Archive for the ‘ALMANAQUE QUALQUER NOTA’ Category

Papabaquígrafos

segunda-feira, fevereiro 4th, 2019

Papabaquígrafo é nome que inventei nominar esses papabaquígrafos.

Papabaquígrafos podem ser difíceis e fáceis que nem um joguinho.

Esse aqui, por exemplo, é o primeiro que tinha no meu caminho.

Ele quer dizer: Você tem mil encantos. (1.000 em cantos).

Papabaquígrafo é um desafio para sua imaginação. Um exercício de criatividade.

Falar papabaquígrafo, bem depressa, também é um desafio.

Edgard Poças





















Schubert

quinta-feira, janeiro 31st, 2019
Franz Schubert (31 de janeiro de 1797 – 19 de novembro de 1828).

Que melodista.

Sua Ave Maria é um hit mundial.

Serenata (Ständchen) é um arraso. Minha mãe mandava bem no piano.

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Que o grande Franz Peter perdoe minha ousadia:

 

Serenata (Ständchen)

 

Olha no céu aquela estrela luz

Caindo no mar

Ouve a canção que  nasce de mim, tão só

À luz do luar

Vem pra mim, ó minha estrela

Traz o meu bem querer

Traz o meu bem querer

 

Vem pra  mim, ó minha amada

Ouve o teu trovador

Ouve o teu trovador

 

Ah! vem pra mim

Estrela luz da imensidão

Ah, vem meu amor

Iluminar meu coração

 

Olha no céu,

A estrela caiu feliz

Nas ondas do mar

Tudo me diz  que o tempo sorriu pra nós

Pra gente se amar

 

Vem pra mim, ó minha estrela

Traz o meu bem querer

Traz o meu bem querer

 

Vem pra  mim,

Ó minha amada

Ouve o teu trovador

Ouve o teu trovador

 

Qual a lua cor de prata

Faz o sol nascer

Minha música,  serenata

Serenata, serenata

Traz o meu bem querer

Traz o meu meu querer

 

Amor vem pra mim

Estrela luz  do azul sem fim

Amor!

Amor!

 Chitãozinho e Xororó, com a Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo maestro João Carlos Martins, do CD Chitãozinho e Xororó – 40 Anos • Sinfônico (Audio DVD), Som Livre, 2011.

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Jean William, com a Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo maestro João Carlos Martins, do CD Dois Atos, Dabliú Discos, 2014.

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P.S.: Ouca a Sonata para Arpeggione e Piano D. 8212.

Aula de melodia.

Franz Peter Schubert escreveu cerca de 600 canções, além de óperas, sinfonias e sonatas, entre outros trabalhos.

Morreu com 31 anos. Gênio.

 •

Dia Mundial do Mágico.

quinta-feira, janeiro 31st, 2019

Hoje é dia trinta e um de janeiro.

Dia Mundial do Mágico!

José Antonio Almeida e Edgard Poças

Viva o mágico!

De repente, um coelho da cartola!

A caixa vira bola,

A pomba vira lenço!

De repente, o truque troca o treco!

O vento faz a curva,

O fim vira começo!

De repente, Abracadabra!

E sai uma moeda do nariz!

Surpresa! Mágica!

E um sorriso feliz!

Respeitável público:-

Incrível! Fantástico! Extraordinário!

Num piscar de olhos,

Isso vira aquilo ao contrário!

Viva o Mágico!

Pirlimpimpim! Bambalalão!

Viva seu mundo brincalhão!

Viva!

Viva o mágico!

Viva a imaginação!


Dia da Saudade

quarta-feira, janeiro 30th, 2019

Saudade é a presença da ausência.

Tristão de Ataíde –  1893 – 1983

Mozart.

domingo, janeiro 27th, 2019

Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (27 de janeiro – 5 de dezembro).

Deixou para o patrimonio da humanidade mais de seiscentas composicões e foi embora com trinta e cinco anos!

Ouça os dois minutos e quarenta e quatros segundos do Kyrie, do seu Requiem em Ré menor, KV 626, com a orquestra e côro da Sinfônica da Rádio de Baviera e regência de Leonard Berstein.

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Difícil até de imaginar como alguem consegue escrever algo assim!

Macintosh, a maçã tentadora.

quinta-feira, janeiro 24th, 2019

Hoje é dia de aniversário do MacIntosh que foi lançado no mercado em 24 de janeiro de 1984.

Devo muito a essa máquina revolucionária de nome derivado de uma certa espécie de maçã. Não resisti a tentação de dar uma mordidinha e até hoje estou no paraíso.

Seguem duas trilhas dos anos 80. A primeira executada por um Apple II  e a segunda, logo depois da mordidinha.

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Chevette

 

 

Anunciante: General Motors Trilha 45′

Filme: Box

Agencia: McCANN-ERICSON Produtora do filme: TVC

Composição: Edgard Poças

Seqüenciador e sampler desenvolvidos pioneiramente por Luiz Roberto Oliveira e o professor Guido Stolfi.

