Castelo de Caras

março 20th, 2020
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Sequenciadores: Performer e Logic

Computador: Macintosh

Junho de 2003

Seguem quatro faixas.

• O Cortejo do Rei e o Côro dos Soldados

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A Princesa Bailarina

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O Lago Encantado

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A Batalha

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Meu amigo Zé Vasconcellos.

março 20th, 2020


José Thomaz da Cunha Vasconcellos Neto, nasceu na cidade de Rio Branco, capital do Acre em 20 de março de 1926. Foi um gênio da arte de fazer rir.

Criou em 1952, o primeiro programa humorístico da televisão brasileira, “A Toca do Zé”, para a TV Tupi de São Paulo. Inventou o que hoje se chama stand-up comedy. Seu LP “Eu Sou o Espetáculo”, gravado em 1960 – voce pode ser baixar no excelente Toque Musical :  http://toque-musicall.blogspot.com  – vendeu mais de 100 mil cópias!

Assista o Zé. no Youtube . O Documentário “Ele é o Espetáculo”, de Jean Carlo Szepilovski e Ricardo José Haynal é uma homenagem ao conjunto de sua obra.

http://www.youtube.com/speedbox01#p/u/12/izz6AwDk-tA

Tive a honra e o prazer  de produzir e compor as vinhetas musicais deste CD. Inicialmente foi um CD brinde – Rir é o Melhor Remédio – criado em 1998, para a Bayer do Brasi e depois comercializado pela gravadora Tempo 3. Seguem quatro faixas. Grande Zé.

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• Cachanga

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5ª de Beethoven

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• Recenceamento no céu

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• Encerramento

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Valeu Zé. Dá um abraço no Garôto.

Ouça Nick Bar, de Garôto e José Vasconcellos, na voz de Dick Farney, outro amigo genial.

Saudade.

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Introdução: C7M Am7 Dm7 Bb7 C7M Dm7/9 G7/13 G7/13- G7 

C7M       Am7        Dm7 G7  C7/9+           Am7       Em7/9 A7/13-
Foi neste bar pequenino,         onde    encontrei meu amor
Dm7       E7/9-      Am7+ Am7 D7/9                      Fm/G# G7
Noites e noites sozinho,            vivo lembrando uma dor
C7M      Am7       Dm7 G7  C7/9+        Am7         Em7/9 A7/13-
Todas as juras sentidas           que o coração já guardou
F7M        Bb7         Em5-/7 A7 Dm7               G7      C7M
Hoje são coisas perdidas              que   o eco ouviu e calou
               Fm7 G7/13- C7M                   Fm7  G7    C7M
Você partiu e   me    deixou      não sei viver sem seu olhar
          Bm5-/7  E7/13-   Am7               D7/9     Fm/G# G7/13 G7/13-
E o que ficou  só me    lembrou nossos encontros no Nick Bar
C7M       Am7        Dm7 G7  C7/9+          Am7       Em7/9 A7/13-
Todas as juras sentidas            que o coração já guardou
F7M        Bb7           Em5-/7 A7     Dm7     G7     C7M
Hoje são coisas perdidas        que  o eco ouviu e calou
Instrumental solo: C7M  Am7 Em7/9  A7/9- Dm7 E7 Am7 D7 Dm7 G7/13 G7/13-
C7M                                             Dm7     Em7  C7
Todas as juras sentidas que o coração já guardou
F7M        Bb7           Em5-/7 A7         Dm7 G7       C7M
Hoje são coisas perdidas             que o eco ouviu e calou
              Fm7 G7/13- C7M               Fm7       G7 C7M
Você partiu e me deixou      não sei viver sem seu olhar
            Bm5-/7 E7         Am7                 D7      Dm7  G#7
E o que sonhei só me lembrou    nossos encontros no Nick Bar
C#7M                                          D#m7    G#m7  C#7/9-
Todas as juras sentidas que o coração já guardou
F#7M      B7         Fm5-/7  A#7       D#m7   G#7  C#7M  G#m7 C#7/9-
Hoje são coisas perdidas          que  o eco ouviu e calou
F#7M        B7           Fm5-/7   A#7    D#m7   G#7  C#7M
Hoje são coisas perdidas          que  o eco ouviu e calou

Sobre o Nick Bar:

http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=165

Com meu primo Zezito Marques da Costa, quando tentávamos produzir um programa de TV, que, infelizmente não veio acontecer.

