escada o grito ecoou no hall:

– Corta, voce olhou para a câmera!

Duas vezes seguidas.

Lembro disso com lágrimas nos olhos; depois da cena aprovada ele se dirigiu a mim e disse que não ficasse chateado, diretor de cinema era chato mesmo! Aproveitei a chance e puxei o papo para O homem do Sputinik, Matar ou Correr, Nem Sansão nem Dalila, meus preferidos, que ele dirigiu na gloriosa Atlântida Filmes, e ficaria a noite toda ouvindo suas histórias. Carlos Manga era um emérito contador de histórias.

Onze anos depois gravei por telefone seu depoimento para o espetáculo Braguinha, 90 anos 90  em homenagem ao genial compositor, que escrevi a convite de meu parceiro Rodolfo Stroeter para o SESC e que teve a participação de Johnny Alf, Mônica Salmaso, Renato Brás, Noite Ilustrada, André Abujamra, Cyro Pereira, Nelson Ayres e a estréia da minha filha Céu cantando  A Tuba do Serafim. Gravei tambem depoimentos de Aurora Miranda, Mário Lago, José Ramos Tinhorão, Gilberto Gil, Washington Olivetto, Joyce Pascovitch que ficarão para um futuro post sobre o espetáculo que ficou muito bonito.

Deixo aqui, sem cortes, no ar, o grande e generoso Carlos Manga, condescendendo com a agitação do entrevistador diante de um ídolo e com o bip inconveniente da secretária eletrônica de onde realizei a entrevista.

Agora o céu é Atlântida.

 

Coisa e Tal

segunda-feira, agosto 17th, 2015

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Roberto Sion e Edgard Poças

Salve nossa escola de alegria

Verde amarela cor de anil

Salva de dores nas ruas

Nos lares, nos bares

Pindorama, meu  Brasil

 

Salve nossa imensa alegoria

Salve salve nossa evolução

Raça brincando de melancolia

Folia

Com tradição

 

Passa

Tudo passa na avenida do perdão

Baticum dum coração

 

Samba enredo

Praça da alegria nacional

Afinal, coisa e tal

Pé em Deus e fé na mágoa

Sempre é Carnaval:

– Salve Sinho Rei

– Salve Sinho Rei Salvadô

Ô ô ô ô

 

– Salve Sinho Rei

– Salve Sinho Rei Salvadô

Ô ô ô ô

Rascunho gravado no Estúdio Cardan, do saudoso Vicente Sálvia, em 1981.

Voz: Edgard Poças

Participações: Nelson Ayres, Rodolfo Stroeter e Paulo Bellinati.

Trem de Bamba. Lembrança de Duke Ellington e sua Orquestra.

quarta-feira, Abril 29th, 2015

O Totem Bar ficava na avenida Santo Amaro, em São Paulo, no fundo de um terreno enorme cuja frente servia de estacionamento e foi lá, numa noite de 1968, que um conjunto de garotos da garoa, tocou Garota de Ipanema para o grande Duke Ellington – e sua orquestra.

Nelson Ayres no piano, Zeca Assumpção no baixo, Roberto Sion no sax, William Caran na bateria e eu no violão, mandamos a maior brasa e ao final, na sua nobreza, o Duke me sapecou tres beijos. Eu era o mais próximo.

Durante minha impetuosa performance notei um olhar curioso; acho que ele reparava que, no Brasil, o violão – da bossa nova – era tocado sem palheta, ao contrário dos guitarristas de jazz que adoravam a bossa nova.

Tive a sorte de viajar acompanhado de quatro azes, aí qualquer carta é coringa.

Como nós fomos parar no Totem, tocar para Duke Ellington e sua orquestra eu não tenho a menor idéia.

Lembro que eu fiquei até altas horas – o Duke e a banda foram embora cedo – com o trumpetista, CatAnderson, e iniciamos um porre federal que terminou numa boite que eu não lembro o nome – ficava naquela ladeira, não lembro o nome, que liga a Rua Martins Fontes à avenida Nove de Julho. Tambem não lembro como cheguei em casa.

Lembro que dias depois assisti ao lado do meu primo Kiko Marques da Costa a inesquecível apresentação de Duke Ellington e sua Orquestra no Teatro Municipal de São Paulo.

Abriram com Take the A Train e eu caí no chôro. Nunca tinha visto tanto genio junto. Sophisticated Man, tocando aquele piano incrível, regendo com classe de mestre sala os caras que eu colecionava que nem figurinhas!

