Posts Tagged ‘Caetano Veloso’

Tom Jobim e Caetano Veloso. Possível Diálogo.

sábado, dezembro 8th, 2018

Trecho extraído, da página 97, do livro Tons sobre Tom de  Márcia Cezimbra, Tessy Callado e Tarik de Souza Editora Revan.

Soube dessa história em 1981, numa entrevista de Caetano Veloso para Roberto D’Avila, no Canal Livre da TV Bandeirantes. O programa reuniu, na bancada de entrevistadores, Tom Jobim, Chico Anísio, Nara Leão, Susana de Moraes, Eduardo Mascarenhas, Marina, Antonio Cícero, Miriam Paglia Costa, Flávio Pinto Lira e Luiz Carlos Maciel.

Assista a um trecho, infelizmente muito pequeno, da entrevista.

http://www.youtube.com/watch?v=dpOq9waMwik

Diante dessa perda inestimável para a MPB, deixo aqui a sugestão para o nosso grande Caetano  letrar a melodia de Diálogo, fazendo uma parceria maisquedemais com Antonio Carlos Jobim; e mais: gravada em dueto com Gal Costa.

Diálogo é uma das faixas LP Wave, de 1967,  disco de engenho e arte; muita bossa.

Violão: Brasileiro de Almeida

Piano: Antonio Carlos Chopin

Entre no endereço abaixo e ouça o mestre:

http://letras.kboing.com.br/#!/tom-jobim

O Douro do meu pai e a poesia de Fernando de Pessoa e Caetano Veloso

terça-feira, janeiro 10th, 2017

Rio Douro do meu paiNesse lugar de Santiago, freguesia de Melres, concelho de Gondomar, distrito do Porto, nasceu meu pai, Diogo. Bati esse foto em 1969, quando estudava no Porto, morava à rua da Constituição e num sábado de sol de inverno cismei de registrar essa paisagem vista do  alto da estrada marginal ao rio Douro que me levava a casa dos meus avós Albino e Maria Emília. Bestial, pois não?  Me lembra Fernando Pessoa, me lembra Caetano Veloso e os os rios que passaram em suas vidas.

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grande navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro, O Rio da Minha Aldeia.

 

 

 

 

 

Onde eu nasci passa um rio

Que passa no igual sem fim

Igual, sem fim, minha terra

Passava dentro de mim

Passava como se o tempo

Nada pudesse mudar

Passava como se o rio

Não desaguasse no mar

 

O rio deságua no mar

Já tanta coisa aprendi

Mas o que é mais meu cantar

É isso que eu canto aqui

Hoje eu sei que o mundo é grande

E o mar de ondas se faz

Mas nasceu junto com o rio

O canto que eu canto mais.

Caetano Veloso, Onde Eu Nasci Passa Um Rio.

A gravação foi tirada do LP DOMINGO – CAETANO VELOSO e GAL COSTA, de 1967. Um disco lindo: Coração vagabundo, Onde eu nasci passa um rio,  Avarandado, Um dia, Um dia, Domingo, Nenhuma dor, Candeias, Remelexo, Minha senhora, Quem me dera, Maria Joana – meu filho Diogo gravou lindamente – e Zabelê. Está nas lojas, relançado em CD e no Youtube, no endereço:  http://www.youtube.com/watch?v=jWDuejEHZqg

Como diria nosso querido Baden Powell: – Encosta pra ver se dá!

caetano_gal_costa_veloso-domingo

 

 

 

 

 

 

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Repare no timbre do Caetano: areia na voz, rascante, como se diz em Portugal, pura, que nem essa foto batida naquele sábado distante, quando me achei sozinho e vi que não entendia nada, nem de pro que eu ia indo, nem dos sonhos que eu sonhava. Ia.

Foto atual enviada po João Manuel Viana que mora na região.

O tempo não para mesmo.

– Ó Vitor, traga-me logo a pipa!

     

               Albino e Maria Emília, meus avós portugueses

 •

Casório no Brás • SP

 

 

Namoro com Antonietta no Trianon • SP



Casa onde nasci, na rua São Leopoldo, no Belenzinho. São Paulo.

O tempo não para mesmo.