Valeu Zé. Dá um abraço no Garôto.

Ernesto Nazareth

março 20th, 2020

Ernesto Nazareth, primeiro gênio da música brasileira, nasceu em 20 de março de 1863.

Aqui vão duas das suas composições.

Para ouvir ajoelhado.

Carioca, com Arthur Moreira Lima:

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Odeon, com Nara Leão, letra – composta a pedido dela ao nosso grande Vinicius de Moraes. Desculpem o chiado:digitalizei do LP Nara, muito ouvido e não olvidado, comprado em 1968, na Eletroarte da rua Augusta.

Odeon, com Nara Leão, letra – composta a pedido dela pelo nosso grande Vinicius de Moraes. Desculpe o chiado; digitalizei do LP Nara, muito ouvido e não olvidado, comprado em 1968, na Eletroarte da rua Augusta.

O compositor francês Darius Milhaud incorporou Carioca (alem de Ferramenta, Escovado, Apanhei-te Cavaquinho e Brejeiro do nazareth) e várias outras de outros autores brasileiros à partitura do seu ballet Le Boeuf Sur le Toit (O Boi no Telhado).

Texto de Daniella Thompson extraído de um ensaio elaborado especialmente para o projeto Músicos do Brasil: Uma Enciclopédia patrocinado pela Petrobras através da Lei Rouanet:

Le Boeuf sur le Toit, a composição mais conhecida de Milhaud, é uma concatenação animada de motivos melódicos tomados de empréstimo a 28 músicas, 24 das quais publicadas no Brasil entre 1890 e 1919, sendo a maioria datada do período em que o compositor viveu no Brasil. Com a exceção de “O Boi no Telhado” (composta em 1918 e, portanto, nunca uma “velha ária brasileira” como disse Milhaud), de cujo título se apropriou, ele nunca mencionou os nomes das canções brasileiras que incorporou ao Le Boeuf sur le Toit. Sete das canções eram de autoria de Tupinambá e quatro de Nazareth mas, apesar de seu entusiasmo declarado pelos dois compositores, Milhaud nunca reconheceu as contribuições deles à sua obra, como também jamais mencionou os outros doze compositores brasileiros cujas melodias citou.

http://ensaios.musicodobrasil.com.br/daniellathompson-comooboisubiunotelhado.htm

Na sua autobiografia Milhaud escreveu:

Um dos melhores compositores (de maxixes e tangos), Nazareth costumava tocar piano em frente à porta de um cinema na avenida Rio Branco.  Sua execução fluída, elusiva e triste me ajudou a compreender melhor a alma brasileira.

Trecho de O Boi no Telhado onde aparece carioca e em seguida em contraponto com Escovado, tambem de Ernesrto Nazareth, extraído do LP

que pode ser ouvido na íntegra no endereço:

Vale a pena visitar o site:

http://daniellathompson.com/

e ler The Boeuf Chronicles completas.

E pra esgotar o assunto, o livro O Boi no Telhado, Darius Milhaud e a música brasileira no modernismo francês, organizado por Manoel Aranha Corrêa do Lago.

Sobre Ernesto Nazareth, nada melhor do que o livro O enigma do homem célebre: ambição e vocação de Ernesto Nazareth, de Cacá Machado, Instituto Moreira Salles, 2007, mas, antes, vai bem a leitura do conto Um Homem Célebre, de Machado de Assis.

http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/umhomemcelebre.htm

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!

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E pensar que ele não curtia muito a sua obra!

Apanharam-te Nestico!

Mindinha de Villa-Lobos

março 5th, 2020

Em 1974, fui ao Rio de Janeiro, conhecer o Museu Villa-Lobos, no trem noturno, apelidado, por Vinicius de Moraes,”avião dos covardes”. Viajei a viagem toda, na possibilidade de, que sabe , arrumar um estágio na Universidade Musical de Cascadura.

Infelizmente não havia vaga nenhuma, mas, ouve um papo com dona Arminda, a Mindinha, mulher do Villa, a quem ele dedicou, entre muitas peças, os Cinco Prelúdios Para Violão e as Nove Bachianas Brasileiras. Seguem os três melhores momentos.