Após o concerto descemos até os camarins para ver as feras – não tinha muita gente – abri uma garrafinha de uísque, e sorvemos na companhia do saxofonista Paul Gonsalves  e do trumpetista Cootie Willians, coautor de Round About Midnight em parceria com o insofismável Thelonious Esfera Monge!  Isso eu lembro muito bem,

Uma pequena lembrança de Edward Kennedy “Duke” Ellington no seu aniversário de nascimento, ele que nunca morrerá. Nem sua orquestra.

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Take the A Train, de seu querido amigo e parceiro Billy Strayhorn.

Trem de Bamba

Vem que vem de banda

E vem no trem do Harlem de Luanda

Vem vem mais um bamba

É,  é o Duke Ellington no samba!

Salve o Duque do pandeiro

Salve o afro brasileiro!

Voz: Maurício Novaes

Diamonds shining:

– Ele, sua turma, e o grande Billy Straihorn:

 

– Com a crooner Betty Roché:

 

– Com o sensacional Ray Nance solando:

– Com solo de Cootie Williams:

http://www.youtube.com/watch?v=8S6Pt4FqKLU

Mais uma:

Bônus:

– Paul Gonsalves:

http://www.youtube.com/watch?v=emgd6MbUExI&feature=related

Johnny Hodges – vale chorar:

http://www.youtube.com/watch?v=XYfvgXHDGrA  – vale chorar.

Harry Carney:

http://www.youtube.com/watch?v=brqxEdwsTQs

Duke Ellington nasceu em Washington, 29 de Abril de 1899  e morreu em Nova Iorque, em 24 de Maio de 1974.

Existe em São Paulo, a Rua Duke Ellington! Localizada no bairro de Baronesa – cidade de Osasco.

Jean William. Dois Atos.

domingo, agosto 10th, 2014

Meus amigos, aí está o resultado de um trabalho realizado com muito amor e dedicação. Dois Atos, dois CDs. Jean William é um grande artista. Agradeço a ele a oportunidade de fazer a direção artística, consultoria de repertório, além da produção e direção Musical ao lado do querido Ney Marques, e mais ainda, a sua interpretação de Estrelinha, parceria com meu velho amigo Nelson Ayres, e da Serenata, letra que escrevi em homenagem ao genial Cândido das Nevessobre a famosa melodia (Ständchen) de Franz Schubert.

CD #1

01. Noche Ronda (Agustin Lara & Maria Tereza Lara)

Participacão: Fafá de Belém

Arranjo e piano : Ruriá Duprat

02. Amor em Lágrimas (Claudio Santoro & Vinícius de Moraes)

Arranjo e piano: Nelson Ayres

Contrabaixo: Zeca Assumpção

03. All The Things You Are ( (Jerome Kern & Oscar Hammerstein II), com citação de Night and Day (Cole Porter/) e Fly Me to the Moon (Bart Howard)

Participação: Alissa Sanders

Arranjo e piano: Nelson Ayres

04. Estrelinha (Nelson Ayres & Edgard Poças)

Arranjo e piano: Nelson Ayres

05. Hymne a L’amour (Marguerite Monnot & Edith Piaf)

Arranjo e piano: Ruriá Duprat

Violões: Webster Santos

Acordeão: Marinho

06. Poema dos Olhos da Amada (Paulo Soledade/ Vinicius de Moraes)

Arranjo e piano: André Mehmari

Suíte dos Pescadores (Dorival Caymmi)*

O Mar, O Bem do Mar, Canção da Partida, Adeus da Esposa, Temporal, Cantiga da Noiva, Velório, É Doce Morrer no Mar, Canção da Partida.

*Todas as composições são de autoria de Dorival Caymmi, exceto É Doce Morrer no Mar que é parceria deste com Jorge Amado.

Montagem da suíte: Edgard Poças

Arranjo e violoncelo: Jaques Morelenbaum

Violão: Marco Pereira

Contrabaixo: Rodolfo Stroeter

Percussão: Caito Marcondes

Côro dos Pescadores: Jean William, Edgard Poças e Roberto Teixeira

Participações: Mônica Salmaso, Céu e Paula Morelenbaum

Orquestra de cordas:

Violinos: Adriana José de Melo, Alex Braga Ximenez, Cristina Cabral Fernandes da Costa, Fernando H.Travassos da Rosa, Heitor Hideo Fujiname, Luiz Britto Passos Amato, Marcos Henrique Scheffel, Nadilson Martins Gama, Otávio Scoss Nicolai, Pablo Zappelini de Leon, Paulo Calligopoulos, Ricardo Bem Haja da Fonseca.

