Archive for Abril, 2015

Trem de Bamba. Lembrança de Duke Ellington e sua Orquestra.

quarta-feira, Abril 29th, 2015

O Totem Bar ficava na avenida Santo Amaro, em São Paulo, no fundo de um terreno enorme cuja frente servia de estacionamento e foi lá, numa noite de 1968, que um conjunto de garotos da garoa, tocou Garota de Ipanema para o grande Duke Ellington – e sua orquestra.

Nelson Ayres no piano, Zeca Assumpção no baixo, Roberto Sion no sax, William Caran na bateria e eu no violão, mandamos a maior brasa e ao final, na sua nobreza, o Duke me sapecou tres beijos. Eu era o mais próximo.

Durante minha impetuosa performance notei um olhar curioso; acho que ele reparava que, no Brasil, o violão – da bossa nova – era tocado sem palheta, ao contrário dos guitarristas de jazz que adoravam a bossa nova.

Tive a sorte de viajar acompanhado de quatro azes, aí qualquer carta é coringa.

Como nós fomos parar no Totem, tocar para Duke Ellington e sua orquestra eu não tenho a menor idéia.

Lembro que eu fiquei até altas horas – o Duke e a banda foram embora cedo – com o trumpetista, CatAnderson, e iniciamos um porre federal que terminou numa boite que eu não lembro o nome – ficava naquela ladeira, não lembro o nome, que liga a Rua Martins Fontes à avenida Nove de Julho. Tambem não lembro como cheguei em casa.

Lembro que dias depois assisti ao lado do meu primo Kiko Marques da Costa a inesquecível apresentação de Duke Ellington e sua Orquestra no Teatro Municipal de São Paulo.

Abriram com Take the A Train e eu caí no chôro. Nunca tinha visto tanto genio junto. Sophisticated Man, tocando aquele piano incrível, regendo com classe de mestre sala os caras que eu colecionava que nem figurinhas!

Após o concerto descemos até os camarins para ver as feras – não tinha muita gente – abri uma garrafinha de uísque, e sorvemos na companhia do saxofonista Paul Gonsalves  e do trumpetista Cootie Willians, coautor de Round About Midnight em parceria com o insofismável Thelonious Esfera Monge!  Isso eu lembro muito bem,

Uma pequena lembrança de Edward Kennedy “Duke” Ellington no seu aniversário de nascimento, ele que nunca morrerá. Nem sua orquestra.

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Take the A Train, de seu querido amigo e parceiro Billy Strayhorn.

Trem de Bamba

Vem que vem de banda

E vem no trem do Harlem de Luanda

Vem vem mais um bamba

É,  é o Duke Ellington no samba!

Salve o Duque do pandeiro

Salve o afro brasileiro!

Voz: Maurício Novaes

Diamonds shining:

– Ele, sua turma, e o grande Billy Straihorn:

 

– Com a crooner Betty Roché:

 

– Com o sensacional Ray Nance solando:

– Com solo de Cootie Williams:

http://www.youtube.com/watch?v=8S6Pt4FqKLU

Mais uma:

Bônus:

– Paul Gonsalves:

http://www.youtube.com/watch?v=emgd6MbUExI&feature=related

Johnny Hodges – vale chorar:

http://www.youtube.com/watch?v=XYfvgXHDGrA  – vale chorar.

Harry Carney:

http://www.youtube.com/watch?v=brqxEdwsTQs

Duke Ellington nasceu em Washington, 29 de Abril de 1899  e morreu em Nova Iorque, em 24 de Maio de 1974.

Existe em São Paulo, a Rua Duke Ellington! Localizada no bairro de Baronesa – cidade de Osasco.

Dia do Descobrimento do Brasil.

quarta-feira, Abril 22nd, 2015
Em 22 de abril de 1500, chegaram a Pindorama treze caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral.

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História do Brasil, Lamartine Babo

Voz: Almirante

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Giro em Portugal, Mário Lúcio de Freitas e Edgard Poças

Voz: Mário Lúcio de Freitas

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Ripa na Chulipa, Paul Mounsey e Edgard Poças

Voz: Edgard Poças

Clique para ampliar

Ilustração da minha filha Maria do Céu, a Céu.

Mistura Fina, Paul Mounsey e Edgard Poças

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Dia do Índio.

domingo, Abril 19th, 2015

Hoje é o dia do índio, primeiros habitantes de Pindorama.

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Lenda Indígena

Marcos Xuxa Levy e Edgard Poças

 

Nu vem no vento vem…

Nuvem no vento vem,

Que nem a natureza…

 

Rema que rema vai…

Rema que rema vem…

Indo na correnteza,

Índio, cadê seu bem ?

 

Vem lá de Pindorama,

Terra dos palmeirais,

Onde nasce curumim,

Onde canta o sabiá!

 

Esse que faz o tempo,

Isso que o tempo faz,

Faça isso que permita,

Que ele volte para lá!

 

Ê a ê iandê!

Que é do seu amor ?

Ê a ê abaré!

Coração de tambor!

 

Bororó, Caeté, Karajá,Carijó

Tupinambá, Gaitacá, Caiapó

Tremembé, Guarani, Potiguar, Aimoré

Tabajara, Pataxó, Tupiniquim

Ê a ê curumim!

 

Rondon, Villas Boas, Nonoai, Raoni

Araribóia, Abiarú, Cunhambebe, Juruna, Darcy

Tiarajú, Guacarari, Camarão, Janduí

Ê a ê kurumí!

abaré: amigo

curumim : criança: kurumí

iandê: Você

Pindorama: “Terra das Palmeiras”

como os indíos chamavam o Brasil.

Voz: Marcos Xuxa Levy e sua filha Clara

Billie Holiday. Lady in Satin.

terça-feira, Abril 7th, 2015

Terminei de ler a ótima biografia de Billie Holiday, por Sylvia Fol, comovido pela história trágica dessa cantora genial e engasgado com este trecho, quase ao final do livro:

… com a voz enfraquecida (de Billie) sobre um leito de violinos xaroposos. Alguns dirão que esse disco é um erro colossal. Onze novas canções, que ela tem a maior difilculdade para interpretar, com uma voz empastada pelo abuso do gim. Escutar esse disco é doloroso. Os arranjos floridos e os acordes luxuriantes contribuem para acentuar a fragilidade de sua voz. Sua falta de confiança em si mesma é manisfesta.…

Ray Ellis – o arranjador – sairá completamente abalado dessa experiência. Ele se recusará a assumir a mixagem. E quando Townsend – Irving, o produtor da gravadora Columbia – lhe envia o disco terminado, ele será atingido de imediato por sua infinita tristeza.

O erro colossal é o LP, agora em CD, Lady in Satin, de Billie Holiday, justamente um dos discos mais lindos que ouvi, que muitas vezes me fez  chorar de emoção e encantamento. Me vejo na cabine da antiga Eletroarte, na rua Augusta em São Paulo, ouvindo desconfiado que havia morrido e já estava no céu.
Arranjos floridos (?) e acordes luxuriantes (?),  falta de confiança em si mesma (?) e dificuldade de interpretar? 
Lady in Satin é um enlevo colossal.

You’ve Changed

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P.S.: Capa do album 78 rpm autografado pela divina Lady Day.