Dona Mindinha contou que numa ocasião em Nova York, Villa-Lobos a levou para ouvir um grande compositor- não disse quem nem onde – que ia se apresentar ao piano. O lugar, segundo ela era bem mixuruca, e o músico, numa pindaíba danada, era nada mais nada menos que Béla Bartók! Villa e Bartók tinham ouvido absoluto e compunham sem usar nenhum instrumento, ou seja, tudo de cuca.

Perguntei se ela conhecia Antonio Carlos Jobim. Eu sabia da admiração de Tom pela obra de Villa-Lobos. – Sim, claro que conheço, ele compõe melodias lindas, e ama a obra de Villa-Lobos. Uma ocasião, lá pelos anos 50, ele esteve em nossa casa. Lembro bem dele, brincando, ao se despedir : – Maestro, quer vender pra mim a ária da Bachiana Nº5? O Villa riu mais do que normalmente, ele gostava do Tom. Antônio Carlos Jobim estava começando sua monumental carreira de compositor, que o consagrou no mundo inteiro.

Após um cafezinho, dona Mindinha foi atender alguém, disse que voltava logo, e que eu a esperasse. Fiquei rodando pela sala olhando alguns pertences do maestro – batuta, piteira, vários lápis, borrachas, óculos, tentado a trazer, graciosamente, um lápis com prolongador que não parava de olhar pra mim. Bem, dona Mindinh a voltou a tempo de frustrar o assalto ao patrimônio nacional, e, cheio de graça, confessei minha intenção. – Edgard, mas que coisa feia! – Pois é, dona Mindinha, eu sei, mas acontece que lápis está encantado que nem o Guia Prático! Com ele na mão, até eu escrevo uma sinfonia!

Voltei com um bocado de partituras que ganhei de dona Arminda de Villa-Lobos, entre elas a, Melodia Sentimental, que vinte e dois anos depois, sugeri à Zizi Possi que a incluísse no repertório do CD Mais Simples. Na ânsia de ir ao Museu, me confundi, e, ao invés do Guia Prático – a caixinha de ferramentas do maestro – levei o Solfejos, que aí está, autografado por Mindinha Villa-Lobos

Villa Lobos

março 5th, 2020

Villa Lobos nasceu em 5 de março de 1887 e morreu em 17 de novembro de 1959.

Gênio. Índio de casaca. Formado pela universidade de Cascadura.

Sobre a inspiração:

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Grande Villa!

Modinha da Bachiana 1.

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Sem palavras.

 

Atlas Infantil do Patrimônio Cultural Brasileiro

fevereiro 22nd, 2020

Criação: Edgard Poças

Direção de arte de Andrea Liguori, Caroline Guimarães e Gabriela Pace Bauab.

Ilustrações: Albatroz

Direção: Luís Maluf

Lançamento: Dezembro de 2005

Editora: Caras S.A.

Ciranda Brasil ( José Antonio Almeida – Edgard Poças)

Saudade de um papo com Tom Jobim. João Ubaldo Ribeiro.

janeiro 25th, 2020

Maravilha de texto!

Galinhas e Porcos

Publicado na coluna Ponto de Vista, no jornal O Estado de São Paulo

João Ubaldo Ribeiro

Como sabem nossos amigos comuns e algumas perplexas testemunhas eventuais, Tom Jobim e eu partilhávamos da condição de biólogos amadores, eu mais afeito aos reinos protista e monera (protozoários, preferivelmente; não acho tanta graça em bactéria que, alem de tudo, dá muito trabalho para espiar) e à classe dos mamíferos, ele bastante especializado em ictiologia e, principalmente, ornitologia.Tínhamos discussões acirradíssimas e, quando era ave, ele sempre ganhava. Ganhei em alguns peixes e ganhava quase sempre nos mamíferos, constando até hoje nos anais da Plataforma minha célebre palestra sobre reprodução entre felinos (Felis Cattus domesticus), que, infelizmente o horário não me permite transcrever. Ficávamos, portanto, mais ou menos pau a pau, a não ser nas aves, em que ele era imbatível.