Violas: Alexandre de Leon, Daniel Pires da Silva, Fábio Taguaferri Sabino, Roberta Lizandra Marcinkowski.

Cellos: Adriana Cristina de B. Holtz, Dimas Goudaroulis, Gustavo Pinto Lessa, Patrícia Mendonça Ribeiro.

Contrabaixo: Ana Valeria Poles de Oliveira.

Gravado nos estúdios:

Gravodisc: Engenheiro de áudio: Elcio Alvarez Filho, Assistente de estúdio: Gabriel Teixeira, Edição: Guido Baldacin

Estúdio Flautin 55: Engenheiro de audio: André Malaquias

Estúdio de André Mehmari

CD #2

01. Una furtiva lagrimada Opera L’elisir D’amore, de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani*

02. Ardir ah forse il cielo, voglio direda Opera L’elisir D’amore, de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani*

Dueto com Davide Rocca

03. Chiedi all’aura lusinghierada Opera L’elisir D’amore, de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani*

Dueto com Federica Vitali

04. Libiamo, Libiamo, da Opera Rigoletto de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave*

Dueto com Federica Vitali. Participação do Coral Luther King

05. Bella Figlia Dell’amore, da Opera Rigoletto de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave*

Quarteto com Federica Vitali, Adriana Clis, Jean William e Davide Rocca

06. Melodia Sentimental, de A Floresta do Amazonas, Heitor Villa-Lobos. Letra de Dora Vasconcelos**

07.  Serenata (Standchen), de Franz Schubert. Letra: Edgard Poças**

Orquestra Filarmonica Bachiana Sesi – SP:

Flauta: Ana Maria Gaigalas, Carlos Eduardo, Gomes de Souza

Clarinete: Leirson C.Maciel, Tiago José Garcia

Oboé: Gerson Quirino De Abreu, Wainer C. De Carvalho

Fagote: Eliseu Silva Nascimento, Osvanilson de Castro Ferreira

Trompa: Douglas Rodrigo Bruno da Costa, Eduardo Gomes da Silva, Rafael de Paula Nascimento, Vitor Ferreira Neves

Trompete: Adenilson Roberto Telles, Wellington de Souza Pinto

Trombone: Marcos Antonio Pacheco N. Junior: Marcos Henrique de Paula: Tiago Azevedo De Araújo

Tuba: Gustavo de Jesus Campos

Contrabaixo: Rafael Rodrigues da Silva, Thiago Hessel De Paula, Thiago Paganelli de Oliveira

Percussão: Daniel Dias de Lima, Natali Calandrin Martins

Violino: Ana Camila Castilho Bordino, Anderson Alves Tavares< Andréa De Araujo Campos, Andressa dos Santos Matheus, Carolina Camargo Duarte, Cintia Nunes Leite de Camargo, Davi Ricardo Mirada Gama, Dorin Serban Tudoras, Eduardo Augusto de Almeida Silva, Eduardo M.Leite de Camargo, Fellipe Moreira Santarelli, Flávio Geraldini, Hanry Dawson Oliveira Ribeiro, Hudson F.Gorzoni Pires, Israel Fogaça Junior, Jonathan Souza Cardoso dos Santos, Natalia Portilho Mattos, Pedro Roberti Gobeth, Renato Marins Yokota, Sara Silva de Oliveira

Viola: Danielle Lima de Andrade, Denise de Freitas Fukuda, Elisa Graciela Ribeiro, Everton Rodrigues de Souza, Francisco Ederson F.Pereira, Tiago Vieira Rocha

Violoncelo: Alice Mayumi Michetelli, Franklin Martis Chaves, Rafael Victor F.Fernandes, Thais Camargo Duarte, Túlio Padilha Pires, Wellington Ramos

Coral Luther King: Sira Milani, Wagner Dias, David Matias Salim Neto, Roberto Mendes Barbosa, Cintia Derio, Daniel Giffoni, Daniel José Lopes, Daiane Scales Cezario, Alba Stela Zilahi, Alex Mastropasqua, Andréia Balbino, Antonio Martins Neto, Carolina da Silva, Irene B. Moreira dos Santos Kabengele, Débora Maclean, Denise Sacchetto, Dina Valeria Milani, Enilde Borges Costa, Francisca Monteiro de Oliveira, Garbo Aranyi, Gustavo Manzani, Ione A. Rodrigues de Souza, Jacira dos Santos Costa, Joanice  Cerqueira Fonseca, João Afonso Filho, Larissa Acelina Casemiro de Queiroz, Geni Aparecida Barbosa, Luisa Ventura Giraldez, Fernandes dos Santos, Mariana Anacleto, Milena M. De Andrade, Nivaldo Marcelino, Paulo Rogério Jacovick, Rodrigo Garcia, Rodrigo Wagner de Freitas, Rogério Tabyra, Rosana Taketomi de Araújo e Victor Ribeiro de Oliveira.