Meu Violão de Estimação

quarta-feira, outubro 28th, 2015

Meu violão de estimação

“De tanto roçar meu peito

Tens hoje o timbre perfeito

Da voz do meu coração.”

Meu Companheiro. Chico Alves e Orestes Barbosa.

 

Esse é o violão da minha juventude, autografado por pessoas encantadoras que conheci nas serestas, saraus,  em casas familiares e nos bares.

“Quem toca em casa familiar

É o bobo Lelé

Fica sem mão pra beber

Fica sem mão pra mulher!”

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Vinicius de Moraes e meu primo querido Zequinha Marques da Costa, lá pelas tantas cantavam essa música pra tirar sarro da minha cara que varava a noite tocando feito um desvairado, e eles numas…

Vinicius e Zequinha

Zequinha me disse que a obra é de autoria Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Sério Porto, por Nassara

Sério Porto, por Nassara

Enfim, taí o pinho,  assinado por: João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque, Rosinha de Valença (que saudade bicho!), Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro, Edú Lôbo, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Mendes, Ruy Guerra, Norma Benguell, Odete Lara, Os Cariocas (Severino, Badeco, Quartera e Luiz Roberto), Paulo Autran, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Luiz Eça, Dom Um (que saudade bicho!), MPB4, Pedrinho Mattar, Paulinho Nogueira, Claudette Soares, Walter Wanderley, Alaíde Costa,Anna Lúcia,  Flávio Rangel, Silveira Sampaio (o Jô Soares era assistente do seu talk show no inicio dos anos 60!), Geraldo Cunha (viva o Jogral!), Dudi Maia Rosa, Walter Santos (Bossa Nova ou Samba Jazz?) e Diogo Pacheco.

Deixaram de autografá-lo por motivos de força maior ou menor, seja pelo adiantado da hora, libações etílicas ou irresponsabilidade, Wilson Batista – o maior sambista brasileiro de todos os tempos – Ismael Silva, Dick Farney, Duke Ellington e orquestra, Ataulfo Alves, Sergio Ricardo, Grande Otelo, Billy Blanco, Jorge Goulart, Nora Ney, Otto Lara Resende, Ze Kéti, Jô Soares, Hervê Cordovil , Alexandre o’Neill, Carlos Manga, Wilson Simonal, Sylvia Telles, José Carlos Ferreira, o Boi, Don Rossé Cavaca, Milton Nascimento e  Antonio Carlos Planetário de Almeida Jobim.

Fica pra próxima.

Novamente juntos eu e o violão

Vagando devagar, por vagar

Cantando uma canção qualquer, só por cantar

Mercê da solidão

Vadiando em vão por aí

Nós vamos seguir,

Outra rua, outro bar, outro amigo, outra mão

Qualquer companheira, qualquer direção

Até chegar em qualquer lugar

Qualquer que seja a morte a esperar

Jamais meu violão me abandonará

Se eu vivi, foi inútil viver

Já mais nada me resta saber

Quero ouvir meu violão gemer

Até me serenizar.

Violão vadio.

Edgard Poças e seu ViolãoBaden Powell e Paulo César Pinheiro

 

Abra os braços com Rexona e liberte-se.

terça-feira, julho 15th, 2014

Campanha da agência Lintas para o desodorante Rexona. A idéia inicial era compor vários jingles com um minuto de duração sobre o tema Abra os braços, liberte-se com Rexona à maneira de um compositor famoso. Imitar sem copiar. Resolvemos começar com o imitável, mas inigualável Caetano Veloso. Eu achei aquilo uma oportunidade incrível e fiz este rascunho:

Rexona • “Caetano Veloso”

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Voz: Alaor Coutinho

Teclados: Edgard Poças

Contrabaixo: Rodolfo Stroeter

Locução: Odayr Batista (Camanducaia falando para o mundo!)

Gravado no Estudio Bandeirantes em dez de 1981.

A agência gostou, mas existia a possibilidade dos compositores não gostarem da idéia, então resolvemos partir para estilos de composição. Seguindo o briefing “Abra os braços com Rexona e liberte-se” compus (ô palavrinha feia!) sete jingles com um minuto de duração cada – nunca gostei tanto de trabalhar com música de publicidade. Aqui vão quatro jingles da campanha.