Embora o forte dele mesmo fosse urubu, entendia bastante de  galinha. Não deixava de comer galinha de vez em quando (foi ele que inventou a expressão “frango atropelado” para designar aquele frango inteiro achatado),  mas era, como também eu, um severo critico das injustiças cometidas contra essa ave que, se desaparecesse de repente, poria em perigo a sobrevivência da humanidade, a começar pela sua fama de promíscua.(E conseqüentes observações cafajestas, como “aqui  tem mulher que não pode tomar banho quente, senão vira canja”.)Promíscuo é o galo, que só trabalha em regime de harém exclusivo, violenta as galinhas a torto e a direito e tenta matar o galo que quer se meter em seu terreiro.(Apesar disso, devido a sua proverbial rapidez de execução, chamar o sujeito de “galo” também não deixa de ser depreciativo).

Tom me contou que nos Estados Unidos, são uns 7 bilhões de frangos por ano. Você pode pensar que imagina o que são 7 bilhões de frangos, mas não imagina.  Os Oswalds de Souzas entre vocês provavelmente verificarão que, para  contar esses frangos um a um, sem fazer mais nada, o sujeito levaria uns 200 anos. A vida autorizada desses frangos, confinados, debicados (tiram as pontas dos bicos deles, porque muitos ficam malucam e bicam a si e aos outros) é de 7 a 8 semanas. Ninguém quer perder tempo com frango, cada dia eles atingem mais rapidamente o peso ideal, de cerca de 2  quilos e meio.

E os ovos? São calculadamente 600 bilhões de ovos, no mundo todo. Ninguém tão pouco pode imaginar o que são 600 bilhões de ovos e a falta que iam fazer. As poedeiras vivem um pouquinho mais do que os frangos de corte, porque, para sorte delas, só começam a botar ovos (ou colocar ovos, como tenho lido várias  vezes na imprensa patrícia) depois de 5 a 6 meses, situação intolerável, que a indústria pesquisa para superar. As poedeiras trabalham fulltime, porque mantém o ambiente delas permanentemente iluminado. É uma espécie de fábrica. Elas ficam engaioladas, geralmente quatro a quatro, comendo umas bolotas de ração balanceada e alguns antibióticos, e botando ovos, que descem por uma espécie de rampa até uma esteira rolante, para serem lavados, classificados, embalados, etc. Tom disse que as americanas são excelentes poedeiras, mas a campeã é uma raça francesa pequenininha (pequenininha,  sim, mas com um subilatório destamanho), cujo nome agora esqueci. E, sim, depois que não botam mais ovos, como antigamente, são substituídos pela nova geração e transformadas em sopa, caldos e cubinhos.

Tom ficava revoltado com as indignidades a galinha é submetida. “Estão negando a ela até a condição de bicho”, me disse ele. “Deve ser porque, não sendo animal, não terá direito a ser defendida pelas associações protetoras de animais, que lá são muito chatas e ficam pegando no pé deles. Você imagine que eu li num papel do Departamento de Agricultura americano a seguinte definição de galinha: ‘A galinha é um sistema destinado à conversão de proteína vegetal em proteína animal’ . Pronto, não é mais bicho, é um sistema  de conversão de proteína”.

E houve o triste caso da galinha de Kentucky. Não tenho certeza de que foi mesmo no Kentucky, que nem é produtor significativo de galinhas, mas Tom também não se lembrava direito, de maneira que ficou sendo Kentucky (não tem quem não goste de dizer Kentucky, de vez em quando; é quase tão bom quanto Wyoming – tanto Tom quanto eu preferíamos Wyoming, mas também gostávamos de falar Kentucky] Foi uma pesquisa do Departamento de Agricultura americano, que, pelo visto, está para as galinhas assim como Torquemada para os ímpios.

É o seguinte, explicou Tom. Cerca de 30% da proteína consumida pela galinha vai para fazer as penas. Penas ér proteína. Um desperdício, porque a comercialização da pena – perdoe-me o caro amigo – não vale a pena. Assim, 30% da proteína vegetal destinada a ser transformada em carne são desperdiçados. Para que galinha quer pena, afinal? – raciocinaram os técnicos. Mera questão de vaidade, vamos acabar com isso. E, de fato, acabaram. Mexeram para lá, mexeram para cá e terminaram por produzir uma infeliz raça de galinhas sem penas, só umas besteirinhas aqui e ali. Mas  se deram mal. O consumidor rejeitou-a porque ficou com nojo da falta daqueles porozinhos das penas e, alem de tudo, ela era friorenta e requeria muitas despesas com aquecimento. Não sei o que foi feito da nova raça, suponho que sopa mesmo.