Gravado ao vivo na Sinagoga Shalom

Engenheiro de audio: Gato

Edição: Guido Baldacin

Fotos da capa : Danilo Mantovani

Projeto Gráfico: Aldeia Idéias

Direção de Arte: Paulo Hardt/ Matheus Hardt

Produção Fonográfica: Dabliú

Gerencia de Produção: Tatiana B.Librelato

Produção Executiva: Zezito Marques da Costa

Direção Artística e Consultoria de Repertório: Edgard Poças

Produção e Direção Musical: Edgard Poças e Ney Marques

Direção de Produção: Fred Rossi

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 Aperitivo do CD #1

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Documentário fotográfico das gravações:

 

Mano a Mano

segunda-feira, junho 17th, 2013

Tango composto para a peça Tratado Geral sobre a Fofoca*, de Ana Luiza Fonseca, encenada em 1980, no Teatro Anchieta, baseada no livro de mesmo nome, com o sub título uma análise da desconfiança humana, de autoria do dr. José Angelo Gaiarsa.

Mano a Mano, foi composto para um personagem, que se modelou pela perspectiva de todos; para ele, “ser”, dependia do poder de fora. “Ser” contrariava o staus quo, e aí, sobrevinha a culpa => Meu modelo é voce. A tragicômica relação do “grande ator” e sua platéia interna foi, irônicamente, batizada com o título do célebre tango.

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Nelson Ayres – Edgard Poças

A farsa se acabou no pano que caiu

Arrebatada a platéia aplaudiu

Pasmada que ficou

Ao céu se dirigiu:

– Que astro no teu véu assim luziu?

 

Atrás de ilusão

Adoração fingiu

Num riso de ribalta se traiu

Atriz da ilusão

Comovida chora

Rendida de paixão não vai embora

 

E o pobre sedutor, lá dentro, num pavor

Escuta a velha voz que lhe devora

Que grita com furor:

– À cena impostor !

E fotos, filas, fãs , fiéis, lá fora

 

Um tiro põe um fim

O espelho  se desfaz

E a trama toda estilhaçada jaz

No chão do camarim

Num corpo de arlequim

Em cacos de platéia

Enfim, em paz

 

Nunca mais alguem verá tão grande ator

E jamais receberá tão grande amor

Quem tão sedutora e tão fiel ?

Quem merecedor desse papel?

 

Como bom final não é muito feliz

Mas se foi fatal foi tal como se quis

Mano a mano, vão-se ator e atriz

Num louco ato único e sem bis.

*Detalhes sobre a peça em:

http://www.edgardpocas.com.br/wp-admin/post.php?post=12537&action=edit

Comentários sobre o livro em:

http://estudoliteraturas.blogspot.com.br/2009/01/tratado-geral-sobre-fofoca.html

Estrelinha • Jean William, Nelson Ayres e Edgard Poças.

quarta-feira, novembro 14th, 2012

 

 

Show do dia 12 de outubro de 2012 no Tom Jazz.

Estrelinha

 Nelson Ayres e Edgard Poças

Estrelinha linda

Era só brilhar

E sonhar no azul do céu

Mergulhou no mar

 

Veio uma onda

Lhe deixou na areia

Estrelinha apagou-se, dormiu

Acordou sereia

 

Foi morar numa ilha, sozinha

Cantou o seu canto encantado

Pras ondas de prata trazerem

Um namorado

 

Piratas e aventureiros

Surgiram de todos os lados

E alguns tubarões

E lobos do mar

Apaixonados

Mensagens, garrafas, chegavam boiando

E muitos carinhas nadando, coitados!

Nenhum era seu bem amado…

Ninguem era o sonho acordado…

 

Se cansou da ilha

Se encheu do mar

Se lembrou de olhar pro céu

Desejou voltar

 

E chorou tão triste

Dava dó de vê-la

Mergulhou num sonho profundo

Acordou estrela.

Via Láctea

Olavo Bilac

Ora ( direis ) ouvir estrelas!

Certo, perdeste o senso!

E eu vos direi, no entanto

Que, para ouví-las,

muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto

 

E conversamos toda a noite,

enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,

Cintila.

E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?

Que sentido tem o que dizem,

quando estão contigo? ”

 

E eu vos direi:

“Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e e de entender estrelas