Músicos: ARP 2600  e Prophet 5 Regente: Apple IIe

Gravada em setembro de 1983 na Norte Magnético Premio Colunistas. Trilha do Ano

.

PS#1: Não existia o que hoje se chama sampler – nós tratávamos a gentil máquina de papagaio.

PS#2: Sampler é um equipamento que consegue armazenar sons (samples) de arquivos em formato WAV numa memória digital, e reproduzí-los posteriormente, um a um ou de forma conjunta se forem grupos, montando uma reprodução solo ou mesmo uma equivalente a uma banda completa. (Uma boa definição extraída da Wikipédia).

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Trilha para o filme Labirintos

Cliente: Construtora Diagrama.

Agencia: MCP Propaganda

Seqüenciador: Performer

Regente: Macintosh de Moraes

Intérprete: Oberheim Xpander

Gravada no estúdio Klaxon (fundos da minha casa) em novembro de 1988

Antes do McIntosh eu tinha um Apple II comprado no inicio dos anos 80. Poucas se falava em computador. Lembro do encantamento com que destrinchei o manual e os exercícios – aliás a  década foi dos manuais. Empolgadíssimo convidei uns amigos para assistir as primeiras gracinhas que a gente faz com as novidades, e encerrei o espetáculo com um programinha que gerava uma sequencia aleatória de numeros, simlesmente o máximo! Um dos presentes disparou com ar sério:

– Tudo bem,… mas o que voce vai fazer com isso?

Dia Mundial do Compositor.

terça-feira, janeiro 15th, 2019

João Ribeiro e Antonio Brasileiro. Par de ases que representam a classe.

Johann Sebastian Bach (31 de março de 1685 – 28 de julho de 1750)

 

Antonio Carlos Jobim (25 de janeiro de 1927 — 8 de dezembro de 1994)

 

 

 

Dia da Confraternização Universal • O Mundo é um Abraço

terça-feira, janeiro 1st, 2019

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José Antonio Almeida e Edgard Poças

Voz: Dani Boy

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Beethoven.

quinta-feira, dezembro 13th, 2018

Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 –  Viena, 26 de março de 1827 .

“O resumo de sua obra é a liberdade”, observou o crítico alemão Paul Bekker , “a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida”.

Foi o primeiro grande compositor  que escreveu música para si, livre, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre.

“Uma criatura completamente indomável.” – Goethe.

Caminhando e pensando…

 

 

 

 

 

 

Sonata No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 27

I. Adagio sostenuto

Um dividido por dois: dois meios; um dividido por três: dízima…

Um dividido por dois e tres ao mesmo tempo…

…quase uma fantasia…

Cada um que toque no seu tempo.

III. Allegretto

III. Presto Agitato.

 

Com Maurizio Pollini:

 

Com Arthur Rubinstein:

 

Com Walter Gieseking:

Saudade de um papo com Tom Jobim. João Ubaldo Ribeiro.

sábado, dezembro 8th, 2018

Maravilha de texto!

Galinhas e Porcos

Publicado na coluna Ponto de Vista, no jornal O Estado de São Paulo

João Ubaldo Ribeiro

Como sabem nossos amigos comuns e algumas perplexas testemunhas eventuais, Tom Jobim e eu partilhávamos da condição de biólogos amadores, eu mais afeito aos reinos protista e monera (protozoários, preferivelmente; não acho tanta graça em bactéria que, alem de tudo, dá muito trabalho para espiar) e à classe dos mamíferos, ele bastante especializado em ictiologia e, principalmente, ornitologia.Tínhamos discussões acirradíssimas e, quando era ave, ele sempre ganhava. Ganhei em alguns peixes e ganhava quase sempre nos mamíferos, constando até hoje nos anais da Plataforma minha célebre palestra sobre reprodução entre felinos (Felis Cattus domesticus), que, infelizmente o horário não me permite transcrever. Ficávamos, portanto, mais ou menos pau a pau, a não ser nas aves, em que ele era imbatível.

Embora o forte dele mesmo fosse urubu, entendia bastante de  galinha. Não deixava de comer galinha de vez em quando (foi ele que inventou a expressão “frango atropelado” para designar aquele frango inteiro achatado),  mas era, como também eu, um severo critico das injustiças cometidas contra essa ave que, se desaparecesse de repente, poria em perigo a sobrevivência da humanidade, a começar pela sua fama de promíscua.(E conseqüentes observações cafajestas, como “aqui  tem mulher que não pode tomar banho quente, senão vira canja”.)Promíscuo é o galo, que só trabalha em regime de harém exclusivo, violenta as galinhas a torto e a direito e tenta matar o galo que quer se meter em seu terreiro.(Apesar disso, devido a sua proverbial rapidez de execução, chamar o sujeito de “galo” também não deixa de ser depreciativo).

Tom me contou que nos Estados Unidos, são uns 7 bilhões de frangos por ano. Você pode pensar que imagina o que são 7 bilhões de frangos, mas não imagina.  Os Oswalds de Souzas entre vocês provavelmente verificarão que, para  contar esses frangos um a um, sem fazer mais nada, o sujeito levaria uns 200 anos. A vida autorizada desses frangos, confinados, debicados (tiram as pontas dos bicos deles, porque muitos ficam malucam e bicam a si e aos outros) é de 7 a 8 semanas. Ninguém quer perder tempo com frango, cada dia eles atingem mais rapidamente o peso ideal, de cerca de 2  quilos e meio.