Rexona • Samba de breque

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Eu vou contar pra voces

O que aconteceu nessa segunda feira

Eu fui dançar na gafieira

Ao chegar no local onde eu sou maioral

Parei na solteirona

Que não saia da poltrona

Timidamente com todo respeito, tirei-a pra dançar

Modéstia a parte eu sou bom par

– Eu não sei, eu tenho vergonha

– Voce precisa se soltar, senhorita!

Um pouco de Rexona te dá o balanço

Pra se libertar

Só Rexona faz sambar

E fomos rodando os dois soltinhos pelo salão

Eu parecia o Don João

Trocando ternuras beijinhos e juras

Com muita emoção

Ela pegou na minha mão e disse

Benzinho, com Rexona eu vou me libertar

Só Rexona tem esse cheirinho

E é com voce que eu quero me casar

Seu locutor pode falar:

Locutor:  O desodorante Rexona tem  perfumes refrescantes que protegem você de banho a banho. Abra os braços com Rexona e liberte-se!

Canto e arranjo: Edgard Poças

Músicos: Placa Luminosa (Jota, piano elétrico, Riba, violão,  Ary, contrabaixo e Luiz, bateria), Sax: Mário e Gérson Galante, Trumpete , Dorival Galante e Trombone, François.

Locução: Edson Mazieiro (O primeiro locutor  convocado num breque.)

Rexona • Samba Canção

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Deves amor me falar

O que mora em teu peito

Não podes calar

Não!

Tu não tens o direito

A dor e o silêncio

Vão te torturar

Um grande amor  não se cala

E a alma jamais se aprisiona

Abre os teus braços

Liberte-se com Rexona!

Locutor: O desodorante Rexona tem  perfumes refrescantes que protegem você de banho a banho. Abra os braços com Rexona e liberte-se!

Rexona!

Canto: Silvia Maria

Músicos: Grupo de Macambira

Clarinete: Mário “Pé de Louro” Lúcio Marques dos Santos

Côro:  Jotinha, Riba, Mário, do grupo Placa Luminosa

Locução: Edson Mazieiro

Rexona • Rock

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São mais de mil garotas

Pedindo uma carona

Me chamam de cheiroso

E que eu uso Rexona

Rexona! Rexona!

Um rock, um toque de Rexona

E você vai abafar!

 

Você ama uma garota

E não lhe telefona?

Precisa se soltar…

Então use Rexona

Rexona! Rexona!

Um rock, um toque de Rexona

E vai se libertar!

Locução :  O desodorante Rexona tem  perfumes refrescantes que protegem você de banho a banho. Abra os braços com Rexona e liberte-se!

Solte-se!

Com Rexona

Solte-se!

Com Rexona

Um rock, um toque de Rexona

E vai se libertar!

Canto e arranjo: Edgard Poças

Côro: Placa Luminosa

Músicos: Placa Luminosa (Jota, piano elétrico, Riba, guitarra, Mário, sax (Pé-de-Louro genial!) Ary, contrabaixo e Luiz, bateria)

Locutor: Edson Mazieiro

Rexona • Bossa Nova

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Ela passa, meu Deus

Que cheirinho de flor e que bossa!

Balança soltinha

Me deixa na fossa

Garota, tô louco prá te namorar

 

Devagar com a louça!

Assim não funciona

A moça só quer Rexona

Só Rexona, Rexona,  prá você se soltar

 

Posso ser um barquinho, na sua canção?

Um cantinho pro seu violão?

O amor, o sorriso, a flor e a luz do luar…

Lobo bôbo não vem com conversa fiada!

A moça só tá interessada

Em quem se soltar e se libertar

Rexona! Solte-se! Liberte-se!

Locutor:  O desodorante Rexona tem  perfumes refrescantes que protegem você de banho a banho. Abra os braços com Rexona e liberte-se!

Canto e arranjo: Edgard Poças

Côro: Placa Luminosa

Músicos: Placa Luminosa (Jota, piano elétrico, Riba, guitarra,  Ary, contrabaixo e Luiz, bateria)

Côro à la “Os Cariocas”: Placa Luminosa

Locução: Edson Mazieiro

Gravados no Estudio Placa Luminosa em junho de 1982.

Um grande abraço em meus queridos amigos do Placa Luminosa.

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