Mas o mundo não está perdido só para as galinhas. Outro bicho sem o qual também teríamos  dificuldades e que também é xingamento está igualmente virando um  sistema. Me mandaram uma reportagem velha do Wall Street Journal, que mostra como os porcos agora nem mais porcaria podem fazer, porque são produzidos e engordados em fábricas de porcos, onde só se entra depois de se tomar banho e de se envergar um traje especial esterilizado, inclusive a roupa de baixo. Sexo porcal, nem pensar.O reprodutor cobre uma porca artificial, em que se aplicaram os feromônios produzidos pela porca verdadeira no cio. As porcas são então inseminadas artificialmente:cerca de 500 por dia numa fábrica, mantidas em “cabines” de metal onde não podem nem virar-se. Fazem teste de ultra- som, com a obrigação de parir 10 a 11 bacorinhos.Depois de exatamente 115 dias de gestação, elas parem os bacorinhos, que são tatuados na orelha, tem os caninos amputados e os rabos cortados e os machos são castrados. Depois ela passa mais uns seis meses engordando na cabine e ai cai na faca.

Perguntarão vocês não sem razão, por que cargas d’água fico eu defendendo galinhas e porcos, em vez de me ocupar de coisas mais relevantes. Que coisas mais relevantes? Haverá coisas mais relevantes, mas vocês sabem muito bem quais são elas e todas elas nos deixam de mau humor ou com medo do futuro. Assim, é melhor conversar sobre galinhas e porcos, aposto como sua cultura suíno-galinácea melhorou muito. E, além disso amenizamos um pouco, ainda que muito palidamente, a saudade de um papo com o Tom.

 

Tom Jobim estava entre nós e a natureza. Por Arnaldo Jabor.

janeiro 25th, 2020

Tom Jobim estava entre nós e a natureza.

 Arnaldo Jabor

Nunca fui íntimo de Tom. Nem ele era. Em nossos encontros, só pude recolher uns fragmentos que iam caindo do seu mistério e não cheguei a compor nenhuma clareza.

Só tive uma sensação de entendimento quando o vi no centro do Jardim Botânico, a cabeça encostada às flores do caixão. Seu rosto em paz parecia uma pequena serra coberta de flores; havia algo de mineral, de alguém voltando ao chão inicial, e aí percebi confusamente todo um processo detido no ar. E vi que nenhum mistério profundo ele nos revelaria.

Uma vez ele me falou, a propósito de sua infância mais funda, que alguma coisa tinha acontecido lá no “cubo de trevas” do passado. Esta expressão nunca me esqueceu (revisor, este é um uso castiço do verbo), e vejo que Tom viveu “fora” de alguma coisa, fora da vida normal, que ele ficou ao lado dos atobás caindo no mar e teve de se “ver” vivendo entre os discursos dos homens.

Não me interessa louvar o Tom, nem competir em literatura com a torrente de homenagens. Tom me interessa como uma máquina viva que ficou a meio-corpo fora da natureza, intermediário entre ela e nós. A mais alta função estética e ecológica, o artista purificando as águas.

Mas este “cubo de treva”, onde começou esta genial “anomalia”, podia ser sentido sempre no convívio com Tom, nos fragmentos das conversas. Tom falava por parábolas, no som das palavras, mais do que no sentido delas. Nunca estava onde queríamos.

Ele me anunciou a sua “causa mortis” há uns quinze anos, na beira da praia: “O médico me ameaçou de morte!”, me disse ele, tentando fazer um cooper canhestro, dentro de um abrigo Adidas. “‘Inadequate perfusion’, o médico falou, do meu coração!”

Ali estava um prenúncio da doença, mas ele se amarrava no som da expressão: “Iná-dequate”, repetia ele num inglês perfeito. “Perfusão inadequada”, aquela frase científica determinando seu destino lhe fazia rir. Só gostava dos significantes.