E os ovos? São calculadamente 600 bilhões de ovos, no mundo todo. Ninguém tão pouco pode imaginar o que são 600 bilhões de ovos e a falta que iam fazer. As poedeiras vivem um pouquinho mais do que os frangos de corte, porque, para sorte delas, só começam a botar ovos (ou colocar ovos, como tenho lido várias  vezes na imprensa patrícia) depois de 5 a 6 meses, situação intolerável, que a indústria pesquisa para superar. As poedeiras trabalham fulltime, porque mantém o ambiente delas permanentemente iluminado. É uma espécie de fábrica. Elas ficam engaioladas, geralmente quatro a quatro, comendo umas bolotas de ração balanceada e alguns antibióticos, e botando ovos, que descem por uma espécie de rampa até uma esteira rolante, para serem lavados, classificados, embalados, etc. Tom disse que as americanas são excelentes poedeiras, mas a campeã é uma raça francesa pequenininha (pequenininha,  sim, mas com um subilatório destamanho), cujo nome agora esqueci. E, sim, depois que não botam mais ovos, como antigamente, são substituídos pela nova geração e transformadas em sopa, caldos e cubinhos.

Tom ficava revoltado com as indignidades a galinha é submetida. “Estão negando a ela até a condição de bicho”, me disse ele. “Deve ser porque, não sendo animal, não terá direito a ser defendida pelas associações protetoras de animais, que lá são muito chatas e ficam pegando no pé deles. Você imagine que eu li num papel do Departamento de Agricultura americano a seguinte definição de galinha: ‘A galinha é um sistema destinado à conversão de proteína vegetal em proteína animal’ . Pronto, não é mais bicho, é um sistema  de conversão de proteína”.

E houve o triste caso da galinha de Kentucky. Não tenho certeza de que foi mesmo no Kentucky, que nem é produtor significativo de galinhas, mas Tom também não se lembrava direito, de maneira que ficou sendo Kentucky (não tem quem não goste de dizer Kentucky, de vez em quando; é quase tão bom quanto Wyoming – tanto Tom quanto eu preferíamos Wyoming, mas também gostávamos de falar Kentucky] Foi uma pesquisa do Departamento de Agricultura americano, que, pelo visto, está para as galinhas assim como Torquemada para os ímpios.

É o seguinte, explicou Tom. Cerca de 30% da proteína consumida pela galinha vai para fazer as penas. Penas ér proteína. Um desperdício, porque a comercialização da pena – perdoe-me o caro amigo – não vale a pena. Assim, 30% da proteína vegetal destinada a ser transformada em carne são desperdiçados. Para que galinha quer pena, afinal? – raciocinaram os técnicos. Mera questão de vaidade, vamos acabar com isso. E, de fato, acabaram. Mexeram para lá, mexeram para cá e terminaram por produzir uma infeliz raça de galinhas sem penas, só umas besteirinhas aqui e ali. Mas  se deram mal. O consumidor rejeitou-a porque ficou com nojo da falta daqueles porozinhos das penas e, alem de tudo, ela era friorenta e requeria muitas despesas com aquecimento. Não sei o que foi feito da nova raça, suponho que sopa mesmo.

Mas o mundo não está perdido só para as galinhas. Outro bicho sem o qual também teríamos  dificuldades e que também é xingamento está igualmente virando um  sistema. Me mandaram uma reportagem velha do Wall Street Journal, que mostra como os porcos agora nem mais porcaria podem fazer, porque são produzidos e engordados em fábricas de porcos, onde só se entra depois de se tomar banho e de se envergar um traje especial esterilizado, inclusive a roupa de baixo. Sexo porcal, nem pensar.O reprodutor cobre uma porca artificial, em que se aplicaram os feromônios produzidos pela porca verdadeira no cio. As porcas são então inseminadas artificialmente:cerca de 500 por dia numa fábrica, mantidas em “cabines” de metal onde não podem nem virar-se. Fazem teste de ultra- som, com a obrigação de parir 10 a 11 bacorinhos.Depois de exatamente 115 dias de gestação, elas parem os bacorinhos, que são tatuados na orelha, tem os caninos amputados e os rabos cortados e os machos são castrados. Depois ela passa mais uns seis meses engordando na cabine e ai cai na faca.

Perguntarão vocês não sem razão, por que cargas d’água fico eu defendendo galinhas e porcos, em vez de me ocupar de coisas mais relevantes. Que coisas mais relevantes? Haverá coisas mais relevantes, mas vocês sabem muito bem quais são elas e todas elas nos deixam de mau humor ou com medo do futuro. Assim, é melhor conversar sobre galinhas e porcos, aposto como sua cultura suíno-galinácea melhorou muito. E, além disso amenizamos um pouco, ainda que muito palidamente, a saudade de um papo com o Tom.