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Meu Violão de Estimação

quarta-feira, outubro 28th, 2015

Meu violão de estimação

“De tanto roçar meu peito

Tens hoje o timbre perfeito

Da voz do meu coração.”

Meu Companheiro. Chico Alves e Orestes Barbosa.

 

Esse é o violão da minha juventude, autografado por pessoas encantadoras que conheci nas serestas, saraus,  em casas familiares e nos bares.

“Quem toca em casa familiar

É o bobo Lelé

Fica sem mão pra beber

Fica sem mão pra mulher!”

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Vinicius de Moraes e meu primo querido Zequinha Marques da Costa, lá pelas tantas cantavam essa música pra tirar sarro da minha cara que varava a noite tocando feito um desvairado, e eles numas…

Vinicius e Zequinha

Zequinha me disse que a obra é de autoria Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Sério Porto, por Nassara

Sério Porto, por Nassara

Enfim, taí o pinho,  assinado por: João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque, Rosinha de Valença (que saudade bicho!), Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro, Edú Lôbo, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Mendes, Ruy Guerra, Norma Benguell, Odete Lara, Os Cariocas (Severino, Badeco, Quartera e Luiz Roberto), Paulo Autran, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Luiz Eça, Dom Um (que saudade bicho!), MPB4, Pedrinho Mattar, Paulinho Nogueira, Claudette Soares, Walter Wanderley, Alaíde Costa,Anna Lúcia,  Flávio Rangel, Silveira Sampaio (o Jô Soares era assistente do seu talk show no inicio dos anos 60!), Geraldo Cunha (viva o Jogral!), Dudi Maia Rosa, Walter Santos (Bossa Nova ou Samba Jazz?) e Diogo Pacheco.

Deixaram de autografá-lo por motivos de força maior ou menor, seja pelo adiantado da hora, libações etílicas ou irresponsabilidade, Wilson Batista – o maior sambista brasileiro de todos os tempos – Ismael Silva, Dick Farney, Duke Ellington e orquestra, Ataulfo Alves, Sergio Ricardo, Grande Otelo, Billy Blanco, Jorge Goulart, Nora Ney, Otto Lara Resende, Ze Kéti, Jô Soares, Hervê Cordovil , Alexandre o’Neill, Carlos Manga, Wilson Simonal, Sylvia Telles, José Carlos Ferreira, o Boi, Don Rossé Cavaca, Milton Nascimento e  Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Fica pra próxima.

Novamente juntos eu e o violão

Vagando devagar, por vagar

Cantando uma canção qualquer, só por cantar

Mercê da solidão

Vadiando em vão por aí

Nós vamos seguir,

Outra rua, outro bar, outro amigo, outra mão

Qualquer companheira, qualquer direção

Até chegar em qualquer lugar

Qualquer que seja a morte a esperar

Jamais meu violão me abandonará

Se eu vivi, foi inútil viver

Já mais nada me resta saber

Quero ouvir meu violão gemer

Até me serenizar.

Violão vadio.

Edgard Poças e seu ViolãoBaden Powell e Paulo César Pinheiro

 

Trem de Bamba. Lembrança de Duke Ellington e sua Orquestra.

quarta-feira, abril 29th, 2015

O Totem Bar ficava na avenida Santo Amaro, em São Paulo, no fundo de um terreno enorme cuja frente servia de estacionamento e foi lá, numa noite de 1968, que um conjunto de garotos da garoa, tocou Garota de Ipanema para o grande Duke Ellington – e sua orquestra.

Nelson Ayres no piano, Zeca Assumpção no baixo, Roberto Sion no sax, William Caran na bateria e eu no violão, mandamos a maior brasa e ao final, na sua nobreza, o Duke me sapecou tres beijos. Eu era o mais próximo.

Durante minha impetuosa performance notei um olhar curioso; acho que ele reparava que, no Brasil, o violão – da bossa nova – era tocado sem palheta, ao contrário dos guitarristas de jazz que adoravam a bossa nova.

Tive a sorte de viajar acompanhado de quatro azes, aí qualquer carta é coringa.

Como nós fomos parar no Totem, tocar para Duke Ellington e sua orquestra eu não tenho a menor idéia.

Lembro que eu fiquei até altas horas – o Duke e a banda foram embora cedo – com o trumpetista, CatAnderson, e iniciamos um porre federal que terminou numa boite que eu não lembro o nome – ficava naquela ladeira, não lembro o nome, que liga a Rua Martins Fontes à avenida Nove de Julho. Tambem não lembro como cheguei em casa.

Lembro que dias depois assisti ao lado do meu primo Kiko Marques da Costa a inesquecível apresentação de Duke Ellington e sua Orquestra no Teatro Municipal de São Paulo.

Abriram com Take the A Train e eu caí no chôro. Nunca tinha visto tanto genio junto. Sophisticated Man, tocando aquele piano incrível, regendo com classe de mestre sala os caras que eu colecionava que nem figurinhas!

Após o concerto descemos até os camarins para ver as feras – não tinha muita gente – abri uma garrafinha de uísque, e sorvemos na companhia do saxofonista Paul Gonsalves  e do trumpetista Cootie Willians, coautor de Round About Midnight em parceria com o insofismável Thelonious Esfera Monge!  Isso eu lembro muito bem,

Uma pequena lembrança de Edward Kennedy “Duke” Ellington no seu aniversário de nascimento, ele que nunca morrerá. Nem sua orquestra.

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Take the A Train, de seu querido amigo e parceiro Billy Strayhorn.

Trem de Bamba

Vem que vem de banda

E vem no trem do Harlem de Luanda

Vem vem mais um bamba

É,  é o Duke Ellington no samba!

Salve o Duque do pandeiro

Salve o afro brasileiro!

Voz: Maurício Novaes

Diamonds shining:

– Ele, sua turma, e o grande Billy Straihorn:

 

– Com a crooner Betty Roché:

 

– Com o sensacional Ray Nance solando:

– Com solo de Cootie Williams:

http://www.youtube.com/watch?v=8S6Pt4FqKLU

Mais uma:

Bônus:

– Paul Gonsalves:

http://www.youtube.com/watch?v=emgd6MbUExI&feature=related

Johnny Hodges – vale chorar:

http://www.youtube.com/watch?v=XYfvgXHDGrA  – vale chorar.

Harry Carney:

http://www.youtube.com/watch?v=brqxEdwsTQs

Duke Ellington nasceu em Washington, 29 de Abril de 1899  e morreu em Nova Iorque, em 24 de Maio de 1974.

Existe em São Paulo, a Rua Duke Ellington! Localizada no bairro de Baronesa – cidade de Osasco.