“I want the giant crab of the Alaska” (eu quero o caranguejo gigante do Alaska), pedia ele ao garçon do restaurante que havia na rua 58 em NY, “The Seafarer of the Aegean Sea” (O Marinheiro do Mar Egeu). Ele só ia ali por causa do nome remoto e homérico da casa. Repetia para mim: “The seafarer”… e “aegean” soava como um vento agudo e víamos o mar grego ali, azul, falésias. E o grande caranguejo do Alaska o contemplava e ele ao caranguejo e havia mais que um almoço ali. Nada era óbvio, corriqueiro. Os “jumbo shrimps” (“veja os camarões-gigantes!”) também o olhavam como a um colega, as lagostas ouviam, nadando no aquário. Só gostava dessas bobagens, que lhe ajudavam a evitar conversas óbvias e cheias de “sentido”.

“April is the cruellest of months, mixingg memory with desire…”, citou Eliott durante meses, que ele nunca teve o saco de ler com método e vagar.

Pegava o essencial, o melhor verso, e revirava-o até a exaustão ali, entre picanhas e chopes, e a metáfora ia definhando e virando um slogan de churrascaria e, aos poucos, a churrascaria em volta ficava profunda. Não seria esta a função da poesia? Aprofundar churrascarias?

Um dia, veio com o papo de que “Hollywood” era traduzível por “azevedo”. “Por quê?”, me perguntou. Por uma intuição fulminante, adivinhei (deve ter sido a faísca de minha ferradura): “Hully” é “azevinho” (planta rasteira) e “wood” (bosque) funciona como o sufixo “edo” em português para coletivos, que dá “vinhedo”, “arvoredo” etc. Ou seja: Hollywood é “bosque de azevinhos” ou “azevedo” (Caetano cita numa música). Por uns momentos, Tom me olhou com respeito e, a partir daí, começou um jogo, um metadiálogo que durou até semana passada.

Fazíamos um concurso eterno de palavras em inglês. Nos comunicávamos pelas bordas do “cubo de treva”. Eu ganhava dele em palavras arcaicas ou mais literárias, ele me dava banhos com legumes, peixes e passarinhos. Eu pescava minhas lembranças shakespereanas e lançava na mesa para pasmo dos garçons: “Que é ‘woe’?” Ele não sabia e eu triunfava: “É ‘aflição’, ‘lamento’… ahhh, ganhei!”

Aí ele replicava: “Tudo bem, e como é ‘chuchu’?” E eu não sabia. “Como é ‘berinjela’?” Eu não sabia. “‘Egg-plant”, é a planta ovo, o ovo roxo, ovo vegetal!”, ria o Tom, com seu rosnado doce, tomando chope. E assim, entre legumes, robalos e picapaus, íamos tecendo uma amizade oblíqua, sem nunca ter havido confissões.

Ele não aguentava caretice e cotidianos. Um dia, em Nova York, estávamos conversando com uns brasileiros que o admiravam, quando ele foi tomado de grande palidez e angústia, gaguejou uma desculpa e se enfiou no Central Park como que fugindo para a floresta. Cubo de treva.

Toda a viagem longa e solitária desde o “cubo de trevas” terminava ali e seu perfil no caixão parecia uma serra entre flores (mais tarde, no avião, vi por instantes seu perfil se encaixar lá embaixo nos morros do Rio). Tom voltava à natureza, de onde nos defendia contra os adjetivos.

Parecia ouvi-lo: “Berinjela, como é berinjela”?

“É fácil, Tom…”, respondi: “Beringela somos nós.”

Tom Jobim e Caetano Veloso. Possível Diálogo.

janeiro 25th, 2020

Trecho extraído, da página 97, do livro Tons sobre Tom de  Márcia Cezimbra, Tessy Callado e Tarik de Souza Editora Revan.

Soube dessa história em 1981, numa entrevista de Caetano Veloso para Roberto D’Avila, no Canal Livre da TV Bandeirantes. O programa reuniu, na bancada de entrevistadores, Tom Jobim, Chico Anísio, Nara Leão, Susana de Moraes, Eduardo Mascarenhas, Marina, Antonio Cícero, Miriam Paglia Costa, Flávio Pinto Lira e Luiz Carlos Maciel.

Assista a um trecho, infelizmente muito pequeno, da entrevista.

http://www.youtube.com/watch?v=dpOq9waMwik

Diante dessa perda inestimável para a MPB, deixo aqui a sugestão para o nosso grande Caetano  letrar a melodia de Diálogo, fazendo uma parceria maisquedemais com Antonio Carlos Jobim; e mais: gravada em dueto com Gal Costa.

Diálogo é uma das faixas LP Wave, de 1967,  disco de engenho e arte; muita bossa.

Violão: Brasileiro de Almeida

Piano: Antonio Carlos Chopin

Entre no endereço abaixo e ouça o mestre:

http://letras.kboing.com.br/#!/tom-jobim

Tom do Sertão. A música de Tom Jobim por Chitãozinho e Xororó.

janeiro 25th, 2020

Meus amigos, esse post é dedicado ao CD Tom do Sertão: músicas de Tom Jobim, gênio brasileiro, interpretadas por Chitãozinho e Xororó, no qual participei na pesquisa de repertório, produção musical e arranjos de base em parceria com meus queridos amigos Claudio Paladini e Ney Marques. Os belíssimos arranjos de cordas ficaram por conta de Ruriá Duprat e Lucas Lima.

Trabalhar com a música de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o maior compositor de música popular do mundo, na minha opinião, é lidar com jóias preciosas, e Chitãozinho e Xororó encararam brilhantemente o desafio de interpretá-las num tom sertanejo, revelando ao seu imenso público mais uma face da obra do nosso grande maestro.

Xororó ao telefone:

– Edgard, êsse é o disco mais sertanejo que gravamos em toda carreira!

Que bom, saber que a música de Tom Jobim vai chegar aos fãs da mais importante dupla sertaneja!

   

Na trama, com a dupla, Ney Marques e Claudio Paladini em minha casa.

 

Sugestões para foto da capa e contracapa. Tom Jobim e Vinicius de Moraes em Brasília em 1959 . Estavam hospedados no Catetinho, com a missão de compor a Sinfonia da Alvorada, encomendada a eles pelo presidente Juscelino Kubitschek para comemorar o nascimento da nova capital do Brasil.

Água de Beber foi composta naqueles, sob a inspiração de um “lindo olho d’água que brotava no capão do mato”, como descreveu Vinicius em crônica.

   

       

 

No Estúdio Trama

 

 

 

 

 

 

 

Águas de Março (Antonio Carlos Jobim)

Estrada Branca  (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Chovendo na roseira   (Antonio Carlos Jobim)

A chuva caiu   (Antonio Carlos Jobim e Luís Bonfá)

Se é por falta de adeus (Antonio Carlos Jobim e  Dolores Duran)

Se todos fossem iguais a você  (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Caminho de pedra  (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Correnteza (Antonio Carlos Jobim e Luís Bonfá)

Chega de Saudade  (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Equipe unida

Entrevista no Programa do Jô. Março 2015:

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/t/videos/v/chitaozinho-xororo-falam-sobre-o-disco-tom-do-sertao/4074680/

Um abraço a todos que participaram desse projeto maravilhoso.

 

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Com Ch & X e Ney Marques

Viva Tom Jobim!

Viva o Tom do Sertão!

Uma homenagem ao imenso Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim e aos queridos amigos Chitãozinho e Xororó que gravaram, magnificamente o CD Tom do Sertão.

Voz: maestro Claudio Paladini

Paul Mounsey – Edgard Poças

Recitativo:

Gado miúdo, curral redondo

Não há quem conte, senão seu dono

 

Canto:

Lá, lá no coração

É lá onde a emoção

Onde o que fazer

Se não luar

Luar de amor

Do meu sertão

Ah, esse meu viver

Cantar esse  bem querer

Esse meu irmão

Essa canção que tem o tom

Tom do sertão

Quanto mais eu canto

Mais estou perto do sertão

Meu avarandado, o cantinho, o violão

Na asa do Jereba voa imaginação

Sertanejo é o tom que eu canto

Meu luar de prata, o pé de manjericão

Cheiro de saudade

Aconchego pé no chão

Passo Preto faz a sua casa no capão

Sertanejo é o tom que eu canto

Tão brasileiro

Sertanejo sim senhor

No cantar dos passarinhos

Nessa história de amor

Que invade nosso peito

Numa forma de oração

Esse é o tom

Tom do Sertão